Embalagens

Na linha de frente da economia

Alinhadas à praticidade da cultura do consumo rápido, as embalagens assépticas reduzem o desperdício de alimentos ao ampliar a shelf life de bebidas

Cauê Vizzaccaro 19/10/2016
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Leite, suco, água, shake, água de coco, achocolatado, caldo de cana, vinho, leite fermentado, de soja, cappuccino, chá… E pensar que um dia ela foi chamada de “a caixinha do leite”. O tempo passou e a longa vida (ou asséptica), que chegou ao Brasil em 1957, se mantém atualizada frente às necessidades do mercado como envase ideal para diversos tipos de bebidas e diferentes perfis de consumidores.

Não é para menos. Dr. Ruben Rausing, pai da longa vida e fundador da Tetra Pak, um dia afirmou que “uma embalagem deve gerar mais economia do que ela custa”. Anualmente, cerca de 30% de todo o alimento produzido no mundo é desperdiçado. E o armazenamento é um dos fatores diretamente ligados ao desperdício: 10% dos alimentos embalados vão parar no lixo. Os dados são da campanha Save Food, parceria entre a Organização das Nações Unidas (ONU) e a companhia alemã Messe Düsseldorf, que busca estimular a redução desses índices. A questão pode acarretar a necessidade de aumento da produção de alimentos em 70% até o ano de 2050.

ALUMÍNIO
As embalagens de alumínio se apresentam como uma saída sustentável. Também conhecida como embalagem cartonada asséptica, a longa vida é formada por cinco camadas de papel, polietileno e também alumínio. O leite armazenado nela é um exemplo do potencial de conservação. O produto é transportado por longas distâncias e estocado por no mínimo seis meses, sem refrigeração.

Além disso, pesquisas apontam que o suco de laranja, no mesmo tipo de embalagem, dobra seu tempo nas prateleiras, mantendo a concentração da vitamina C. “O alumínio possui um papel relevante na contribuição da segurança alimentar, uma vez que protege o alimento e permite uma experiência mais completa pelo consumidor”, reforça Nataly Yoshino, gerente comercial da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), fabricante de folhas de alumínio para esse segmento. A Alcoa reforça que o principal diferencial é que elas permitem que alimentos ou bebidas nelas acondicionados retenham mais nutrientes e permaneçam prontos para o consumo durante um período maior de tempo.

A SIG Combibloc, fabricante de embalagens longa vida, reafirma o conceito da estrutura segura, que aliada ao processo UHT (ultrapasteurização, processo de esterilização de alimentos por aquecimento), garante a vida de prateleira estendida. “Temos uma estrutura que garante total proteção contra migração de substâncias que afetem a estrutura do produto, e perda de aroma e de propriedades, atrelada a uma tecnologia de envase que garante 100% de segurança alimentar”, aponta Luciana Galvão, diretora de Marketing das Américas da empresa.

Fatores como esse têm estimulado a constante adesão das marcas. Como é o caso da marca “do bem™”. Com a proposta de bebidas naturais, detox e sem adição de açúcar, o Suco do Bem chegou ao mercado comercializando seu produto em embalagens de vidro, mas migrou para a longa vida, visando ampliar sua shelf life, uma vez que não é utilizado nenhum tipo de conservante no produto, e também procurando alinhar a sustentabilidade da embalagem à proposta da marca. “Para a criação dessas embalagens, a “do bem™” realizou o Inventário de Emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), desde a colheita das frutas até a reciclagem das caixinhas de bebidas. Com isso, concluímos que as embalagens do tipo assépticas seriam a melhor opção para o envase”, explica Marcos Leta, diretor e idealizador da “do bem™”.

CONSUMIDORES
E as vantagens não param por aí. De acordo com um estudo realizado pela Goldman Sachs e divulgado pela Tetra Pak, os novos hábitos dos consumidores da geração Millenials, de 20 a 35 anos, têm ditado o tom do mercado. O que os atrai em um produto são o aspecto da embalagem, fácil manuseio e transporte, praticidade para beber e comer diretamente, uma embalagem que pode ser fechada após o consumo e sua sustentabilidade.

De olho nisso, as principais marcas apostam na longa vida e têm experimentado formatos diferenciados em suas versões de consumo individual, alinhadas à cultura on-the-go — ou “em movimento”, em que o consumidor precisa de embalagens leves e práticas e fáceis para consumo no carro, no trabalho, . Exemplos não faltam, como o cappuccino da Mellita, o chá da Liv, o caldo de cana da Acana e as águas de coco Kero Coco e Obrigado. “Atualmente, na família de produtos Obrigado, as embalagens longa vida possuem 80% de participação”, conta André Guerino, industrial de bebidas da marca.

No caso da Yakult, ao atualizar e modernizar a embalagem de Tonyu fez a mudança apenas no design, mantendo o envase. “A embalagem longa vida é a mais indicada para este tipo de produto, que se destina a pessoas de todas as idades e pode ser consumido em qualquer lugar, sem necessidade de ser refrigerado e com a garantia da adequada conservação”, aponta Yasumi Ozawa Kimura, consultora técnica-científica da Yakult, marca pioneira no uso de embalagem longa vida para alimentos com extrato de soja adicionado de suco de fruta no Brasil.

CRESCIMENTO
Os bons resultados da indústria do leite também mostram que o investimento nas embalagens assépticas dá resultado. A Associação Brasileira de Leite Longa Vida aponta que a indústria deve crescer 2% neste ano, o que gera um volume de negócios em toda a cadeia de cerca de R$ 20 bilhões. A ABLV também celebra os 86% de brasileiros que consomem o leite da categoria.

Outra prova da aceitação do consumidor para as cartonadas assépticas é a chegada ao Brasil dos vinhos em caixa. “Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o consumo no país cresceu 7,6% e o de espumantes 17% em relação ao ano anterior. E na América Latina, como uma bebida diária ou componente da gastronomia, não somente relacionada a comemorações”, conta Nataly, da CBA. A bebida pode ficar até 30 dias na geladeira, já que não há entrada de ar, e mantém seu aroma e sabor. Embora seja uma novidade para os brasileiros, os vinhos “de caixinha” já são muito comuns nos EUA e na Austrália, devido à sua praticidade e custo.

TECNOLOGIA
Podendo ser mais finas do que o diâmetro de um fio de cabelo, as folhas assépticas fazem parte da formação total da embalagem, junto com o plástico e o papel, e podem ter uma espessura de 6 a 9 mícrons. “Nesta composição, o papel mantém a embalagem rígida, o plástico permite a integridade do fechamento da embalagem e o alumínio, que representa 5% da composição da embalagem, é responsável por bloquear a luz e o oxigênio”, explica a Tetra Pak, por meio de sua assessoria. Para acompanhar esses movimentos, as empresas fornecedoras de folhas de alumínio, em parceria com as fabricantes de embalagens, investem em tecnologia de ponta para garantir espessuras cada vez mais finas e, consequentemente, mais econômicas para as embalagens.

A CBA, por exemplo, possui um portfólio amplo de folhas para essa aplicação e oferece a folha de menor espessura do mercado brasileiro. Já a Alcoa acaba de concluir uma ampliação de sua planta de fabricação de folhas assépticas, em Itapissuma (PE), elevando a capacidade de produção de folhas de alumínio especializada em 20%.

Além do poder de conservação, a embalagem é 100% reciclável, podendo servir de matéria-prima para novos produtos. Outro atrativo para um momento de alto consumo em que empresas e clientes finais se preocupam com o impacto dos produtos na natureza. Essas características se encaixam bem no modelo da Economia Circular, que tem por objetivo manter os produtos, componentes e materiais sempre com o maior valor possível durante todo o ciclo de vida.

“Os conceitos do modelo passaram a inspirar e estimular inovações para o aproveitamento dos materiais e maximização da sua utilização. O desafio é complexo e requer pesquisa, inovação e colaboração de todos os agentes da cadeia de valor”, sinaliza Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens. Com os investimentos para a redução de custo na cadeia de valor, o interesse crescente da nova geração, atraída pela praticidade e sustentabilidade dos produtos, é possível afirmar que ainda há uma longa, e próspera, vida para as embalagens assépticas nas prateleiras.

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