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Segmento de folhas de alumínio para uso doméstico aposta em inovação e amplia participação em outros nichos

05/01/2017
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Além do talento culinário e ingredientes de qualidade, no preparo da famosa iguaria francesa, a Terrine de Foie Gras, há uma peça-chave: a folha de alumínio. “Sem vazamentos, a folha de alumínio envolve o fígado e os temperos; e tanto na geladeira quanto no forno,ela garante além da cor e do sabor, a higiene total do alimento”, explica o chef de cuisine Raphael Santos, que em seus 10 anos de experiência já atuou em restaurantes de chefs aclamados, como Alex Atala, que comanda o D.O.M.

A folha de alumínio de uso doméstico já tem seu lugar reservado nas cozinhas do mundo inteiro, seja para o preparo de pratos gourmet até os mais simples do cotidiano. De acordo com Fabio Zveibel, gerente de marketing estratégico da CBA, sua preferência deve-se às características do metal, que o tornam resistente às variações de temperatura e fazem barreira contra luz e gases.

Ayrton Filleti, diretor técnico da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) explica que mesmo com a retração econômica, o setor está estabilizado: “O consumo total de folhas de alumínio no Brasil em 2015 foi de 87 mil toneladas”, diz. Cláudio Leite, gerente comercial de especialidades da Novelis América do Sul, completa: “A participação da folha de alumínio em todo o consumo no mercado brasileiro é de 11% — um ponto percentual a mais do que o ano passado”.

Novidades

A consolidação desse setor possibilitou que as empresas investissem em inovação. Um dos exemplos é a própria Novelis: “De uns anos para cá, temos feito modificações na composição química para melhoria do produto. Além disso, atualmente, atendemos com a liga 8079, mas estamos realizando testes com material de maior conteúdo reciclado”, comenta Leite. A Royal Pack, fabricante de embalagens para uso doméstico, enfatiza que a folha é o principal item de seu mix. “A folha de alumínio é o nosso ‘carro-chefe’ de vendas. Por isso, investimos em um processo produtivo com embalamento de forma automática, o que possibilita menor tempo de exposição ao ambiente”, relata Vânia Pereira, diretora comercial da empresa.

O visual das embalagens também foi dinamizado e, hoje, algumas marcas apostam na customização da superfície da folha, oferecendo um produto com maior valor agregado. A Boreda, fabricante de embalagens de alumínio, reconhece que é um momento oportuno para inovar e anuncia estar com novos produtos com esse tipo de proposta: “Está em fase de desenvolvimento uma nova linha de folhas voltadas para datas festivas — como o Natal —, que terão uma identidade visual associada ao tema”, diz Giovanni Gabriel, gerente de marketing da Boreda.

“Novos” mercados

Outra aposta tem sido nos formatos e a clássica folha de alumínio está ocupando novas áreas de atuação. Cadu Migliorini, gerente de marketing da Wyda, conta que a companhia já aderiu ao movimento: “Estamos desenvolvendo uma folha de alumínio com 12 cm de largura, para atender à demanda específica de cabeleireiros, pois é ideal para o manuseio e o trabalho com mechas, tinturas e tratamento capilar”. Mais uma novidade da indústria de embalagens são as folhas de alumínio “pré-cortadas”, produzidas com uma espessura diferenciada, para sanduíches e outros quitutes no segmento food service, e também para o uso em narguilés, um cachimbo de água de origem oriental.

“A folha de alumínio é um produto que já está no hábito do consumidor. Mais do que uma solução sustentável para a produção de embalagens, o maior benefício do alumínio é a sua versatilidade, que transforma a segurança e diversos produtos em referência de confiabilidade”, diz.

Mediante a demanda, não só as tradicionais fabricantes viram uma oportunidade para ampliar os portfólios. Um dos exemplos é a Hookah Narguilé, que passou a comercializar sua própria versão: “A cada sessão, que dura em média de 20 a 40 minutos, é utilizada uma folha de alumínio. A procura desse item só tem aumentado e atualmente comercializamos de dez a vinte mil packs por mês”, conta Carlos Eduardo, responsável pelas vendas da marca. A folha, em especial para narguilés, tem um formato quadrado de 14×14 e uma espessura de 0,12 mm e 0,14 mm, podendo ser liso ou pré-furado no centro, dependendo do desejo do cliente.

A marca Vertix Professional, especializada em produtos de beleza profissionais, também precisou atender à demanda. Com uma gama de soluções para salões de beleza, a folha de alumínio específica para coloração de cabelo é uma de suas apostas, em duas versões: na primeira, as folhas já estão cortadas e organizadas em uma caixa, prontas para puxar — o que facilita o trabalho do cabeleireiro ao realizar mechas e reflexos; já a outra é um rolo acoplado em uma caixa com serrilha, assim a folha pode ser cortada no tamanho que o profissional desejar.

Segurança

O sucesso da folha está atrelado à sua segurança, o que desencadeia uma preocupação com a qualidade do produto, como aponta Filleti, da Abal. Com o compromisso de promover e comprovar a qualidade dos produtos, o Comitê de Estudos de Produtos Laminados de Alumínio, da ABNT/CB-35, em colaboração com os fabricantes do setor, revisaram a norma NBR 14761, responsável pelos parâmetros dessas embalagens, e já se encontram em consulta pública até a conclusão da análise. “Destaco a importância de seguir rigorosamente a espessura da folha para não comprometer a qualidade da embalagem”, diz.

Paulo Nakamichi, coordenador do comitê de Estudos de Produtos Laminados da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), expõe mais detalhes sobre os critérios exigidos pela norma: “A NBR 14761 define as medidas dos produtos, a espessura mínima é de 10,5 micra, o comprimento mínimo é de 7,5 metros e as larguras de 30 e 45 cm”. Ademais, o especialista alega que a lei também abrange as características químicas e físicas, que excluem, principalmente, ligas de alumínio que contêm metais proibidos por normas nacionais e internacionais. “A folha é muito fina e para chegar à espessura ideal o alumínio não pode conter metais pesados, como o chumbo. O mercado só trabalha com alumínio puro, mas é preciso disciplinar”, explica Filleti.

Zveibel, da CBA, conta que os parâmetros são medidos durante o processo de fabricação da matéria-prima e inspecionados no momento da entrega, mediante avaliação do laudo técnico e ensaios realizados em laboratório. Apesar da “fragilidade” aparente, a resistência da folha é um dos seus diferenciais. Por ser um material com condutividade térmica, de alto ponto de fusão, a 650°C, o cozimento do alimento é mais rápido, sem perder seus nutrientes e frescor. Zveibel, da CBA, reforça a questão da segurança: fornos de uso doméstico e industrial atingem, em média, 310 °C. “Isto é menos que a metade que a folha é apta a suportar”, diz.

Economia

Além disso, o alumínio também garante o caráter sustentável da folha. Neste ano, com o apoio do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC) e da ABNT, foi lançado o Sistema de Medição e Certificação da Pegada de Carbono de Produtos. A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) foi uma das participantes, que teve atestada a baixa quantidade de carbono na produção de folhas de alumínio. No total, das vinte empresas participantes, quinze foram aprovadas, sendo que todas na categoria alumínio conquistaram o certificado.

O uso da folha também contribui na redução do desperdício de alimentos. A campanha global Save Food, em parceria com a Organização das Nações Unidas, é uma grande incentivadora das embalagens de alumínio: as famílias podem armazenar sobras de comida com facilidade, envolvendo-as em folhas ou embalagens de alumínio, diminuindo a porcentagem de desperdício, que chega, por ano, a 30% do alimento produzido.

O chef Raphael Santos comenta como isso ocorre na prática: “A folha de alumínio está relacionada à economia dentro do restaurante. Por ser multifuncional, já utilizei para envolver alimentos com cheiro forte dentro da geladeira, evitando a contaminação cruzada das comidas e garantindo a sua conservação”. O profissional enfatiza que para quem trabalha na área de alimentos e bebidas, a preocupação não é somente com o sabor dos alimentos: “É uma grande luta contra o desperdício de recursos”.

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