Novidades

Novos caminhos

Mais soluções em carrocerias abertas do tipo carga seca são a aposta do segmento do alumínio para o mercado de implementos rodoviários

Carolina Rossini 04/05/2016
A+ A-

O momento não é nada favorável para o setor de implementos rodoviários: apenas no primeiro bimestre deste ano, viu as vendas caírem 41%. E, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), é esperada uma queda de mais 10% ainda em 2015.

Enquanto isso, a entidade aguarda a liberação de linhas de crédito do Bndes, que podem ajudar o setor a se levantar. “O setor de implementos, assim como a maioria dos setores industriais, está passando por uma situação delicada. Nesse caso, fora as alternativas normais de sobrevivência, vejo como sugestão a inovação e descoberta de novos nichos”, avalia Thiago Barreto, diretor comercial da Rodorei.

Mesmo com o cenário negativo do setor, as empresas do alumínio seguem apresentando produtos, com o intuito de inovar e aperfeiçoar o trabalho de quem atua na área. “O mercado de carrocerias de alumínio é uma tendência que deve ser explorada pelos implementadores”, indica Barreto.

Quem abriu caminho para esse movimento foi a Associação Brasileira do Alumínio com com o Projeto Abal Carga Seca – consórcio envolvendo dez empresas associadas – que desenvolveu a primeira carroceria aberta 100% em alumínio do país, fabricada para um caminhão truck com ca pacidade de carga de 23 toneladas de peso bruto. A carroceria foi apresentada na Feira Nacional de Transportes – Fenatran de 2013 e atualmente passa por testes de avaliação de desempenho.

Mais produtos

Dentre as participantes do consórcio Abal Carga Seca, duas empresas estão com projetos próprios de carrocerias. A Sapa acaba de lançar kits completos de perfis de alumínio, prontos para montagem e instalação, para carroceria carga seca aberta na versão peso pesado. O modelo, que está sendo comercializado para implementadores, pode suportar até 23 toneladas e foi desenvolvido em parceria com a Cremasco, em um período de dois anos. “Nós trouxemos projetos que a Sapa tem na Europa e reproduzimos com algumas adaptações. Simulamos os esforços, a partir de protótipos, para rodar em uso extremo e avaliar como está sendo o desempenho”, conta Marcus França, gerente de desenvolvimento de mercado da Sapa.

A extrusora, que já tem disponível no mercado a versão leve – para veículos com peso bruto total menor que 3,5 toneladas -, sinaliza também o futuro lançamento da versão média, até 7 toneladas, que ainda está em desenvolvimento. “Uma carroceria de alumínio dura pra sempre. Em outro material, às vezes, pode ocorrer a troca da carroceria a cada dois anos”, diz França.

A Alcoa também aposta em mais novidades, após apresentar sua versão de carroceria totalmente em alumínio na última Fenatran. “Estamos desenvolvendo outras carrocerias e em busca de parcerias para montagem de protótipos e testes de campo”, aponta Daniel Silva, gerente comercial da Alcoa.

Silva explica que o modelo atual, executado em parceria com a Noly Implementos Rodoviários, permitiu redução de até 50% do peso do caminhão. O modelo utiliza o Sistema de Fixação Alcoa, que substituiu o processo de soldagem, o que agrega segurança e facilita montagem e manutenção. “O feedback dos implementadores foi positivo, pois houve redução de peso e de tempo [de montagem] considerável. É visto como uma evolução da carroceria”, conta e reforça a expectativa com o mercado: “quando o setor está em crise é preciso pensar e agir diferente, isso gera uma busca por soluções inovadoras que ajudem a retomar o crescimento”.

Oportunidade

A Rodorei vem, gradativamente, mudando as carrocerias para alumínio e o resultado tem sido positivo, principalmente pela redução no consumo de combustível e desgaste dos pneus, além de aumentar a produtividade. “Acreditamos que podemos conquistar novos clientes com esse tipo de carroceria, principalmente cargas de alto valor agregado e peso concentrado, pois qualquer peso extra carregado é um ganho nosso e do cliente”, afirma Barreto. Com uma carroceria até 900 kg mais leve, a empresa tem ganho de produtividade entre 5 e 10%, dependendo da viagem e produto.

Celestino Cremasco, diretor da Cremasco Implementos Rodoviários, aponta mais vantagens: “Com alumínio eu poderia montar e entregar uma carroceria em apenas um dia. E nisso tenho menos investimento e ganho até 50% em montagem. No final, é apenas o custo da matéria-prima que faz mais diferença”. A atual conjuntura mostra que o momento é de cuidado e contenção máxima de custos.

Embora o alumínio possua um preço elevado frente aos sucedâneos, em longo prazo ele consegue compensar o investimento. “Se a carroceria de um caminhão de 8 metros pesa 1 tonelada menos, nas estradas ele vai deformar menos o asfalto e gerar menor custo de manutenção”, defende França.

Giuliano Fernandes, gerente comercial para o segmento de Transportes da Votorantim Metais-CBA, reforça os benefícos: “O ganho para o transportador se dá pela maior capacidade de carga útil utilizada por viagem, dado o menor peso e o valor residual do implemento no fim de vida útil e até mesmo menor consumo de combustível”, diz.

Boas novas

O problema principal, afirma Barreto, é a desaceleração na economia, que afeta não somente o setor dos implementos, mas o país como um todo. Por isso, uma das esperanças para quem trabalha com implementos rodoviários são os incentivos governamentais.

No final de março, uma decisão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostrou ser um ponto de luz: a aprovação do programa de renovação de frota de caminhões, que também contempla a substituição de implementos rodoviários antigos por modelos mais novos e seguros. Durante uma reunião com a Anfir, o ministro do MDIC afirmou estudar a ampliação da participação do BNDES nos financiamentos de implementos rodoviários para até 80% do valor do bem.

De acordo com a nova regra da linha de financiamento PSI/Finame, implementada no início do ano, a parcela financiável será de 50% para grandes empresas e 70% para pequenas e médias. Percentual que, até 2014, era de 100%.

Fernandes, da Votorantim Metais-CBA, confia que, em breve, a situação irá se reverter naturalmente. “O setor possui um grande espaço para a aluminização e por isso faz sentido dirigirmos esforços para oferecer novas soluções. Acreditamos que a queda de demanda no mercado de veículos comerciais, em especial de caminhões, é apenas passageira”, avalia.

Enquanto a má fase não passa, resta às empresas do setor trabalhar em inovação e esperar as mudanças governamentais que podem beneficiar o mercado. “As implementadoras deveriam fazer um trabalho junto às empresas de logística e transporte, visando o futuro e os benefícios alcançados, pois assim que o mercado retomar o crescimento optariam pela carroceria de alumínio desde o início”, analisa Barreto, da Rodorei.

Assine nossa newsletter Receba as novidade da Revista Alumínio
Formulário de Newsletter