Embalagens

Espaço para crescer

Bisnagas de alumínio dominam mercado para envase de semisólidos, com 62% de participação e promessa de expansão

Taísa Santana 04/05/2016
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O que tinturas de cabelo podem ter em comum com colas, pomadas,graxa e até brigadeiros? Com uma comparação assim fica difícil imaginar, mas o ponto em comum para a qualidade do conteúdo: a bisnaga de alumínio como embalagem.

“O alumínio é um material bastante consolidado no setor e representa aproximadamente 62% do share deste tipo de embalagem”, afirma Fernando Wongtschowski, gerente de marketing da Novelis. Dados da empresa apontam que no ano de 2014 foram produzidas mais de 790 milhões de unidades de bisnagas em alumínio, com um crescimento de 3,2% sobre o ano de 2013 – movimento interessante para um mercado consolidado, ainda mais em um momento de retração da economia. “Setores como o farmacêutico, o alimentício e o de cosméticos buscam por embalagens que ofereçam maior proteção ao produto final”, diz.

“As principais vantagens residem no fato de ser uma embalagem monobloco, que permite um shelf life prolongado”, aponta Sergio Rolão, diretor de marketing e vendas da Impacta, fabricante de bisnagas por extrusão por impacto. Fato que as torna, hoje, a principal solução para produtos semissólidos que necessitam de barreira à umidade, luz e oxigênio, o que garante sua integridade durante toda a utilização, mesmo depois de aberto. Gabriel Sdoia, diretor de operações da Bispharma Packaging, conta que a grande maioria dos produtos oferecidos em bisnagas de alumínio só podem ser envasados neste tipo de embalagem: “A proteção oferecida pelo alumínio é imbatível”, atesta. A utilização das bisnagas para envasar tinturas de cabelo, produtos farmacêuticos nas apresentações de cremes e pomadas e produtos industriais, como colas, é largamente empregada. “Não tem um substituto de mesma equivalência”, reforça Rolão, da Impacta. “Já fizemos testes de estabilidade e não podemos de jeito nenhum migrar para outro tipo, como no caso das colorações e tinturas”, exemplifica Priscila Ortobelli, gerente de compras do grupo Cimed, fabricante de produtos farmacêuticos.

A bisnaga de alumínio domina o segmento de diversos produtos. Como é o caso da Acrilex, que utiliza os envases há mais de 40 anos nas tintas para Belas Artes, Oil Color Classic e Acrylic Colors. “O mercado de pintura em tela é muito clássico e está habituado a este tipo de embalagem. As tintas para pintura em tela possuem resinas e pigmentos especiais que são melhor preservados em embalagens de alumínio”, conta Osni Bernardinelli Jr., gerente de marketing da marca.

Já a Orbi Química busca nas bisnagas de alumínio a solução de embalagem para vários de seus produtos, como adesivos de silicone, cola de contato, selantes para motor, vedantes semissecativos e adesivo epóxi – e o benefício é percebido diretamente pelo consumidor: “O produto envasado em bisnagas, além de facilitar a aplicação, torna-se economicamente viável para o cliente final. E, devido ao volume reduzido, normalmente entre 50 e 100 ml, evitam-se desperdícios”, explica Edvaldo Schimpl, supervisor de marketing da companhia.

Além disso, existe outro aspecto interessante, como explica Sdoia. “Esteticamente um tubo de alumínio é muito versátil e pode ser bem explorado pelo design da embalagem”.

Mercado

Por ser um mercado maduro, as inovações são limitadas e estão diretamente relacionadas a investimentos em maior capacidade produtiva das linhas existentes. “A evolução do segmento hoje está pautada pelo crescimento do consumo”, afirma Rolão.

Algumas empresas atendidas nesse nicho ainda encontram dificuldades para comprar as bisnagas e recebê-las no prazo correto. “Imagine um país do tamanho do Brasil, com a quantidade de empresas que utilizam esse tipo de embalagem e com o potencial de mercado e consumo que o país oferece”, diz Bernardinelli, da Acrilex, que após o fechamento da empresa que fornecia bisnagas de alumínio, passou a ter dificuldades com fornecimento até encontrar produtos e serviços satisfatórios.

Apesar desse pico na demanda, o setor dá sinais de estar entrando em equilíbrio.”Esse é um fato pontual que ocorreu ao longo do ano passado, por conta do fechamento de alguns fabricantes”, explica Sdoia, que conta também que a empresa investiu em novos equipamentos para suprir a demanda.Indicativos de oportunidade para expansão, inclusive, de novos players – fato que não surpreende, já que em 2014 o único segmento que cresceu para o alumínio foi o de embalagens: com acréscimo de 6,8% no consumo sobre o ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio.

Mundo

Fora do Brasil essas embalagens já dominam um outro setor, que no país ainda causa certa estranheza para o consumidor: o mercado de alimentos. Principalmente na Europa, é muito comum o uso de bisnagas para queijos cremosos e molhos.

“O mercado alimentício em tubos de alumínio é bastante interessante em outros países, por exemplo o concentrado de tomate na Itália ou os patês na Escandinávia. No Brasil, esta cultura ainda não pegou. Acreditamos que possa existir uma oportunidade interessante neste segmento”, conta Sdoia.

Apesar do potencial, esse mercado ainda caminha lentamente no Brasil. Rolão compartilha a experiência da Impacta nesse sentido. “Fizemos um trabalho com as principais empresas do setor durante dois anos, porém percebe-se que é necessária uma mudança na cultura do consumidor brasileiro para incorporar a bisnaga de alumínio em seu dia a dia”, explica.

Até o momento apenas as docerias aderiram à moda da bisnaga. E não é preciso ir longe para encontrar essas gostosuras. Em São Paulo, é possível achar bisnagas de brigadeiros, beijinhos e outras guloseimas em brigaderias espalhadas por diversos pontos da cidade, assim como nas festas infantis.

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