Construção civil

Os louros do alumínio

Não são apenas o ouro, a prata e o bronze os únicos metais cobiçados durante as Olimpíadas 2016

Vitor Valencio 05/06/2016
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O Rio de Janeiro entra na reta final para as Olimpíadas 2016, que contará com a presença de cerca de 10 mil atletas de delegações de mais de 200 países. Para que isso aconteça, muito investimento tem sido feito em infraestrutura: a previsão de gastos gira em torno de 40 bilhões de reais, segundo dados divulgados em agosto de 2015 pelo Orçamento do Comitê Organizador Local da Rio 2016 e a Matriz de Responsabilidades Olímpica. A soma não vem apenas do Governo Federal, mas também é arrecadada em outras frentes, como o Governo do Estado do Rio de Janeiro, a Prefeitura e principalmente na iniciativa privada, através de patrocinadores. Esse capital viabiliza tanto projetos diretamente ligados às disputas, quanto aperfeiçoamento de infraestrutura urbana e hoteleira, por exemplo. E isso tem aquecido o mercado do alumínio: o metal estará presente em quase todas as etapas de construção para os jogos.

ESTRUTURAS

Tempo é primordial na montagem e manutenção dos palcos e telões espalhados por toda a cidade: uma espécie de Live Stage. “Na Copa tivemos cerca de trinta operações simultâneas e agora serão mais. No Rio 2016 usaremos muito alumínio por ser um material mais leve para o transporte e mais resistente proporcionalmente aos outros metais. Por isso empregamos a linha Box-Trans como solução leve e resistente nos palcos e estruturas dos telões”, aponta Renan Coutinho, sócio-diretor da Feeling Eventos, uma das empresas responsáveis por soluções em eventos externos às provas esportivas. Segundo ele, a Olímpiada “potencializa o negócio porque vem com grande demanda”.

PROTAGONISTA

Um dos maiores símbolos dos Jogos é a Tocha Olímpica, responsável por carregar a chama do espírito olímpico mundo afora. Desde a Grécia, considerada o berço dos Jogos, até o Rio de Janeiro, sede da edição de 2016, 12 mil pessoas participam do seu revezamento. No Brasil, serão mais de 300 cidades e os 27 estados do país. Um total de 20 mil quilômetros em terra e 10 mil milhas aéreas sem que o fogo se apague, e nada melhor do que o alumínio para tamanha responsabilidade.

“O projeto traduz uma maneira não estereotipada de mostrar o país. Suas riquezas e a superação de seu povo”, explica Gustavo Chelles, diretor do escritório Chelles e Hayashi Design, responsável pelo design da tocha. Ele diz que a escolha do alumínio foi quase intuitiva, pois o metal comporta a flexibilidade do design e resiste ao calor da chama. “Para isso foi necessário submeter um disco de alumínio de 8 milímetros ao torno de repuxo até atingir o formato principal. Depois, o metal foi submetido a corte através de laser e tratamento superficial de anodização. Cerca de 80% do corpo da tocha é de alumínio reciclado. Inclusive o cilindro de gás que alimenta a chama”, conta.

REVITALIZAÇÃO

A versatilidade do alumínio possibilitou que edifícios históricos também fossem beneficiados. Com o uso da linha Retrofit da Belmetal, foram aplicadas cerca de 170 toneladas de alumínio na construção do IBC — International Broadcasting Center, o Centro Internacional de Transmissão. Com quase 80 mil m², funcionará como o quartel general das transmissões esportivas dos Jogos para o mundo todo. “Além disso, empregamos cerca de 115 toneladas de alumínio na restauração do Hotel Nacional, um ícone do Rio de Janeiro, que ficou fechado por décadas e agora foi reformado para ajudar a atender à demanda hoteleira que o COI – Comitê Olímpico Internacional — exige”, explica Eduardo Menelau Rodrigues, gerente comercial da Belmetal no Rio de Janeiro.

PARA ASSISTIR

O Parque Radical de Deodoro, que receberá as competições de Ciclismo, Canoagem, Hipismo, Esgrima e Pentatlo Moderno, também contou com soluções da Mills, empresa especializada em escoramentos e fôrmas: “São mais de mil m² em arquibancadas e estruturas para 15 mil lugares. O painel em alumínio para o piso da arquibancada é o MILLSDEC. São 170 toneladas de alumínio para áreas internas e externas. Não precisa tratar, nem de banho de tinta. O que evidencia a resistência do material às intempéries”, diz Ricardo Gusmão, diretor comercial.

TRANSPORTE E INFRAESTRUTURA

A Mills forneceu cerca de 350 ton de alumínio para o Consórcio da Linha 4 do Metrô. A ASA Alumínio, por sua vez, aplicou 110 ton de alumínio para a ampliação das linhas do metrô e tubos de alumínio para as estruturas de todos os ginásios esportivos da competição. “Além do alumínio nos assentos da Arena Olímpica, a ASA forneceu cerca de 100 t para guias, postes, coberturas e assentos das estações de metrô”, aponta Valdir Araújo, da ASA Alumínio. Já a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) forneceu o metal para os pontos de parada do BRT (Bus Rapid Transit), sistema de transporte coletivo expresso construído para os Jogos Olímpicos e também em edifícios do complexo do Parque Olímpico. “Um evento de repercussão mundial como este exige obras com valor agregado, até porque as construções são pensadas como um legado positivo”, diz Élcio Oliveira, gerente comercial do segmento de Construção Civil da CBA.

ALOJAMENTO

A Ilha Pura é o conjunto de apartamentos em que as delegações ficarão hospedadas. O empreendimento conta com esquadrias de alumínio da estrutura KYT FRAME, fornecida pela Asa Alumínio. “Colaboramos com o alumínio pré-usinado na fase final do empreendimento, pois
tínhamos uma solução muito rápida para alguns segmentos que se preocupavam com o andamento do projeto, nosso centro de usinagem de materiais pré-acabados nos permite mandar o material pintado e acabado”, explica Araújo, da ASA Alumínio. Durante a fase de construção da Ilha Pura, a Mills utilizou cerca de 120 t de alumínio para a estrutura da construção de cinco torres completas. Depois do evento, os prédios serão reformados e entregues em forma de condomínio residencial aos compradores que já adquiriram (ou que ainda estão comprando).

ESCORAMENTOS

O principal palco dos Jogos será o Parque Olímpico, um complexo de instalações esportivas que sediará dezesseis modalidades olímpicas e nove paralímpicas. Para agilizar os processos, o alumínio foi a escolha para os sistemas de escoramento. “Utilizamos cerca de 280 toneladas do ALUMILLS, que são escoras com grande capacidade de carga, capazes de suportar até 12 toneladas. Material que tem uma série de vantagens como a possibilidade de montagem das torres na horizontal e remanejamento para a vertical através de guindastes. Uma grande economia em tempo, equipamento e mão de obra”, aponta Gusmão, da Mills, que também forneceu 70 toneladas de alumínio em estruturas provisórias para o Centro de Hospitalidade do Parque Olímpico. Gusmão explica que mesmo com a atual retração do mercado como um todo, o projeto das Olimpíadas tem gerado oportunidades de negócios há algum tempo, devido à necessidade de realização antecipada de obras, como hotéis e vias expressas.

PARA LEMBRAR

Quem vem aos Jogos não deixa de levar uma lembrança para casa e as empresas também encontram uma oportunidade para surpreender os clientes – o que movimenta o mercado de brindes de alumínio, como canecas, squeezes e pen drives. Para Ricardo Ferreira de Menezes, diretor comercial da Criative Brindes, o evento já proporcionou um aumento significante nos negócios. “O público hoje está mais antenado nas novidades. Brindes diferenciados fidelizam clientes e agradar a todos não é fácil, principalmente nessa época em que teremos muitos estrangeiros em nosso país. Mas acreditamos que os brindes temáticos personalizados em alumínio vão surpreender”, pontua o executivo.

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