Embalagens

Desodorante aerossol ganha território

Com previsão de alcançar 65% das vendas até 2021, setor de embalagens de alumínio para aerossol prospera

CAROLINA ROSSINI 21/06/2016
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Mesmo quem não é do segmento percebe que há algo de diferente nas prateleiras de higiene e cuidados pessoais de farmácias, mercados e lojas de beleza. Nos últimos dois anos aconteceu uma verdadeira invasão de desodorantes do tipo aerossol em latas de alumínio.

A sensação é traduzida em números: este foi o formato que mais cresceu no setor nos últimos anos. De acordo com a agência de pesquisa de mercado Euromonitor International, em 2009 os aerossóis representavam 31% do consumo brasileiro, número que pulou para 50% apenas quatro anos depois. Já em 2014, o mercado brasileiro de desodorantes movimentou quase US$ 5 bilhões em vendas, sendo a versão aerossol responsável por US$ 2,2 bilhões. O Brasil é um dos líderes no segmento de desodorantes, sendo que a cada cinco produtos fabricados no mundo, um é consumido no país. A demanda brasileira é grande e as marcas passaram a investir mais, com a abertura de fábricas nacionais de produção, novos designs, tamanhos e identidades visuais.

A Associação Brasileira de Aerossóis (Abas) projeta para 2021 um volume de 1,4 bilhão de unidades ao ano, sendo que deste total aproximadamente 65% dessas unidades deverão ser em alumínio. Isto porque o brasileiro tem aprendido a reconhecer o valor agregado que a embalagem com o metal possui.

VENDAS

“Hoje verificamos um consumidor mais exigente com a qualidade e a embalagem possui um papel fundamental no momento da compra. E as de alumínio apresentam um destaque especial frente às demais”, reforça Mariana Villaça, gerente de marketing da Francis Hydratta, marca de produtos de higiene e cuidados pessoais que em fevereiro deste ano relançou sua linha de desodorantes antitranspirantes aerossol e roll-on, exibindo uma embalagem com nova identidade visual.

A novidade fez com que as vendas da marca subissem 12% em comparação com o mesmo período no ano passado — e a preferência pela versão aerossol também foi percebida. “O mercado consumidor está migrando do roll-on para o aerossol, por ser um aplicador mais moderno e prático para utilização. Atualmente, 70% de nossas vendas são no aplicador aerossol e 30% em roll-on”, compara Mariana.

Unilever e Natura, líderes de vendas no setor, também apresentaram ações para ganhar mercado. A primeira inaugurou, em Aguaí, interior de São Paulo, a primeira fábrica da empresa que envasará desodorantes nesse formato no Brasil, visando atender à crescente demanda. Responsável por duas das marcas referências no mercado, Dove e Rexona, o grupo anunciou o investimento de R$ 1,1 bilhão nas regiões Sudeste e Nordeste até 2017. Inicialmente, R$ 500 milhões já foram aplicados em Aguaí, gerando 250 empregos diretos e indiretos na primeira fase de funcionamento.

Já a Natura, reconhecida por sua preocupação com o impacto ambiental dos produtos, lançou o Ecocompacto, com a campanha intitulada “Pequenas mudanças fazem uma grande diferença”, que levanta a bandeira da sustentabilidade na embalagem: além de ser em alumínio, apresenta 48% menos impacto ambiental, pela redução de insumos.

PRODUÇÃO

Devido ao preço do gás no Brasil, a Argentina se consolidou como o principal exportador das embalagens para o mercado nacional e, por isso, muitas empresas se instalaram por lá. Mas o cenário tem mudado e a demanda crescente do consumidor brasileiro atraiu o interesse de grandes players para investir em produção local. “Com as mudanças de regras e o aumento de demanda no mercado interno, ingressaram grandes produtores de desodorantes e canmakers nos últimos quatro anos. Por isso, esse mercado está se desenvolvendo nacionalmente”, afirma Claudio Leite, gerente de especialidades da Novelis.

Foi o caso da Exal, fabricante de latas de alumínio para aerossol, que deu início às atividades no Brasil em 2014 e já conta com produção anual de 180 milhões de embalagens. De acordo com Ignacio Menescardi, diretor geral da empresa, a crescente presença do alumínio nas prateleiras se deve ao fato de o material apresentar “melhor padrão de qualidade, manter as propriedades físicas e químicas dos produtos e estética superior”, que permite a inovação na identidade
visual das marcas.

Segundo dados da Novelis, o consumo de chapas de alumínio para embalagens, exceto latas de bebida, aumentou 21%, entre janeiro e novembro de 2015, em comparação ao ano anterior, motivado pelo envase dos produtos do setor de higiene e cuidados pessoais, que utiliza 95% dos aerossóis de alumínio. “A tendência é de crescimento dos produtos em alumínio pela qualidade e design diferenciado — fatores imprescindíveis para o mercado fármaco e principalmente de cosméticos”, aponta Deoclécio Pignataro, da consultoria Brasil Consult.

Para se adequar ao momento, marcas e fabricantes pensam juntos em maneiras de fazer com que seus produtos se destaquem no mercado. No caso da Natura, que prima pela  sustentabilidade, só foi possível alcançar uma redução de 15% no uso de alumínio graças ao desenvolvimento da válvula do aerossol, criada pelo grupo alemão Lindal, que requer menos gás propelente para sua ativação.

A Unilever também possui versões “compactas” de Dove e Rexona, que são fabricados pela Exal por meio do processo de extrusão por impacto reverso, o que garante a flexibilidade necessária para a produção de diversos tamanhos e formas, como explica Ignacio Menescardi, diretor da empresa. Ele também destaca a menor geração de sucata na primeira etapa do processo e, é claro, o menor custo de produção no caso das embalagens compactas: economia de 30% de alumínio e 50% na emissão de gás propelente. A redução de índices estimula ainda mais o crescimento da presença do metal no mercado, beneficiando fabricantes e consumidores.

FUTURO

Pignataro, da Brasil Consult, afirma que o caminho está traçado para que as latas de alumínio ganhem ainda mais espaço, com o adendo da produção nacional, principalmente dos slugs (pastilhas) usados para criar as embalagens, que ainda são, em sua maioria, importados. “O que se busca é essa substituição com o uso de novas tecnologias. Em 2014, o mercado brasileiro de aerossóis era de 57% de importados e de 43% de produção local”, compara. Para a Exal a expectativa é de continuar crescendo 100% ao ano, como acontece desde a instalação de sua fábrica no país. Leite, da Novelis, faz coro e sinaliza um aumento significativo do mercado brasileiro graças às novas plantas. “Acredito que a demanda na produção nacional será impulsionada por esses fatores ainda em 2016”, diz.

Para que a hegemonia do aerossol se concretize é necessário continuar investindo, como reforça Pignataro. “O alumínio é insuperável pala sua cor, conformação, qualidade, durabilidade, proteção ao produto, além da reciclabilidade.” Com tantas vantagens, a dúvida frente às gôndolas ficará por conta apenas de escolher o perfume mais agradável.

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