Embalagens

Bandejas de alumínio

Já populares nos mercados europeus, ganham destaque no nicho de pratos congelados por atender ao dinamismo de um novo estilo de vida

ANA MARIA CAMARGO 21/06/2016
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A mudança no estilo de vida do consumidor brasileiro tem refletido em sua alimentação. Devido à rotina dinâmica, tem-se optado por pratos congelados em busca de otimização de tempo e controle da dieta, mas sem abrir mão do sabor e a qualidade dos alimentos caseiros. E quem vem se beneficiando desta crescente é o segmento de bandejas descartáveis de alumínio.

Devido às suas características, o metal contribui para a manutenção da qualidade da refeição. “O processo de congelamento de alimentos em contêineres de alumínio é mais rápido, evitando contaminações e mantendo as características do prato”, explica Nataly Yoshino, gerente comercial para o mercado de embalagens da Votorantim Metais – CBA. Ela sinaliza que este é um mercado estratégico, com muito potencial de crescimento. “Podemos oferecer acabamentos coloridos e diferenciados, e que chamam a atenção do cliente na gôndola, principalmente do público jovem”, explica.

Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens, reforça a tendência da aplicação e as oportunidades presentes no segmento. “Basta observar a compra ‘casada’ que muitos pontos de venda promovem de bandejas descartáveis de alumínio com cortes ou produtos que necessitam de uma assadeira”, aponta. Enquanto por aqui essas embalagens ainda estão mais restritas a rotisseries, padarias e empresas que oferecem refeições congeladas, com proposta de alimentação saudável, nos mercados europeus a presença é uma constante. “Na França é possível encontrar a embalagem para sobremesas geladas; no caso da Inglaterra é praticamente a única alternativa para cortes de carnes, aves, peixes, pré-preparados ou simples”, enumera Assunta.

TRADIÇÃO

Andrew Streeter, diretor da consultoria britânica CPS International, especializada em consumo de embalagens, com atuação em mais de cinco continentes, endossa o pioneirismo e tradição da bandeja de alumínio no mercado local. “No Reino Unido somos um mercado muito avançado para refeições prontas e acompanhamentos”, diz. O uso de contêineres de alumínio é generalizado nos principais supermercados e as marcas varejistas são dominantes neste setor.  A bandeja descartável de alumínio também traz em sua essência “as vantagens de cozinhar sem esforço versus reaquecer”. “Pelo fato de também poder ir ao forno, se encaixa bem em um estilo de vida contemporâneo, onde se pode desfrutar um copo de vinho enquanto espera para cozinhar, ou tomar um banho, se você acabou de chegar do trabalho. Relaxar. E, em seguida,servir-se de algo que é notoriamente saboroso e autêntico”, discorre Streeter.

Ele aponta para a ligação entre o quão avançada a sociedade está na exigência de refeições prontas e as aplicações em embalagens. “No Reino Unido esperamos por qualidade e preço acessível. Em outros lugares, como na França, onde eles estão dispostos a estar mais tempo preparando alimentos, o mercado de refeições prontas é menor e possui ofertas limitadas, como bandejas em PET”, compara. No entanto, a consultoria já tem identificado aplicações de bandeja de alumínio na Bélgica, para alguns componentes de refeição – “e os belgas são grandes entendedores e apreciadores de refeições” – e também no Japão.

TENDÊNCIA

O movimento se comprova. Na última edição da feira internacional da indústria alimentícia, a Anuga Food Tec, realizada em outubro de 2015, na Alemanha, foi notório o crescimento de soluções com o metal, como avalia Matthias Schlüter, gerente de produto da feira. “A participação da indústria de embalagens de alumínio cresceu significativamente nas últimas edições. Em 2015 nós recebemos 24 companhias deste setor, um forte crescimento em comparação aos 13 expositores que compareceram na edição de 2012”, diz.

Uma das soluções que chamaram atenção foram justamente as bandejas descartáveis de alumínio para pratos prontos congelados. Como é o caso da BM Gastronomia, empresa italiana do mercado alimentício. Segundo Roberto Casaretti, diretor da companhia, a solução apresentada durante a Anuga foi resultado de contínua pesquisa sobre materiais e embalagens. “A inovação é uma das alavancas mais importantes para a BM Gastronomia, mas devemos saber como combinar os elevados padrões de qualidade de nossas tradições gastronômicas, e apresentar ao consumidor um produto de qualidade e cuidado, com sabor caseiro”, diz.

A solução embala produtos tradicionais da cozinha italiana como massas (lasanha com ragu, nhoque à romana), além de peixes e frutos do mar (camarões cozidos no vapor, filé de pescada), e, segundo Casaretti, o alumínio reproduz o cozimento ideal no forno, “rápido e suave, com a garantia de que não serão alteradas as características do produto, além de uma shelf life de até 45 dias”.

MERCADO

Guido Aufdemkam, diretor executivo da Alufoil, aponta que, como em muitos outros países emergentes, o Brasil está usando mais embalagens para atender às necessidades o consumidor. “A crescente classe média exige uma gama maior e mais sofisticada de produtos alimentícios e de bebidas que requerem embalagens mais avançadas, como os recipientes feitos a partir de folha de alumínio.” Claudio Leite, gerente comercial de especialidades da Novelis, fornecedora de laminados para o segmento de embalagens semirrígidas, concorda com a mudança no perfil do consumidor brasileiro, que tem buscado mais praticidade nas embalagens. “Para nós, enquanto indústria, é importante desenvolvermos produtos adequados para o segmento de congelados, ou seja, que possam percorrer o caminho do congelador à mesa”, avalia.

Uma das estratégias é orientar o consumidor sobre as vantagens e possibilidades das embalagens. Como é o caso de Deise Silva, sócia na empresa Congelados da Nice, que comercializa pratos prontos para congelamento, e que reconhece as vantagens do alumínio. “Ainda estamos em processo de adaptação, principalmente com clientes novos. Quando envio as embalagens, uma parte é de alumínio e eu explico sobre o uso no micro-ondas”, conta. Segundo ela, essa é uma das principais barreiras. Nataly, da Votorantim Metais – CBA, refuta o mito de que o alumínio não pode ir ao microondas: “É seguro, basta seguir as orientações, como ter o recipiente preenchido em cerca de 90%, centralizar a embalagem dentro do aparelho e usar a tampa adequada para micro-ondas”, explica e também ressalta o pós-uso como outro ponto a favor, já que “a embalagem possui fácil descarte e ocupa pouco volume”.

Leite aponta que o único desafio da logística reversa dos contêineres de alumínio está na questão do resíduo de alimentos. Segundo ele a Novelis utiliza a liga Master, que basicamente é a mesma liga utilizada para produção do corpo da lata, conhecida como 3104. “Esse metal possui alto conteúdo reciclado e, por isso, é ainda mais sustentável, pois sua pegada de carbono é menor”, diz.

Streeter, da CPS, fala que a indústria de embalagens não existe apenas para responder às solicitações dos clientes, mas para conduzir o mercado utilizando a inovação e a manipulação. “O estilo de vida é a tendência-chave no mercado de embalagens e, no caso de alimentos, a conveniência é um componente crítico”, diz. E o setor do alumínio está mais do que pronto para atender a esses requisitos.

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