Embalagens

Apetite para crescer

Com movimento de mais de R$ 12 bilhões, mercado de Pet Food brasileiro aposta em embalagens super premium de alumínio para atender clientes cada vez mais exigentes

Carolina Rossini 04/05/2016
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Não é a revolução dos bichos, mas eles já reivindicaram um espaço de destaque dentro das casas brasileiras: mais de 132,4 milhões de animais de estimação – ou o quarto maior mercado consumidor de produtos para Pet Care do mundo. E os donos não medem esforços ou custos para agradá-los.

A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) prevê que o faturamento de 2015 será de R$ 17,9 bilhões, o que significa um crescimento de 7,4% em relação ao ano passado. Números expressivos em um momento econômico no qual o consumidor tem procurado reduzir custos.

Desse montante, o setor de Pet Food, ou de alimentos, corresponde a 67,4% do total, com foco em produtos de alta qualidade. “O cliente está cada vez mais exigente. O cão, por exemplo, é como um filho, e ele quer o melhor para o animal independentemente da classe social na qual se encontra”, avalia Rodrigo Albuquerque, sócio da Petland no Brasil, rede de varejo de origem norte-americana, que chegou ano passado ao país com meta de atingir 302 lojas só em São Paulo, nos próximos cinco anos.

A aposta no crescimento desse mercado vem aliada à percepção do consumidor que quer, além de um alimento de qualidade, uma embalagem que seja eficiente e atraente. Assim, mesmo com passos ainda tímidos nas linhas standard, o alumínio tem espaço garantido no segmento premium e super premium.

Alumínio

O metal costuma ser utilizado nas embalagens de alimentos úmidos e semiúmidos nas versões latas, stand-up pouches, semirrígidas, sachês ou em algumas versões mais ousadas, como é o caso da francesa TrésoR, que atua há 17 anos no Brasil: uma de suas linhas conta com bandejas douradas de alumínio para armazenar refeição canina ou felina.

O uso do alumínio para Pet Food no exterior é disseminado e a marca trouxe a cultura para a América do Sul. “TrésoR representa luxo, gastronomia e alimentação completa, respondendo às preocupações dos donos”, resume Geraldine Bory, responsável comercial das exportações na SUM LAB, que distribui a marca pelo mundo. Ela explica a escolha: “É um material muito resistente, e que permite uma boa preservação dos ingredientes diretamente associados a embalagens diferenciadas em alumínio durante a esterilização de alta-temperatura, sem usar conservantes nas receitas. Assim podemos propor produtos saudáveis, além de garantirem a conservação do alimento por até dois anos “, diz.

As vantagens também são atestadas por profissionais especializados: “O alumínio ajuda muito na conservação das propriedades nutricionais do alimento para os animais, conservando água, vitaminas e minerais”, diz Christiane Diezel, médica veterinária e colunista do Petbox Brasil. A profissional aponta que as características do material são positivas no caso dos alimentos cozidos diretamente nos contêineres. “Neste processo de cozimento consegue-se evitar a bactéria Clostridium botulinum, causadora do botulismo, que afeta os humanos e também pets”, afirma.

Além disso, no caso dos gatos, o material é indispensável para a embalagem dos alimentos, o que explica a popularização das latas e o crescimento na aposta pelas marcas em sachês com alumínio, pois o animal tem extrema sensibilidade ao odor da ração. “Gatos são extremamente seletivos ao cheiro, então, embalagens que conservam o odor dos alimentos são sempre as ideais”, conta Christiane.

Aposta

Há mais de 40 anos no mercado, a Guabi tem investido na aquisição de equipamentos específicos para utilizar as embalagens no formato de pouches, infraestrutura para adequação do layout, capacitação de profissionais, desenvolvimento de produtos e controles específicos de qualidade. “Estamos muito satisfeitos com as embalagens de alumínio, pois se trata de uma linha em evolução dentro do mercado de Pet Food”, define Alderley Carvalho, gerente de P&D da marca, que sinaliza : “este material chegou para substituir a folha de flandres rígida, pois muitos problemas relacionados ao amassamento de latas são minimizados com o material flexível”.

Da mesma forma aposta a Mars, líder no mercado de Pet Food, que tem nas marcas Whiskas® e Pedigree® linhas de alimentos úmidos com 100% das embalagens em stand-up pouch de alumínio. De acordo com Melissa Mussumeci, gerente de embalagens da marca, a presença do material nos produtos premium se justifica por suas características técnicas, que garantem a melhor barreira à luz, umidade, oxigênio, gordura e odor, o que evita que demais animais sejam atraídos para o alimento, como ratos e insetos. “Introduzimos algumas categorias no mercado, como o sachê, por exemplo, em que hoje somos líderes”, conta Melissa, que, em cinco anos, dobrou sua capacidade de produção.

Em países da Europa, como França, Dinamarca, Itália e Alemanha, o uso do metal em embalagens para Pet Food é significativamente maior do que no Brasil, com a atuação de empresas como Amcor e Jorgensen. “Na França, latas de alumínio existem em quase todas as marcas de Pet Food premium e super premium. Sachê e stand-up estão ganhando mercado cada vez mais, também.

Isso será um próximo desenvolvimento da TrésoR”, revela a representante da marca. Apesar de as empresas brasileiras do setor comprovarem a qualidade do material para as embalagens, há barreiras a serem superadas para que o uso do alumínio seja ampliado por aqui. No país, os tributos pagos para este segmento equivalem a 49,99% do faturamento total. Segundo a Abinpet, este é o principal gargalo, que inibe o desenvolvimento do setor pet de forma sustentável.

O Brasil é o país com a maior carga tributária do mundo. Na Europa, a carga de Pet Food é de 18,5% e nos EUA, o maior mercado consumidor do mundo deste nicho, não passa de 7%. A capacidade nacional de produção é de até 5,7 milhões de toneladas de alimento completo para animais de estimação, mas fabricou somente 2,4 milhões, em 2014. OPORTUNIDADES Com a diminuição nos tributos e novas estratégias das marcas premium, o alumínio pode começar a despontar nas prateleiras – e, com sorte, partindo de uma produção nacional. “Identificamos um potencial muito grande nesse mercado”, afirma Fernando Wongtschowski, gerente de Marketing da Novelis, lembrando que o crescimento da demanda é essencial para que as empresas comecem a investir mais na produção de contêineres específicos para o mercado.

Quem preza pelo bem-estar do bicho de estimação passa a prestar atenção nessas características garantidas pelos produtos de alto valor agregado e, mesmo que os passos ainda sejam tímidos, as empresas garantem que o alumínio pode crescer no setor. “Assim como o alumínio consolidou sua participação no mercado de latinhas para bebidas, acreditamos que a participação do metal também vai se consolidar no mercado de latas para alimentos premium na América do Sul”, avalia Wongtschowski, da Novelis. O otimismo do setor de Pet Care, a crescente exigência dos consumidores e as oportunidades de sofisticação em produtos de alta qualidade formam a receita perfeita para um mercado cheio de apetite.

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