Automotivo

Foi dada a largada

Após dois anos, Inovar-Auto conquista novas plantas de montadoras e fornecedores, investimentos e veículos mais modernos e leves

Ana Maria Camargo 10/03/2017
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Audi, BMW, Chery, Fiat-Chrysler, Honda, Hyundai, JAC, Jaguar Land Rover, Mercedes-Benz, Mitsubishi, Nissan, Toyota. Motivadas pelo Inovar-Auto, todas essas montadoras investiram no Brasil nos últimos dois anos, seja inaugurando uma nova planta, como na modernização de seus processos produtivos.

O programa, focado em promover a competitividade da indústria automotiva nacional, impõe índice de nacionalização e estabelece metas de eficiência energética para o veículo produzido no Brasil – a de reduzir o consumo médio de combustível em pelo menos 13,6% e gerar até 135 gramas de CO2 por quilômetro rodado.

O movimento todo estimulou a atração não só de montadoras, como também de centenas de fornecedores globais dessas empresas. Só no Estado de São Paulo, foram 25 players internacionais, muitos deles, de peças de alumínio. Entre elas, a gigante Maxion Wheels, que em 2015 abrirá a segunda fábrica de rodas de alumínio no país, em Limeira (SP), atingindo 800 mil peças produzidas ao ano.

A mudança traz mais do que investimentos e milhares de empregos. Mundialmente, a indústria automotiva tem enorme impacto na economia. Segundo dados da Organisation Internationale des Constructeurs d’Automobiles, ela movimenta US$ 2,5 trilhões ao ano e responde por 10% do PIB de países desenvolvidos. A pujança econômica lhe confere outra condição: a de impulsionadora do desenvolvimento de novas tecnologias, com estímulo à inovação e desenvolvimento. O Brasil tem vivido isso.

Com o Inovar-Auto, o veículo brasileiro avança em direção à plataforma tecnológica mundial. Os modelos passarão a sair de fábrica mais equipados, com tecnologia embarcada, fazendo com que as versões básicas deixem de ser o motor das vendas, tendendo à extinção. O programa, estipulado para um ciclo de cinco anos, até 2017, permitiu ao setor planejar mudanças de longo prazo, aliado a incentivos do governo federal. “A indústria automotiva precisa de tempo para se adaptar. O Inovar-Auto deu esse tempo”, explica Ricardo Reimer, presidente do SAE Brasil.

Ainda que 2014 tenha sido um período muito difícil para as montadoras, com queda do PIB, as empresas apostam que os milhões investidos do Brasil terão retorno. “As perspectivas para o mercado brasileiro a longo prazo são muito promissoras. Estima-se que o mercado nacional será de cinco milhões de unidades até 2020, o quarto mercado mundial. O segmento de luxo deve acompanhar esse crescimento”, diz Ruben Barbosa, diretor de operações da Jaguar Land Rover Brasil, que aportou R$ 750 milhões em uma fábrica brasileira, que entrará em operação em 2016.

O último Salão do Automóvel de São Paulo foi um bom termômetro dessa aposta. O segmento de luxo disputou os melhores e maiores estandes – com valores estimados na casa dos R$ 20 milhões cada. “O Brasil oferece uma coisa muito importante para essas empresas: mercado”, diz Reimer. A fala reflete o fato de que os mercados desenvolvidos estão saturados e que a crise financeira das montadoras só encontrou alívio quando voltou os olhos para países emergentes, como Índia, China e Brasil.

ALUMÍNIO
As expectativas positivas são boa notícia para o segmento do alumínio, que tem nas marcas premium os principais entusiastas do metal. “O uso do alumínio se tornou importante por questões não apenas estéticas, mas especialmente de segurança e de eficiência energética. Com o alumínio, o carro fica mais leve e chega mais longe, consumindo menos combustível”, diz Barbosa, da Jaguar Land Rover. No portfólio, a marca tem modelos com uso extensivo do metal: na Jaguar, os XK, XE, F-Type e, na Land Rover, o totalmente em alumínio Land Rover Vogue, além do Range Rover Sport e do RangeRover.

O mercado segue essa tendência. Segundo projeções da Novelis, haverá aumento da demanda em 30% de laminados para o segmento automotivo nos próximos anos.

Outros exemplos não faltam. A Mercedes-Benz está investindo R$ 500 milhões na nova planta, em Iracemópolis (SP), para produzir no Brasil o GLA e a próxima geração do Classe C, que lidera o ranking dos “pesos leves”. Investimentos em tecnologia de alumínio resultaram em uma carroceria híbrida com redução de 60 quilos e aumento do uso do metal: de menos de 10% para quase 50%, em relação à versão anterior.

A Audi, que registrou em 2014 aumento de 102% nas vendas no país, espera saltar das atuais 12 mil unidades comercializadas para 30 mil até 2020, contando com a produção local, a iniciar em 2015. A produção do híbrido plug-in A3 Sportback e-tron já está confirmada. O modelo traz alumínio no cárter, feito com o metal fundido, o que permite um motor com menos de 100 quilos. O metal também está na parte inferior do sistema de bateria, composto por 96 células prismáticas e que pesa 125 gramas.

As empresas já instaladas seguem o mesmo caminho. “A Toyota está realizando um processo de revitalização da fábrica de São Bernardo e instalou um laboratório para teste de motores. E está adiantada em seu projeto de construção da fábrica de motores em Porto Feliz”, aponta Luciano Almeida, presidente do Investe SP. A Chery é outro bom exemplo. Inaugurou fábrica de automóveis, também trouxe uma planta de seus motores Acteco, e anunciou um centro de pesquisa e desenvolvimento.

BLOCOS E CABEÇOTES
“Apesar da queda do mercado, teremos crescimento de 13% na produção de peças em alumínio”, explica Raniero Cucchiari, diretor comercial da Teksid. A empresa está investindo R$ 250 milhões para ampliar a capacidade de produzir cabeçotes e iniciar a de blocos de alumínio. “Produziremos um novo cabeçote 1.6/1.8L”, revela.

Ele aponta também para o desenvolvimento de novos carrosséis para a produção de cabeçotes com coletores integrados – “a nova tendência do mercado”. Os carrosséis foram projetados pela própria Teksid e, segundo diz, representam o que há de mais moderno mundialmente. “Estamos importando modernas injetoras da Itália que tornarão nossa fábrica referência mundial na fabricação de blocos”. Assim como as montadoras, Cucchiari também acredita que a fase de queda no mercado automotivo brasileiro é um fenômeno temporário. “As perspectivas de longo prazo permanecem favoráveis, por isso estamos investindo tanto na ampliação da nossa fabrica”, diz Cucchiari, da Teksid.

Reimer, da SAE, aponta que as perspectivas favoráveis têm criado um clima de competição saudável entre as montadoras. “Rapidamente a concorrência analisa as novidades e traz algo ainda melhor. É um processo de melhoria contínua”, avalia.

Além de aquecer a economia, o movimento também favorece o amadurecimento do consumidor, que escolhe produtos mais modernos e ambientalmente amigáveis. Para Reimer, “as marcas populares agora têm conquistado clientes cada vez mais exigentes”.

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