Construção civil

De portas abertas

Varejo da construção civil dá fôlego ao setor com aumento nas vendas de portas e esquadrias de alumínio

Vitor Valencio 04/05/2016
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Reformar a casa é uma opção atraente por diversos motivos, tanto para aqueles que querem renovar os ares quanto valorizar o imóvel para locação. Em alguns casos, é a saída encontrada para quem não se sente seguro para uma transação imobiliária, ainda mais nos tempos atuais. Esta última foi a alternativa encontrada pela aposentada Vanderli Barão, para seu imóvel no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. “A intenção inicial era colocá-la à venda, mas desistimos. Então decidimos fazer algumas melhorias e uma delas foi a troca de uma porta de madeira por uma nova de alumínio”, relata.

Essa opção tem se mostrado uma tendência no mercado. Dados de uma pesquisa da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) apontam que o varejo tem dado fôlego ao setor de construção civil em 2015: o faturamento das lojas de material de construção subiu 4,6% este ano em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Destaque para o setor de portas e esquadrias de alumínio, que apontam crescimento de 3%.

Mercado

Boa notícia para o setor. Para se ter uma ideia da proporção do cenário, o volume de produção para o mercado caiu cerca de 12%, segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), sobre o comportamento da indústria entre setembro de 2014 e o mesmo período deste ano.

No entanto, os fabricantes seguem otimistas: Neylor Brito, diretor comercial da Sasazaki, revela que, apesar do momento, o preço no alumínio é estável no mercado internacional há algum tempo, o que “torna a distância [para o consumidor final] mais acessível”. Fator que tem estimulado o investimento no portfólio, como a linha Aluminium, que se propõe a agregar modernidade, robustez e baixa manutenção.“Tivemos um começo de ano muito bom, mas não ficamos isentos da crise. No segundo trimestre começamos a sentir os efeitos dela”, explica Brito, que assegura que “o setor de portas e esquadrias de alumínio ainda está em pleno crescimento, mesmo que comedido”.

Philippe Sierro, gerente de produtos da Alcoa, reconhece que o setor prendeu a respiração por um tempo também em decorrência da postergação de lançamento de novos empreendimentos habitacionais, o que ocasio nou que o mercado de esquadrias para residências sofresse uma retração como um todo em 2015. “Entretanto, mesmo neste momento a Alcoa surpreendeu com o lançamento das esquadrias Nova Gold e com a continuidade do investimento na produção para as portas pivotantes da Linha Única, sucesso desde 2014”, exalta.

Aposta

Cristiano Leão Camargo, diretor de operações de vendas da Ebel, endossa o pensamento e comenta o investimento da empresa de portas e esquadrias em outra também voltada para esse mercado com foco em projetos especiais e de alto padrão. “Entendemos que é o momento de nos fortalecer e inovar. Neste contexto posicionamos a Ebel como protagonista no mercado de alumínio, inclusive consolidando o mercado com a absorção da Epros e de seus produtos”, explica.

Com esta transação, o grupo une forças em linhas complementares de produtos que possibilitarão um atendimento mais amplo tanto do mercado de construtoras, quanto do varejo. Para Camargo, a volta do crescimento apresentado até 2014 é apenas uma questão de tempo. “Acreditamos que com definições acertadas nas esferas política e econômica, teremos uma retomada de investimentos. Apesar disso, o alumínio tem crescido ano a ano se consolidando como a melhor opção de material para esquadrias e portas de baixo a alto padrão e em qualquer tipo de edificação”.

As vantagens do material têm conquistado adeptos principalmente junto aos profissionais de decoração. Afinal, apesar de os fatores financeiros serem preponderantes durante a reforma ou construção, o design e a adequação ao projeto também são fundamentais para o bom andamento de qualquer empreitada arquitetônica.

Vantagem

“A resistência não se compara a outros metais e designers e arquitetos estão cada vez mais recorrendo ao material pelas vantagens oferecidas”, reforça Lorí Crízel, coordenador do MBA em Design de Interiores do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG), em Goiânia, que detalha que as portas de alumínio são utilizadas muitas vezes em ambientes que buscam um estilo moderno e em áreas molhadas como cozinha e lavanderia, assim como partes externas da casa. “A funcionalidade, beleza e fácil manutenção fazem desse estilo uma ótima opção de escolha, moderna, prática e versátil”, diz.

Para quem está apostando nesses produtos na hora de reformar e valorizar o imóvel, ele reforça uma informação valiosa: “Esse tipo de material é um investimento, pela sua durabilidade e manutenção”. Ainda, segundo Crizel, dependendo do modelo pode-se obter um custo reduzido em relação a sucedâneos, mas a vantagem em relação à resistência, funcionalidade e leveza compensa mais do que outros materiais.

Alessandro Resch, CEO da Ezy Color, grupo especializado em pintura e aplicação de perfis para acabamento de alumínio, reforça: “O alumínio tem várias vantagens que outros materiais não têm: além da durabilidade, é um material leve, reciclável e para quem sabe realizar um bom prétratamento ao alumínio o mesmo pode durar entre vinte e trinta anos sem problemas. Isto, é claro, depende também de um bom acabamento RAL ou decorativo”.

A empresa, que conta com expertise italiana e tem duas operações no Brasil (São Paulo e Florianópolis), têm apostado no desenvolvimento de novas tecnologias para assegurar a satisfação e qualidade em um nicho tão exigente, além de participar da crescente oferta de acabamentos que auxiliam na harmonização de ambientes.

Experiência

“Na Itália é muito comum utilizar [efeito de] madeira no lado interno da porta e no lado externo, o alumínio. Isto é possível com o “thermal break”, sistema que este ano está sendo introduzido novamente no brasil. Acho que pro próximo ano a Ezy Color e seus parceiros irão revolucionar o conceito de acabamentos no Brasil com novas parcerias que estão sendo cultivadas”, antecipa Resch, que compartilha a experiência com mercados em crise, com o grupo que é de origem italiana. “Passamos os últimos sete anos em uma crise profunda na Europa, o mercado caiu entre 10% e 15% ao ano. Mas os acabamentos especiais e as cores estavam crescendo. Às vezes é melhor diminuir os volumes e se concentrar em qualidade e produtos especiais”, aconselha.

Ele conta que hoje o grupo na Itália está voltando a crescer e outros grandes players do segmento fecharam porque não investiram em novidades. “Nós acreditamos no Brasil. Demonstramos isso nos últimos dois anos investindo quase 20 milhões de reais em duas fábricas. A maior será operativa em Capivari, São Paulo, em janeiro de 2016 para oferecer muitos produtos inovadores e diferentes no mercado”, diz. Quando se fecha uma janela, abre-se uma nova porta para oportunidades.

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