Transportes

Alumínio para todos

Marcas de motocicletas atendem demanda do consumidor e passam a oferecer modelos de entrada com rodas em liga leve direto de fábrica

VITOR VALENCIO 22/06/2016
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Segundo dados da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas e Ciclomotores (Abraciclo), o Brasil possui frota de mais de 24 milhões de motocicletas, sendo o sexto maior produtor mundial do mercado – que está cada vez mais democrático. As cobiçadas rodas de liga leve de alumínio, que antes prestavam suas vantagens apenas aos modelos do segmento premium, passaram a marcar presença também nas versões mais populares. Desde 2015, as linhas Fan e Titan que compõem o modelo mais vendido do Brasil, pertencente ao portfólio da Honda, passaram a sair de fábrica com 100% de suas unidades com rodas em liga leve.

Em 2014, a participação do alumínio nas rodas era apenas em 25% das unidades produzidas. Tamanho salto foi possível devido a uma decisão estratégica da montadora: implantar uma nova unidade interna de fundição do metal, unificando toda a cadeia produtiva em um único lugar. “Absorvemos desde o processo de fusão do alumínio com fornos automatizados, além de automações nos processos de injeção, acabamento, tratamento térmico, usinagem e montagem. Desta forma, houve aumento considerável da eficiência produtiva, redução dos desperdícios e, consequentemente, redução do custo”, revela Arlenilson Lima, gerente de produção na Honda da Amazônia. A implantação da nova fundição contou com o ‘know-how’ da Honda Engenharia, do Japão, e investimento em treinamento dos funcionários envolvidos no processo. A Honda também contou com a contribuição da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), que intermediou o processo de capacitação* ministrado pelo engenheiro metalurgista e de materiais Jefferson Malavazi, colaborador da entidade. “O treinamento surgiu por iniciativa da própria Honda, pois em 2014 alguns  funcionários participaram de um curso de fundição sob pressão na sede da Abal”, explica Malavazi.

  • Para otimizar processos, a Honda decidiu internalizar a fundição de alumínio e buscou a Abal para ministrar um curso sobre o tema para os funcionários;

  •  O engenheiro metalurgista Jefferson Malavazi ministrou o curso para colaboradores das três áreas de fundição da Honda;

  • Agora, a Honda possui rodas de liga leve de alumínio em todos os seus modelos Fan e Titan, atendendo à demanda do mercado;

  • Atualmente, a fundição instalada em Manaus movimenta mais de 10 toneladas de alumínio por dia.

DEMANDA

“Nosso pensamento é de sempre termos iniciativa em tudo que vai ao encontro das necessidades de nossos clientes independentemente da concorrência”, sinaliza Lima, da Honda. Segundo ele, uma questão determinante para a aposta no alumínio é que toda a sucata dos processos pode ser refundida novamente sem grandes perdas. Além disso, a utilização do metal em componentes para motocicletas tem como uma das principais vantagens a redução de peso, além da simplificação do processo e da cadeia produtiva.

Os modelos da marca comercializados com rodas de liga leve tiveram uma boa aceitação no mercado mesmo em linhas de entrada da marca. Por isso, a Honda também aumentou esta participação de 39% para 42% na Honda Biz 125, a mascote da montadora. O que reverte em vendas: mesmo em um cenário econômico de retração, os modelos mais vendidos por categoria são os que possuem roda de liga leve. “Hoje, eles representam 40% do portfólio geral”, revela o executivo da Honda. Lima aponta que um dos principais diferenciais está no design diferenciado, que possibilita tornar “os modelos com visual ‘agressivo’, uma preferência de uma parcela dos clientes”.

A Honda deu um salto no uso de alumínio em seus modelos Fan e Titan: de 25% para 100%, no intervalo de apenas um ano

Ronaldo Oliveira, engenheiro da Traxx no Brasil, fabricante chinesa de motos, reforça a demanda do consumidor por um visual arrojado, o que, por sua vez, estimula a concorrência no mercado. “As montadoras, na busca por mais vendas e aceitação do cliente, inovam a cada momento e oferecem variedade nos formatos de liga leve, que é a preferência do consumidor. Pois o aspecto da roda de aço costuma ser sempre o mesmo”, analisa. Além das vantagens mecânicas e estéticas, Oliveira destaca que uma das vantagens da roda de liga leve é a manutenção mais fácil e barata. Nesse caso o pneu da motocicleta não precisa de câmara e por isso não seria necessário desmontar a roda em caso de um pneu furado, por exemplo. “Além disso, a perda de pressão é lenta, quando perfurada. O aquecimento é menor e o número de itens reduz o custo da manutenção, pois torna o conjunto mais leve e com maior facilidade nas montagens e desmontagens”, conta.

Sustentabilidade na mira: fator determinante para o uso do alumínio é que todo o scrap dos processos pode ser refundido novamente

MERCADO

A filial da Traxx, em Manaus, ainda importa os kits de peças de alumínio. Oliveira pontua que mesmo com o custo do processo de produção em alumínio superior ao da roda de aço, é preciso investir. “Não se pode continuar oferecendo os mesmos modelos, enquanto a maioria das montadoras já fornece rodas de liga leve”, diz. Seguindo a tendência do mercado, outra gigante do setor também vem apostando no alumínio em versões intermediárias. Atualmente a Yamaha possui quinze modelos com roda de liga leve direto da fábrica: YBR 125 Factor ED, YBR 150 Factor ED e Fazer 150 ED. De acordo com Luiz Alberto Lopes, diretor superintendente da SPS – Suprimentos para Siderurgia, apesar da instabilidade econômica o fornecimento de alumínio para o mercado de motocicletas novas movimenta cerca de 4 mil toneladas por mês no Brasil, distribuídas entre ligas secundárias para fundição sob pressão, ligas semiprimárias para fundição sob baixa pressão e primárias, para fundição por gravidade, como no caso das rodas de liga leve. Além disso, é preciso considerar a movimentação de cerca de 700 toneladas por mês para a fabricação de peças voltadas ao mercado de reposição, o chamado ‘after market’, basicamente localizada em pequenas e médias fundições no interior do Estado de São Paulo.

Com uma das maiores frotas do mundo, o mercado de motocicletas brasileiro movimenta atualmente cerca de 4 mil toneladas de alumínio por mês

Além das rodas, as motos também podem contar com o alumínio para produzir diversos itens, como alças, suportes e os blocos de motores, cujas carcaças são fundidas em alumínio, garantindo o aumento na robustez e eficiência no desempenho.

As possibilidades de aplicações do alumínio em modelos de entrada têm se mostrado uma tendência, se espelhando no segmento premium de motocicletas, que contam com modelos de luxo onde as possibilidades de aplicação do metal leve se expandem ainda mais. Como é o caso da marca Harley Davidson, que reconhece como principais características do material a boa resistência mecânica e dissipação térmica, rigidez e com menos consumo de insumo. “Temos um produto mais seguro, durável e de alta confiabilidade. Isso com certeza solidifica a marca e o produto dentro do mercado”, afirma Flávio Villaça, gerente de Marketing, Produto e Relações Públicas da Harley-Davidson do Brasil. Boa notícia para o consumidor, que pode escolher com qualidade.

 

 

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