Construção civil

Travessia mais leve

Pontes em alumínio se mostram tendência mundial ao agregarem vantagens em manutenção e redução de peso em até 90%

Taísa Santana 24/06/2016
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Com o intuito de incentivar o uso do alumínio, a Sociedade Japonesa de Engenheiros Civis divulgou novos padrões de produção e design para facilitar a aplicação do metal leve em pontes e comportas. O apoio do grupo de especialistas é um grande avanço no campo de infraestrutura. “Agora o que desejamos é ganhar pelo menos dois projetos para começarmos a construir a demanda”, disse Akira Kaneko, o novo chairman da Associação Japonesa do Alumínio, em comunicado oficial.

O momento é propício: o Japão tem hoje cerca de 700 mil pontes e quase metade delas terá mais de 50 anos em 2023. O que abre espaço para a implantação de materiais e técnicas diferenciadas. O movimento é similar ao praticado pelo Centro de Quebec de Pesquisa e Desenvolvimento do Alumínio, da sigla em francês CQRDA, que conseguiu que o governo canadense levasse em consideração nas licitações questões além do valor do material, como manutenção e durabilidade – o que favorece o alumínio.

Um estudo encomendado pela Associação Canadense do Alumínio (AAC, na sigla em inglês) também foi executado com o intuito de divulgar as vantagens do metal nesse setor. “Para as grandes empreitadas de engenharia, a metodologia e projeto escolhidos vão demonstrar a importância de ter uma visão de custo integrada de longo termo. Essa abordagem integrada demonstra que, ao longo do ciclo de vida do projeto, o alumínio é uma alternativa válida e de custo produtivo em relação ao aço”, diz Alex de la Chevrotiere, presidente do Maadi Group, grupo especializado em engenharia e design em alumínio e parceiro no estudo.

Por isso, iniciativas das entidades setoriais são fundamentais na divulgação das vantagens do material. “O alumínio tem um histórico de bom desempenho em aplicações de ponte veicular há quase 80 anos. As aplicações mais frequentes e bem-sucedidas incluem a substituição de decks e passarelas de pedestres, elevação, flutuantes e pontes temporárias”, afirma Chevrotiere.

Arvida Bridge, no Canadá, é hoje a maior ponte de alumínio no mundo. Mas o primeiro uso em ponte veicular foi em 1933, com a substituição do deck de aço e madeira da Smithfield Street Bridge, em Pittsburgh. A mudança permitiu aumentar a capacidade de carga da ponte.

A leveza do metal e facilidade de manuseio são outros atrativos nesse tipo de aplicação. Muitas vezes, a estrutura pode ser prefabricada e levada pronta ao local de instalação, reduzindo consideravelmente o tempo da obra. A resistência à corrosão, por exemplo, traz benefícios indiretos além da durabilidade, como a redução dos custos de manutenção. “Nos últimos anos o metal é visto em componentes do deck, pois é fácil fazer a extrusão em formas complexas. E é possível reduzir cerca de 80% a 90% em peso comparando com uma estrutura de concreto. Isto permite aumentar a carga útil em pontes antigas”, conta Chevrotiere.

Segundo ele, as propriedades do alumínio que apresentam os maiores desafios para aplicações estruturais incluem: a sua menor força elástica e resistência à fadiga do que o aço, a redução da resistência à deformação local que acompanha a soldagem para muitas ligas de alumínio, e o custo inicial mais elevado.

“Os problemas podem ser mitigados através do detalhamento inteligente, do uso de técnicas modernas de união sempre que possível, e da seleção de materiais com base de custo do ciclo de vida da ponte”, complementa.

Por conta desse cenário, a Bayards e a TNO, um instituto holandês de pesquisa independente, foram convidados a buscar soluções efetivas para administração de estradas holandesas. “Os resultados foram notáveis, e o conceito está sendo usado em vários projetos diferentes no país”, conta Dick de Kluijver, responsável pelo departamento comercial da Bayards, em um artigo sobre o tema.

Hoje há vários decks sendo fabricados e vendidos por empresas nos Estados Unidos, Holanda e Escandinávia. Apesar de crescente, a aplicação ainda tem muito espaço no mercado em todo o mundo, como no Brasil, onde isso ainda não se faz presente. Inicialmente, usos menores podem ser praticados como a passarela lateral para pedestres ou ciclistas, que pode ser adicionada a uma ponte já existente, além de suportes para iluminação.

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