Construção civil

Made in Brasil

Fabricantes de ACM buscam valorização do produto nacional e apresentam investimentos para garantir competitividade ante os importados

05/01/2017
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Na cidade de Valinhos pode ser encontrado o empreendimento que simboliza a virada do mercado de chapas de alumínio composto. Trata-se da linha de produção da Global Brasil ACM, que passou a atuar no mercado em 2014, com um objetivo claro: facilitar o acesso às chapas de ACM que antes eram importadas e condicionadas a variação cambial e extensos prazos de entrega.

“Você sabe como, onde e por quem está sendo produzido. A qualidade é inquestionável e a garantia é oferecida por uma empresa sólida, com sede no Brasil, assistência técnica em português e disponibilidade imediata”, enumera Thatiane Roberto, gerente de marketing da Global, que arremata: “Quando você compra uma chapa ACM nacional, o seu dinheiro fica no país e fortalece a economia interna”.

Conscientes da importância de valorizar o produto nacional, muitas empresas da indústria do alumínio apostaram alto no mercado de ACM e querem deixar os dias de dependência de importação para trás. É o caso da Projetoal que, em abril deste ano, investiu R$ 15 milhões em uma nova fábrica, com 7 mil metros quadrados construídos. Nem mesmo o período de fragilidade na economia brasileira intimida a empresa. “Temos a oportunidade de impulsionar o que temos de melhor. O ACM é um produto de grande sucesso e utilização crescente, tanto na construção civil quanto na comunicação visual. O volume atualmente vendido no Brasil é superior à capacidade de produção da indústria”, analisa Jefferson Lousa, diretor comercial da companhia. Ele acredita que ainda não é possível superar a importação, ao menos a médio prazo, mas certamente “a produção nacional contribuirá para diminuí-la”.

Quem acompanha a empresa nesta empreitada é a Novelis, que fornece diversas especificações, incluindo diferentes larguras e espessuras de alumínio para a produção das chapas. Roberta Soares, diretora de estratégia e desenvolvimento de novos negócios da empresa, se mostra otimista com as perspectivas do mercado nacional, que vem se solidificando. “O aumento de capacidade local para produção vai ampliar a competitividade do produto final ante os importados, bem como reduzir prazos de entrega e ampliar a flexibilidade no fornecimento de cores e especificações. Percebemos que as empresas que estão se instalando no Brasil têm capacidade para produzir painéis de altíssima qualidade”, explica a executiva.

Há 18 anos no mercado, a Alcopla foi uma das primeiras na fabricação do ACM, como conta Antonio Carlos Moreira, diretor comercial. Ele enumera as qualidades do produto e que justificam seu grande volume de aplicação, que varia entre empreendimentos de luxo, redes de fast-food, hospitais, padarias, entre outros. Excelente planicidade, facilidade de montagem, resistência a impactos e termoacústica, blindagem contra interferência eletromagnética e beleza. “Sua facilidade de conformação permite a obtenção de uma ampla variedade de formas, tornando-o indispensável nos projetos de grande impacto”, destaca o diretor.

Para Antonio Carlos de Assis, diretor-geral da Alukroma, que possui uma fábrica de produção própria de chapas de alumínio composto, em Guaratinguetá (São Paulo), os produtores nacionais têm competitividade para dividir espaço com as empresas estrangeiras — fator que está nas mãos do cliente. “Caso queira preço, não importando atendimento, normas e especificações técnicas, talvez a importação não seja paralisada. Mas se o intuito for atender normas e regulamentações, temos grandes produtores nacionais concorrendo com produtos importados”, garante.

A empresa tem como diferencial ser a única fabricante de ACM em território nacional com uma linha de pintura integrada. “Pertencemos ao Grupo Tekno, o que nos remete a um passado muito próximo de sucesso da empresa Alcan Composites, que teve sua presença no mercado brasileiro durante dez anos, e contava justamente com a pintura contínua da Tekno, os laboratórios, desenvolvimentos e possibilidades de cores exclusivas. Então, o sucesso presente nesta nova empresa já vem de anos de experiência vividos pela Tekno”, explica.

QUALIDADE

Um dos movimentos naturais, que caminham junto com os investimentos em expansão e produção nas fábricas, é a inovação. “O ACM é um material extremamente leve e versátil. Hoje, existem aplicações em fachadas que precisam de garantias de mais de 20 anos, portanto a Novelis é extremamente rigorosa na escolha de fornecedores de insumos e serviços”, ressalta Roberta Soares, diretora de estratégia e desenvolvimento de novos negócios da empresa.

Com o intuito de atender às demandas de mercado, os painéis da Alcopla são produzidos com dois tipos de núcleos, termoplástico e “Fire Retardant”, que detém a ação do fogo. Ligas de alumínio desde AA1100, AA3003 a AA5005 dão origem a placas padronizadas, com diversos tipos de comprimento e largura que variam de 1220 mm a 2000 mm, com espessura entre 3 mm e 12 mm, seladas com chapas de alumínio de 0,21mm a 0,50mm de cada lado. “A cor é revestida, ainda em fábrica, por resinas que a protegem, conferindo uma garantia mínima de 5 anos, para os painéis em acabamento com resinas de poliéster, ou 20 anos, para aqueles com acabamento em resinas PVDF Kinnar 500. A cada projeto é feito um ajuste personalizado”, explica Antonio Carlos Moreira, diretor comercial da marca.

Em seu portfólio, a Alcopla acumula trabalhos importantes na aplicação de ACM no Brasil, como a fachada do Grupo SEM Sigma Pharma, em Campinas, interior de São Paulo, e o Edifício Vera Cruz II, na Avenida Faria Lima, na capital paulista. E até mesmo internacionalmente, com o Hospital Regional de Rancágua, no Chile. Legado construído graças a equipamento de laminação e pintura de última geração e know-how acumulado ao longo de 18 anos no mercado nacional e 25 anos lá fora. Como analisa Moreira: “Ao contar com os mais renomados e prestigiados fabricantes de tinta, como PPG & Backers, obtemos placas com qualidade comprovadamente elevada”.

A Projetoal disponibiliza ACM Fire-Resistante Classe II-A em seu portfólio. Também resistente ao fogo, a chapa é fabricada com resina mineral Hydrogard da Alcoa, produto que possui baixa combustão e emissão de gases. “Os painéis antichamas Projetoalumínio, integralmente produzidos no Brasil, atendem todos os tipos de obras, agregando valor e segurança. Além disso, as texturas e cores que apresentamos recentemente na Feira Internacional de Esquadrias, Ferragens e Componentes surpreenderam o mercado. Selecionamos os melhores fornecedores de matérias-primas do Brasil e do mundo para fabricar um ACM de extrema qualidade”, revela Jefferson Lousa.

KNOW-HOW

Parte do investimento nos negócios também é o foco no treinamento e estímulo para a atualização constante do conhecimento da área, por parte dos executivos e funcionários. Por volta de 1995, quando as chapas de ACM chegaram ao Brasil, a mão de obra não estava qualificada, lembra Moreira, da Alcopla. “Logo em seguida, empresas começaram a aprender e se especializar. Houve uma crescente evolução de profissionais qualificados, mas, com certeza, com a demanda crescente, sempre será necessário o aperfeiçoamento”, conclui. Atualmente, a empresa trabalha com um sistema contínuo de laminação e pintura feita através do processo coil coating com resultados de excelente uniformidade e resistência contra o intemperismo.

O treinamento de funcionários acontece também na Alukroma, que acredita que, ao demonstrar confiança diante de um processo, a empresa passa segurança para o cliente. “Através da capacitação, nós estamos alinhados às necessidades de clientes e prospects, demonstrando excelência em nossos produtos e ainda gerando empregos”, conta Antonio Carlos Assis. Já a Global Brasil ACM levou técnicos internacionais à sua fábrica e promoveu o treinamento da equipe interna, já que tem como diferencial a capacidade de produção sob medida. “Por ser uma indústria local, nós podemos produzir exatamente o que o cliente precisa, evitando cortes desnecessários e perda de material”, aponta Thatiane Roberto. Além de proporcionar economia para clientes e fabricantes, uma linha de produção especializada e treinada contribui com o meio ambiente e mantém o nível de empregos elevado no mercado.

“Em nossa fábrica, tivemos o cuidado de selecionar equipamentos de última geração, que consomem o mínimo de recursos naturais e dão vida a um processo de produção ultramoderno, evitando todo tipo de retrabalho e desperdícios. Para lidar com isso é necessário contratar mão de obra especializada. Que foi treinada exaustivamente pelos fabricantes dos equipamentos. Hoje, todos estão preparados para fabricar um ACM brasileiro de qualidade compatível com o que há de melhor no mundo. Assim, vamos surpreender cada vez mais!”, comemora Jefferson Lousa, da Projetoal.

As iniciativas das empresas servem como termômetro para o mercado: quanto melhor está o clima, mais propícios os players ficam a investir. Neste caso, a tese se comprova, como ressalta Roberta Soares, da Novelis. “Na Europa e EUA, o alumínio é amplamente aplicado em fachadas há muitos anos e, claramente, esta é a tendência no Brasil. Ele vem sendo cada vez mais empregado por aqui. A instalação de novas plantas de produção de ACM no país certamente irá ampliar muito o consumo local de chapas, o que beneficiará toda a cadeia do alumínio”, pontua.

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