Construção civil

Mantas para impermeabilização conquistam o mercado

Com índice reflexivo de 93% e alto custo benefício, o alumínio é incorporado cada vez mais na cobertura de construções por agregar vantagens e diferenciais

Taísa Santana 04/05/2016
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Para quem vê de cima, uma cidade cada dia mais brilhante. E o reflexo disso (literalmente) são as vantagens das mantas asfálticas de alumínio, que têm conquistado cada vez mais adeptos para impermeabilizar telhados de casas, prédios e coberturas de galpões. O empreiteiro de obras Isaías Paulo da Silva utiliza o serviço há cerca de 10 anos e aprova o método. “Sempre recomendo a manta porque é a mais eficiente e proporciona um trabalho rápido. Existem alternativas no mercado, mas nada com a qualidade dela”, conta Silva, que relata experiências mal- -sucedidas com diversos produtos líquidos que prometiam realizar a mesma função – no entanto, “o local voltava sempre a dar problema em um, dois anos”, diz.

Além da qualidade, a otimização do tempo de serviço e o custo-benefício pesam na conta, uma vez que a reforma de um telhado para sanar problemas de vazamentos é muito mais complexa e exige um investimento de valores mais altos. Silva reforça que a manta de alumínio, de fato, facilitou a vida de quem trabalha na área. “Eu usava uma versão sem alumínio, mas precisava fazer uma proteção, era mais demorado e encarecia o trabalho. Com a manta em alumínio ficou mais fácil, não preciso fazer outro acabamento em cima dela. Ela já vem protegida”, conta.

Conforto

O produto tem agregado outros benefícios ao pacote e a impermeabilização tem se torna do muitas vezes coadjuvante entre suas vantagens. “A manta com acabamento em alumínio possui uma característica que é cada vez mais valorizada: ela oferece conforto térmico e acústico”, aponta Anderson Mendes de Oliveira, coordenador de desenvolvimento de mercado da Sika Química.

São cerca de 60 gramas de alumínio para cada m2, que, além de proteger a camada interna, reflete a luz solar em até 93%, reduzindo a quantidade de calor que efetivamente entra no ambiente pela laje ou telhado, além de reduzir o som do impacto da chuva. “Testes em laboratório apontaram que a manta pode reduzir algo em torno de 2 a 3 graus no ambiente, se considerado apenas o calor que viria do telhado num dia de sol, desconsiderando janelas ou outras variáveis”, esclarece Oliveira.

A arquiteta Cirene Paulussi Tofanetto, gerente técnica da Viapol, aponta mais ganhos indiretos: “Além da redução do calor interno nas edificações, tem-se uma diminuição do uso do ar-condicionado, reduzindo a emissão de CO² na atmosfera e de gases prejudiciais à camada de ozônio”, diz.

São fatores que não têm passado despercebido pelo mercado consumidor. “Nos últimos dois anos ela tem sido muito mais conforto térmico do que para vazamentos”, avalia Tales Costa, empresário da Impermeabilizadora TJR Costa, que oferece o serviço de aplicação da manta.

Aplicação

Mas todos esses benefícios só são garantidos se feita uma instalação correta da manta, que deve ser executada por profissional especializado, pois além da técnica, é necessário utilizar maçarico para aplicação da manta – que não suporta tráfego de pessoas, apenas para fins de manutenção.

O tempo de execução depende do estado da área, se tem obstáculos, ar-condicionado, caixas d’água, inclinação. “Em uma área limpa é possível fazer uma média de 200m2/dia”, conta Costa, que diz que o custo de instalação também considera esses fatores. Ele detalha etapas do processo: “A área deve estar 100% seca e sem resíduo de pó e deve ser aplicado um primer, sem ele a manta não cola”, diz.

Oficialmente, a garantia do produto é de cinco anos. Mas, Oliveira, da Sika Química, aponta que se aplicada adequadamente e bem conservada uma manta asfáltica de alumínio pode chegar até 30, 40 anos, com manutenções pontuais se necessário. Uma chuva forte de granizo pode danificá-la, por exemplo. “Todo dano físico que houver sobre ela deve ter o reparo imediato, pois qualquer rasgo vai aumentando. E essa manutenção deve ser feita por um profissional ressalta o engenheiro.

Mercado

Há 20 anos na área, Costa reconhece uma melhora significativa na qualidade da manta nos últimos anos, que, aliada às suas vantagens, tem feito o mercado crescer 5% ao ano – apesar de o preço do produto ter encarecido 48% nos últimos dois meses. “A previsão é de que o valor aumente mais 35% no primeiro semestre, as fábricas já estão avisando”, sinaliza Costa.

Isto porque uma das matérias-primas das mantas asfálticas é o CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo), o que faz com que o custo total do produto seja ditado pelo valor do petróleo. Além da parte prática, algumas empresas também se preocupam com a estética do produto. “Para essa manta temos dois acabamentos: alumínio tradicional e alumínio na cor terracota, que possui coloração mais próxima à tradicional cerâmica das telhas”, conta Oliveira, que esclarece que a manta pode ser pintada com tinta acrílica, mas pode perder a capacidade de conforto térmico se utilizada uma cor escura. Opções que apontam para um setor que tem apostado cada vez mais no produto.

Mais alumínio

Preocupado com a necessidade de conforto térmico, o engenheiro metalurgista Haysler Apolinário Amoroso idealizou uma tinta de alumínio para ser usada na pintura interna de telhas. “O alumínio tem baixa emissividade de energia, o que permite liberar menos calor dentro das residências”, explica e conta que testes comparativos apontaram que o uso da tinta reduziu em 5º a temperatura ambiente.

A tinta é semelhante à utilizada em revestimentos metálicos, porém utiliza somente o pigmento do metal. A ideia, que foi finalista do prêmio Alcoa 2013, aguarda parceiros para ser comercializada e contou com a colaboração do técnico agrícola Eduardo Antônio Amoroso Lima e da professora Sofia de Souza Silva em seu desenvolvimento. “O teor de alumínio corresponde a 30% do peso da tinta, que utiliza alumínio em pó como pigmento em uma mistura de resina, solvente e aditivos específicos”, explica Lima.

Para ele, o produto também possui uma contribuição social e ambiental, por seu baixo custo, tornando-se mais acessível. “Foram feitos diversos experimentos de laboratório que mostram que pintar somente a parte interna da telha reduz 30% da radiação solar incidente. A tinta não tem a função de refletir a radiação solar e sim reter o calor nas telhas evitando o aquecimento interno da residência”, esclarece Lima, que ressalta a alta durabilidade da tinta, já que não fica exposta a intempéries.

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