Construção civil

Suporte de confiança para o mercado de construção civil

Escoramentos de alumínio ganham espaço no mercado ao reduzirem custos, com resistência de 50% a mais de carga do que outros materiais

22/06/2016
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O conjunto de fôrmas e escoras pode representar até 45% dos custos em estrutura de uma construção. Fator que cada vez mais tem justificado a necessidade das empreiteiras em optar por equipamentos que ofereçam redução de custos e mais eficiência. E o alumínio tem se mostrado um excelente aliado nesses quesitos. O sistema de escoramento possui a função de dar suporte às fôrmas para concreto em diversos tipos de obras, sendo composto por elementos verticais, ou seja, postes ou escoras, que precisam ter resistência e que devem também ter uma regulagem para ajuste da altura.

Desde a década de 1980 a Mills investe na introdução do alumínio no mercado nacional de construção civil, a princípio em parceria com a Aluma Systems, empresa canadense. “Quando trouxemos o Alumills para cá, logo o sistema de escoramentos ganhou notoriedade, por ser mais leve e resistente para obras mais pesadas e com o pé-direito mais alto. Um dos motivos para isso é a possibilidade de montar o sistema todo na vertical, o que traz uma significativa economia de tempo e investimento para os clientes”, explica Ricardo Gusmão, diretor comercial da Mills.

Por causa do peso, o sistema de escoramento em aço pode ser montado apenas na vertical, trabalho que exige uma equipe especializada e acarreta mais tempo de trabalho. Mesmo com o valor mais alto do sistema em alumínio, o investimento vale a pena, como salienta Gusmão: “O cliente vê que ele vai gastar R$ 100 mil na locação de um sistema de aço e R$ 130 mil no de alumínio, então é claro que o instinto é optar pelo primeiro. Porém, o investimento para montar e desmontar o equipamento de aço será de R$ 200 mil, enquanto ele gastaria apenas R$ 130 mil na versão de alumínio. No final, o alumínio é mais econômico”.

João Carlos Fonseca, gerente técnico da Ulma Construction, empresa espanhola com atuação no país, especializada na gestão de projetos de engenharia e na locação e venda de equipamentos de estruturação de obras, reforça as vantagens: “Quando feitos em alumínio, os sistemas de escoramento são equipamentos versáteis que garantem um aumento significativo de produtividade na obra, além da diminuição de mão de obra e mais segurança para os trabalhadores”.

RESISTÊNCIA

O sistema de escoramento da empresa, Aluprop, trazido diretamente da fábrica espanhola para o Brasil, chega a suportar 7,5 toneladas, enquanto o sistema convencional de aço não passa de seis toneladas. As escoras são produzidas para atender a todo tipo de obra e reforma, portanto apresentam a possibilidade de sobreposição, conectando-se mediante a união rápida ou com parafusos. Permitem assim, formar torres de grande altura, por exemplo, uma escora de seis metros pode receber a adição de outra escora através de marcos que permitem o encaixe. “Vale lembrar que o sistema não pode receber mais de uma emenda e que quanto maior for a escora, menor é sua capacidade de carga”, avisa Fonseca, gerente técnico da Ulma.

Ao contrário das escoras de aço, as em alumínio são mais leves e podem ser montadas na horizontal, o que gera redução de custos em montagem

elabora projetos de fôrmas e presta consul Michael Rock, diretor técnico da SH, empresa nacional que trabalha com sistemas para locação e venda, também ressalta a resistência do alumínio, que varia em função da regulagem da escora: “As nossas escoras Lumisystem, por exemplo, suportam por poste até 13,5 toneladas. Estas cargas são bem superiores aos escoramentos convencionais de aço, que tipicamente se limitam em cerca de seis toneladas, por poste”, explica. Segundo Rock, ao comparar uma torre de dez metros de altura, feito em alumínio, com uma de aço, “o escoramento Lumisystem pesa a metade, tem a metade das peças para montar, e resiste quase 50% a mais de carga”.

Com experiência de mais de 25 anos no mercado, o engenheiro e projetista Nilton Nazar, sócio-diretor da Hold Engenharia, que elabora projetos de fôrmas e presta consultoria em engenharia, lembra que o alto valor de mercado do alumínio afastava o interesse das empresas, mas com o tempo o metal se mostrou um bom investimento, por suas vantagens. “Hoje em dia vemos o alumínio em abundância na construção civil, concorrendo com o aço e se mostrando um material ainda mais valioso por suas diversas características técnicas, como a leveza”, afirma.

OPORTUNIDADE

Os sistemas de escoramento em alumínio ainda podem ganhar muito mais espaço no mercado, como destaca Nazar, da Hold Engenharia: “Na Europa e nos EUA o uso é disseminado e a tendência é que isso cresça no Brasil, assim como a produção nacional das empresas, que ainda é pouco expressiva, mas pode se desenvolver nos próximos anos, principalmente quando a economia se restabelecer. Há um vasto campo de oportunidades para o fornecimento e produção nacional”. Fonseca, da Ulma, faz eco: “Os clientes estão passando a utilizar cada vez mais. Por ser um mercado novo, está em evidente ascensão”.

A importação aparece como a solução predominante no momento para as empresas, principalmente por questões econômicas. “Não temos planos de mudar para fabricação nacional em curto prazo, mas no Brasil há vários fornecedores de alumínio que oferecem ligas de alta qualidade e resistência”, ressalta Rock, diretor técnico. Recentemente, a Mills adquiriu os direitos para fabricar, no Brasil, as escoras de alumínio que compõem o sistema da alemã Noe. “Passamos a ter o equipamento importado, com a mesma definição técnica de ligas de alumínio, forma de soldagem. Temos fornecedores como Alcoa e CBA, que desenvolvem ferramentas e fornecem a mesma liga do equipamento”, explica Gusmão, diretor comercial.

Mesmo em um momento de retração, o setor de construção civil consegue se manter firme e as empresas especializadas em soluções em engenharia seguem otimistas. “Temos um estoque significativo de sistemas de escoramento em alumínio, pronto para atender quaisquer demandas necessárias”, garante João Carlos Fonseca, da Ulma. Para Rock, da SH, o momento não é para investimentos, mas o objetivo é poder apostar mais no metal: “Alumínio entrou no nosso portfólio para ficar, a tendência em longo prazo é de crescimento. Na busca do material ideal para cada aplicação o alumínio está ganhando espaço”, avalia.

A expectativa do setor é que, após o fim da retração econômica, as empresas nacionais invistam na produção local dos sistemas de alumínio

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