Mercado

Perspectivas da indústria para 2017

Milton Rego, presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio, fala sobre as expectativas para o mercado do alumínio, que sinaliza retomada no segundo semestre

18/01/2017
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O ano de 2016 foi marcado pelo delicado momento da economia brasileira. Especialistas apontam que vivemos uma crise em U, ou seja, com um período de retomada mais longo. A recessão econômica influenciou na queda da demanda interna no país, mas a indústria do alumínio se manteve firme, como analisa Milton Rego, presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). “Estamos em um período de reestruturação da economia, que é fundamental para construirmos bases mais sólidas de desenvolvimento. Dentro desse cenário, o mercado de alumínio continuou com a sua dinâmica do aumento de novos usos e da substituição de outros materiais. Isso é importante, a recessão não modificou essa tendência”.

O presidente destaca a política da Abal para o país, que se resume na competitividade em toda a cadeia do alumínio, desde a mineração de bauxita até a produção de produtos finais. “Essa integração é que pode garantir uma competitividade estrutural. Dito isto, seria muito importante para o Brasil deixar de ser um importador líquido do metal”, avalia.

PARCERIA

Uma das ações da entidade para garantir essa constante evolução da indústria nacional, é o Projeto Rota Estratégica da Cadeia Brasileira do Alumínio 2030, desenvolvido em parceria com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial. O estudo tem como objetivo refletir sobre essa evolução, tentar entender para onde apontam e assim garantir a competitividade e a saúde da indústria do alumínio no país.

“Com a iniciativa, esperamos identificar e construir rotas estratégicas, bem como uma agenda de ações convergentes orientadas para a inovação e o desenvolvimento sustentável de cada elo dessa indústria”, complementa Rego. O projeto está sendo desenvolvido pelo grupo Observatórios, do Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), e conta com a parceria do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) São Paulo, uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Paralelamente à estes movimentos, a indústria apresentou números positivo em 2016, como o aumento significativo nas exportações do metal primário. Os primeiros onze meses somaram 300 mil toneladas, um aumento de 9% em relação ao mesmo período em 2015. Os volumes da Hydro e da Companhia Brasileira do Alumínio (CBA) mais do que compensaram a queda de exportações do consórcio japonês da NAAC (Nippon Amazon Aluminium Co Ltd.) ao Japão, seguindo o contrato anual da empresa com a Alcoa, no qual a última recebe metal no Brasil e vende o volume equivalente de lingotes para o Japão a partir de suas fábricas globais.

Este impulso nas remessas levou o Brasil de volta à uma posição importante de exportador líquido, em 2016. Já as importações de alumínio primário, em novembro, somaram aproximadamente 226 mil toneladas – sendo que, em 2014, após uma série de cortes de capacidade na indústria, o país era também um importador líquido de alumínio primário.

DEMANDA

A mudança para a exportação em 2016 fez mais sentido, levando em consideração os preços baixos de energia na primeira metade do ano, o que reduziu a atratividade da venda de energia autogerada e encorajou a produção de alumínio novamente. Além disso, o fortalecimento do dólar americano ante o real brasileiro proporcionou incentivo para os produtores brasileiros exportarem. Porém, estes principais drivers perderam forças no final de 2016: os preços da energia voltaram a subir, a moeda se estabilizou e os prêmios brasileiros começaram a ser retomados.

Rego acredita que na segunda metade de 2017 a demanda aumentará, já que a agenda política brasileira atrasou um pouco a recuperação da economia. “O mercado de alumínio no Brasil, nos últimos anos, tem uma elasticidade com o PIB próximo de 2. Se o PIB cresce 1%, o mercado cresce 2% e assim sucessivamente”, explica e lembra que há também demandas pontuais, como os investimentos em geração e distribuição de energia.

Mas garante que a recuperação acontecerá junto com a retomada da economia. “O mercado irá crescer mais do que a média da economia, justamente pelo fato de que a taxa de utilização do alumínio na sociedade continua crescendo”. Previsões da  empresa britânica Metal Bulletin apontam que o consumo de alumínio deve cair 8% em uma base anual, liderado pelos setores de construção e automotivo. De acordo com Rego, os mercados de Fios e Cabos devem apresentar dados positivos em 2017 e “além disso, as exportações de Bauxita e Alumina devem continuar crescendo”, prevê.

PRODUÇÃO

Dado o alto nível de incertezas relacionadas à recuperação econômica do Brasil, a Abal espera que a produção se mantenha estável em 2017, após aumentar para 800 mil toneladas em 2016. No ano anterior, apenas a produção de Albras e CBA gerou 772,2 mil toneladas de alumínio primário. “A Abal tem como política do Brasil ser competitivo em toda a cadeia do alumínio, desde a mineração de bauxita até a produção de produtos finais. Essa integração é que pode garantir uma competitividade estrutural. Dito isto, seria muito importante para o Brasil deixar de ser um importador líquido do metal”, avalia o presidente-executivo da Associação.

Ainda segundo a Abal, devido à demanda limitada de alumínio importado, o governo brasileiro deverá anunciar uma redução da cota de lingote importado isento de impostos ainda em janeiro. Caso haja o aumento da demanda, é possível que a exportação não volte a crescer em 2017.  A última previsão de crescimento do PIB do boletim Focus (+0,5), o crescimento no consumo doméstico de produtos de alumínio seria de 1%. “Neste cenário, a melhor estimativa  é que os volumes de importação e exportação sejam mantidos. Mas, sempre existe o esforço da indústria em substituir as importações e também ganhar novos mercados de exportação”, conclui Rego.

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