Automotivo

Paixão por qualidade

Leveza e beleza do alumínio conquistam os exigentes aficionados por carros customizados e fazem do metal protagonista do nicho

Carolina Rossini 05/05/2016
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Desculpe, mas a aparência aqui é fundamental: rodas, pintura, acessórios originais, som e detalhes caprichosos são requisitos básicos para compor modelos dignos de um evento de automóveis customizados. Como um concurso de beleza automotiva, os donos exibem seus carros e chama mais atenção aquele com as melhores peças, motor roncando e visual impecável.

No entanto, o segmento não tem rendido apenas suspiros aos apaixonados, mas também bons negócios. A criatividade e o valor do investimento são itens valorizados e essas vitrines são responsáveis por movimentar o mercado – o que beneficia diretamente as empresas de peças para customização.

“É um nicho que, se bem explorado, com diferenciação e boa mão de obra, tem retorno positivo”, aponta Eduardo Bernasconi, responsável pelo maior evento de carros modificados da América Latina, o X-Treme Motorsports, que recebe cerca de 80 empresas e 40 mil visitantes em suas bienais. O que os atrai é a possibilidade de personalizar o automóvel e, também, o prestígio dentro da comunidade de admiradores, o que vem motivando os adeptos a investirem de forma contínua. O leque de acessórios que podem ser utilizados para customizar um automóvel é bastante extenso: racks de teto, soleiras de portas, manoplas, pedaleiras, volantes, peças de performance para o motor, rodas, filtros esportivos e ponteiras de escapamento.

“Os clientes estão cada vez mais exigentes e achamos isso ótimo. Assim, estamos incessantemente na busca de melhorias de qualidade e no design de nossa linha de produtos”, conta Lívio Shiguemi, diretor da Shutt, que há 22 anos fornece acessórios para esse público.

Alumínio

Um dos materiais mais valorizados é o alumínio, principalmente para os profissionais, que dependem do bom desempenho dos veículos. “Sem dúvida, é número 1 neste nicho. A leveza é o principal motivo para o sucesso, sem contar que retarda problemas com o carro, devido à durabilidade do material”, explica Sérgio Dantas, mecânico especializado em carros esportivos.

Alguns itens também são adquiridos exatamente por conferir um visual mais sofisticado, como manoplas (cabeça de câmbio), pedaleiras e soleiras em alumínio. “O material é muito bonito. Quem tem capricho sempre investe, não há motivos para fazer com outro material”, diz Dantas.

Michael Bazzarello, responsável pelo site AutoCustom, portal exclusivo de customização, reforça: “o mercado mais forte do alumínio dentro da customização automotiva está nas pistas”. Corridas, arrancadas, track days, drift e esportes do gênero dão preferência a acessórios fabricados em série devido à tecnologia e à própria necessidade do projeto. Isto inclui peças para preparação do motor, reforços na estrutura, itens de performance da parte mecânica, entre outros. “E como são utilizadas em seu limite, a troca ou manutenção é mais constante”, completa.

O metal é bastante usado na parte mecânica (suporte de freios, rodas, peças de motor) e estética. O foco recai sobre a diminuição de peso, a facilidade de usinagem, ou moldagem, e o melhor acabamento. “Hoje o alumínio está presente em chapas estampadas para carroceria, perfis extrudados em amplificadores de som, em peças sólidas ou tubulares que recebem usinagem para se tornarem volantes e manoplas ou no caso da produção de rodas”, explica Allan Machado, proprietário da Garage Store, loja especializada no mercado automotivo e automobilístico. Machado conta que o alumínio corresponde a 40% de seus produtos comercializados. “A presença do alumínio cresce a cada ano neste segmento e se manterá presente por muitos anos”, projeta. E os exemplos não faltam: “Meus [três] carros têm rodas, braços da suspensão, suporte do disco de freio, pinças de freio, radiador. Tudo em alumínio aeronáutico”, conta Eduardo Bernasconi, do X-Treme Motorsports.

Modificações

De acordo com o mecânico Sérgio Dantas, entre os itens mais populares estão os racks, estribos e rodas, que representam cerca de 40% das aplicações em carros customizados, número que tende a crescer.

“As melhores rodas são feitas em alumínio. Escolhemos, primeiramente, pela beleza do acabamento, mas há rodas importadas que são bem leves e ajudam muito na performance”, comenta Ronaldo Luiz Pereira, do 272º Club, de São Paulo, clube com mais de 1.200 membros de todo país que se reúnem semanalmente no Centro de Tradições Nordestinas.

As modificações são premissa desse segmento. Proprietário da Imperador Tuning, oficina especializada em customização e consultoria, Adriano Martins atende uma média de quarenta carros por mês. “Rebaixamento da suspensão do veículo e a alteração das rodas estão entre as mudanças mais comuns”, conta.

Existe uma busca pela leveza aliada à resistência, e assim os materiais mais utilizados são alumínio e fibra de carbono e, no comparativo, o alumínio leva vantagem na relação custo-benefício. Para Dantas, muitos processos são facilitados quando feitos com o metal, como a aplicação da estrutura de capotas ou tetos. “Se é em ferro, por exemplo, preciso de equipamentos específicos. Já em aço, o peso não é ideal. Se não for em alumínio, a qualidade é inferior, o investimento é dobrado e o acabamento fica a desejar”, diz.

Uma customização completa pode custar a partir de R$ 10 mil. Clientes querem unir performance e sofisticação com peças originais.Uma customização completa pode custar a partir de R$ 10 mil. Clientes querem unir performance e sofisticação com peças originais.

Acessórios

Muitas empresas brasileiras se especializaram na fabricação e comercialização de itens para customização de carros, pois a perspectiva de trabalhar em um setor específico se provou positiva para os negócios. O que é o caso da Lotse, marca focada na produção de volantes esportivos, clássicos e modificados. “Os consumidores costumam optar pelos modelos feitos em alumínio, principalmente pela leveza”, conta Marcos Daniel, gerente de desenvolvimento.

A marca utiliza chapas de 5 mm, cortadas a laser e cada volante leva em média 400 g de alumínio. “As peças costumam pesar até 50% menos do que as feitas em aço”, explica Daniel, que justifica a permanência da empresa no setor: “O mercado de volantes é pequeno e extremamente específico, torna-se interessante pelo nosso know-how”.

Já Shiguemi, da Shutt, ressalta também como vantagem os acabamentos anodizados. “Quando o logotipo é gravado a laser, o conjunto visual fica bem interessante”, afirma o empresário. O modelo de volante FTR-A, da marca, que também tem fabricação própria, é todo em alumínio e pesa 900 g – se feito de aço, “chegaria a 2 kg”.

E foi de olho na especificidade da customização que, em 2010, a Novalumi enxergou um espaço de investimento: as cornetas que compõem o sistema de som. “Antigamente elas eram produzidas em plástico, mas rachavam e sua durabilidade era pouca. Já em alumínio, não existe este problema, chega-se a 70% a mais de pressão sonora – é incomparável”, conta Nicole Nagy, proprietária da fundição.

A produção, que atende Sudeste e Nordeste, consome, em média, sete toneladas mensais de alumínio. “Atualmente, atendemos três perfis de clientes: quem gosta do som no carro, casas de show e profissionais que participam de torneios”, enumera Nagy.

Investimento

Proprietários de automóveis customizados estão dispostos a investir para personalizar os veículos e, em muitos casos, gastam quantias que lhes dariam a oportunidade de adquirir um veículo novo.

Uma modificação básica no motor ou até mesmo a instalação de rodas, dos modelos mais simples, podem passar dos R$ 3 mil. Customizações personalizadas a partir de projetos partem de R$ 10 mil, de acordo com as especificações do proprietário. “Acredito que, em média, quem vive nesse mundo investe no mínimo R$ 5 mil em modificações, a curto ou longo prazo”, avalia Michael Bazzarello.

Algumas empresas fornecem o serviço de total customização ou restauração, de acordo com um pedido feito pelos clientes. O Phoenix Studio, de Curitiba, é especializado na restauração de carros antigos. “Este é um nicho muito específico e que cada vez mais está profissionalizado, tanto o cliente quanto o executor de serviços”, explica Rafaela Rangel, gerente de marketing da empresa.

Para Bazzarello, quem faz parte deste cenário está em busca de modificações que refletem, no veículo, seu estilo de vida. “Nas customizações de rua, quanto mais exclusivo melhor. Isso motiva o proprietário a ter um cuidado imenso”, aponta. Apesar de ser uma cultura que não tem tanto espaço no país, é justamente nessa especificidade que está a vantagem do negócio.

“O que nos faz investir [na customização] é acreditar no segmento”, diz Shimegui, da Shutt, que reforça a perspectiva de um mercado otimista: “os eventos de arrancada, espalhados por todo o país, vêm se profissionalizando a cada ano e com público crescente”. Sinais de que a moda não é passageira e o alumínio pega carona no sucesso do setor.

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