Construção civil

Pronto para decolar

Até 60% mais leves, estruturas para helipontos de alumínio oferecem vantagens frente a crescente demanda do mercado

LARISSA MORGATO 22/06/2016
A+ A-

Entre 2009 e 2015, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o número de helicópteros cresceu 73,4% em todo o país. Assim, a demanda por pontos de pouso e decolagem aumenta e os mercados de construção civil e naval se movimentam com essa expansão. Mas os primeiros desafios começam a surgir à medida que os chamados helipontos conquistam o topo dos edifícios das capitais não projetados para receber o peso da sua estrutura. “Nos últimos dez anos cerca de 33% dos acidentes aeronáuticos no Brasil ocorreram na fase de decolagem, conforme dados do Cenipa [Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos] de 2015.

No caso de acidentes com helicópteros, o fator principal foi o local de decolagem, normalmente inadequado e não certificado pela Anac”, explica Gilvan Barros, piloto de helicópteros e proprietário da GB9 Consultoria, empresa nacional especializada em helidecks. Assim, reconhecer a importância da norma NBR 6120 da ABNT e segui-la na construção de um heliponto torna-se fundamental para evitar acidentes nas operações. E aqui, após a adequação às definições básicas da engenharia de helipontos, entra em cena a engenharia estrutural e abre-se uma importante oportunidade para a indústria de metais na construção civil.

“Todas as partes que compõem um heliponto ou helideck podem ser construídas em alumínio: da área de pouso e decolagem até os acessos e as telas de proteção, passando pela estrutura de suporte”, enumera Roney Parente, gerente de vendas para a América Latina da Marine Aluminum AS, líder mundial na fabricação e instalação de helidecks de alumínio. “O governo norueguês, por exemplo, exige que os helidecks sejam construídos em alumínio nas instalações no Mar do Norte porque uma estrutura com o metal não exige manutenção, o que reduz o custo operacional”, diz.

SEGURANÇA

Por suas características, o alumínio absorve melhor os impactos do peso do helicóptero durante o pouso, o que corrobora sua aplicação no topo de edifícios, onde a preocupação maior é o sobrepeso na laje e nos pilares sobre os quais será instalado. Já as vantagens em relação ao peso se demonstram na prática: “Uma estrutura de heliponto em aço, por exemplo, tem 140 toneladas. Sendo totalmente substituída por alumínio, o peso será reduzido em cerca de 80 toneladas”, compara Barros, da GB9.

Parente reforça: “Por ser entre 55% a 60% mais leve do que uma estrutura em aço, a estrutura em alumínio pode se tornar uma alternativa para prédios já existentes em que não houve essa previsão de carga”.Ele também aponta que o potencial de demanda do mercado cresceu ainda mais após a sanção, em 2013, da lei que reduziu em cem metros a distância mínima entre dois helipontos ou heliportos na capital paulista, passando-a para 200 metros.

A estrutura, quando em aço ou concreto, é projetada para a carga que os pilares do prédio podem sustentar, mas quando não existe a folga de resistência, é necessário reforçar o prédio inteiro até a base. “Se for construído em alumínio, o problema é solucionado e a sua carga leva a uma intervenção menor de reforço da edificação”, endossa Carlos Freire, engenheiro do Escritório Técnico Carlos Freire, especializado em engenharia de helipontos, em São Paulo. Alessandro Batalha, sócio-diretor da Hiperestática, empresa carioca com experiência no setor de estruturas metálicas e engenharia civil, cita outra vantagem: a resistência à corrosão. “Por suas características básicas, os helipontos ficam sempre expostos a intempéries como chuva e vento, então esta característica é fundamental”, diz.

Alumínio é mais resistente aos impactos do peso do helicóptero e oferece segurança às edificações, evitando danos na estrutura por sobrecarga

OPORTUNIDADES

Por essas vantagens, o cenário tem mudado em prol do alumínio, que surge como solução de problemas com outros materiais. A GB9 e a SSM GmbH, que oferece helidecks em ligas de alumínio, trabalham atualmente em um projeto sobre um hospital no Rio de Janeiro, que instalou um heliponto com uma estrutura em concreto, de cerca de 400 toneladas. Para resolver o impasse, o alumínio entrou na reavaliação. “A estrutura ficou de tal forma comprometida que não permitia o pouso da mais leve aeronave. Substituindo a laje pela estrutura e pancake em alumínio, economizaremos 320 t, permitindo o pouso de um helicóptero de até 13 t”, conclui Barros.

“Para conscientizarmos sobre as vantagens do alumínio, é preciso pensar a médio e a longo prazo”, aponta Batalha, da Hiperestática. Quando considerados o Custo Total de Propriedade e a vida útil, o alumínio mostra que não se deve assumir que o aço ou o concreto seja sempre a melhor opção: “estudos da [consultoria] Deloitte mostram que durante a vida útil do aço gasta-se em manutenção quase o valor de duas estruturas novas, cerca de 1,7 vezes o valor de aquisição”, diz Parente. E “ainda que o alumínio seja mais caro, acrescentando os custos de tratamento de superfícies, como galvanização ou pintura, para proteger o aço, a estrutura final em alumínio ao longo da sua vida útil torna-se mais barata”, diz. Barros faz coro: “Em todos os fatores o alumínio gera economia significativa no ciclo de vida do produto”.

INOVAÇÃO

A Marine, de olho no potencial do mercado, acaba de abrir em Macaé, RJ, uma filial para serviços e apoio logístico, com o início da fabricação de peças em breve. Segundo Parente, a MA desenvolveu um kit de montagem para helipontos entregues em containers, evitando o trabalho de solda, corte ou perfuração durante a instalação. “Uma das principais vantagens é a possibilidade de criar formas complexas que podem ser produzidas em uma única peça extrudada sem métodos de junção mecânica, aumentando a funcionalidade dos perfis de acordo com as exigências arquitetônicas”, afirma.

No Brasil, outra empresa a oferecer montagem que dispensa soldas é a SSM em conjunto com a B9. “A estrutura pode ser construída com perfis em ‘H’ e o pancake de alumínio em perfis extrudados. Todo o material é de liga com alta resistência mecânica e os perfis são montados em encaixe Tongue & Groove, como um Lego”, exemplifica Barros. Outra opção que ainda não desembarcou no país é o leasing de helipontos, muito praticado nos EUA e no Japão. “É muito comum serem fabricadas peças de alumínio que são montadas no topo de prédios como equipamentos da construção civil e que podem ser desmontados e remontados em outro local ao término do contrato”, afirma Carlos Freire. Com tantas oportunidades, é um mercado pronto para decolar.

A longa vida útil do alumínio garante economia no investimento final, ao contrário do aço, cuja manutenção tem o custo de cerca de 1,7 vezes o valor de aquisição

Assine nossa newsletter Receba as novidade da Revista Alumínio
Formulário de Newsletter