Embalagens

Para brindar!

Crescem as marcas que incluem latas de alumínio em seu portfólio; maquinário móvel para envase impulsiona adesão das cervejeiras artesanais

Sophia de Mattos 01/08/2016
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De olho nas tendências de mercado, a cada ano, mais empresas entram para o time e incorporaram as latas de alumínio como mais uma opção em sua gama de produtos. “Percebemos que a versatilidade da lata tem ajudado muitas empresas de bebidas a aumentar as possibilidades de seus consumidores acessarem seus produtos, seja pela oferta em diferentes canais, seja pelos diferentes tamanhos adequados para cada perfil de consumidor”, alega Nicanor Rocha, gerente de vendas da Novelis, laminadora e recicladora de alumínio.

Um exemplo prático é o da marca H2O! Há dez anos no Brasil, nos últimos meses a empresa deixou de comercializar sua bebida gaseificada apenas em garrafas PET e lançou as versões limão e limoneto em latas de alumínio de 310 ml. Já a Superbom, considerada uma das principais empresas do ramo de alimentos veganos e vegetarianos no Brasil, apostou em latas de alumínio Slim, de 265 ml para sua linha FIT de néctares. “Queremos levar o produto para praças onde, atualmente, temos dificuldade de introdução. Um exemplo é que utilizamos a embalagem de vidro em nossas outras linhas de suco, mas não podemos atuar em escolas, clínicas e hospitais, pois possuem restrição desse material”, explica Cristina Ferreira, gerente industrial da Superbom.

Vantagens na prateleira

Com a aproximação dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, diversos setores no comércio nacional usufruíram da identidade do evento para fomentar a venda de seus produtos. As marcas de bebidas não ficaram de fora e lançaram rótolos de edição limitada em homenagem às Olimpíadas. O gerente de vendas da Novelis endossa os benefícios: “Comparada a outras embalagens, a lata proporciona uma “vitrine” maior para trabalhar a identidade visual das marcas, pois o rótulo cobre todo o corpo da embalagem, o que é mais complicado de se fazer com embalagens de vidro, por exemplo”.

O setor que mais aposta em versões especiais para grandes eventos é o cervejeiro, que por sinal, promete ganhar ainda mais espaço nas gôndolas. Graças a tecnologia de envase móvel em latas recém-chegada no Brasil, as microcervejarias estão se igualando às grandes marcas e usufruindo de um sistema de produção que dispensa processos de alta escala.  Para mais, o novo sistema proporcionará maior tempo de prateleira para bebidas, um ponto relevante para produtos de menor giro – como é caso das cervejas artesanais. Atualmente, há 300 microcervejarias no país e, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), haverá um aumento de 20% até 2020.

Os últimos números do Sistema de Controle e Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal, mostram que a lata é utilizada no Brasil para envasar cerca de 46% da cerveja produzida no país (2015). Este percentual estava próximo de 30% há 10 anos. Isso se deve ao fato, em especial, de que as pessoas têm preferido consumir estes itens em casa, além de bares e restaurantes. Dessa maneira, no ambiente doméstico, a lata é a principal escolha para o consumo de cervejas, por proporcionar maior convivência e praticidade ao consumi-la.

Envase para todos

Recentemente, 15 bares de todo o estado de São Paulo promoveram simultaneamente um lançamento memorável para o mercado de cervejas artesanais brasileiras. Marcas como JBeer, Dogma, Perro Libre, Urbana e Dádiva não foram servidas apenas em garrafas de vidro e passaram a ser degustadas em latas de alumínio. A ideia da ação surgiu com o intuito de viabilizar e baratear o envase de lata para as cervejarias chamadas “ciganas” – que terceirizam sua produção e já pagam um preço maior na fabricação.

Thiago Galbeno, mestre-cervejeiro da empresa Perro Libre, conta como a parceria entre as cinco microcervejarias e a nova embalagem enriquecerá o mercado: “A cultura da cerveja artesanal busca colaborar ao invés de competir. Vemos as outras cervejarias como parceiras que cooperam com a propagação da cultura cervejeira. Conseguimos mostrar que cerveja em lata não perde em nada para de vidro”. Já o sócio-proprietário da JBeer, João Belentani, realça que, além de mais uma forma de autuação no mercado, a lata fez com que as características sensoriais do lúpulo das cervejas fossem mantidas, visto que a quantidade de oxigênio absorvido na bebida é menor. Para mais, o empresário afirma que na lata não há passagem de raios UV, o que garante ainda mais a receita original das cervejas.

Inaugurada em dezembro de 2015, a DaLata Brasil, pioneira no ramo de envase móvel no país, concedeu o serviço às cinco cervejarias. Em abril, a empresa produziu cerca de oito mil litros de cerveja envasados em latas de 350 ml a 473 ml, na fábrica da Cervejaria Dádiva, localizada em Várzea Paulista (SP). O diretor da Dalata Brasil, Alex Levorin, conta como ocorre o processo de envase desde o acordo com os clientes até o produto final: “Após negociar o preço, enviamos a planta técnica das latas para criação dos rótulos e, ao finalizarmos a arte na gráfica, esperamos aprovação do cliente. Em seguida, realizamos a produção dos clichês – peça que faz a transferência da tinta para o rótulo – e posteriormente dos rótulos, então aplicamos nas latas. A partir disso, marcamos a data de envase e levamos as latinhas já rotuladas e o nosso equipamento de envase”.

Confira passo a passo da instalação do maquinário móvel de envase da Dalata Brasil:

Futuro positivo

São movimentos que mostram as possibilidades de crescimento do mercado de latas de alumínio no Brasil. Em 2014, cerca de 294,2 mil de latinhas foram consumidas, sendo que, 289,5 mil do total passaram por processos de reciclagem. Líder Mundial, o Brasil recicla 98,4% das latas de metal, uma enorme conquista comparada a média de reciclagem dos outros países (75%).

Segundo estimativas da Abralatas, mesmo com a baixa produção/consumo de bebidas em geral – comparado ao ano passado – o cenário é adverso, pois as vendas de latas de alumínio irão obter um crescimento entre 0% a 1% em 2016. A Associação reconhece que a embalagem de metal leve vem, progressivamente, ganhando mais espaço na preferência do consumidor, principalmente porque alguns mitos foram desmontados. Criou-se, por exemplo, um de que a cerveja não era de boa qualidade na lata. Mas, hoje, as principais marcas encontraram na lata de alumínio a embalagem ideal para preservar o sabor da bebida.

Nicanor Rocha, da Novelis, ressalta a importância dessa vantagem às empresas: “Atualmente, a sustentabilidade passou a ser um critério de escolha de alguns consumidores e, certamente a lata é a opção mais “verde” no mercado. Onde há venda de lata, há também coleta seletiva. Por essa razão, as empresas podem associar a sua marca com uma embalagem sustentável, que utiliza menor quantidade de água para sua produção”.

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