Transportes

Futuro sobre rodas

Apesar das dificuldades econômicas, indústria do alumínio e implementadoras seguem apostando no metal na hora da inovação e apresentam novidades para o segmento

04/05/2016
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Mesmo com um evento menor este ano, o 20o Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga, a Fenatran, não perdeu sua força e contou com a participação de empresas com disposição para investir e inovar em implementos rodoviários. “Temos a perspectiva de que o mercado voltará a crescer a partir de 2016, se obtivermos juros de até 12% ao ano. Com essa taxa, o mercado compra. Ao lado disso, nosso pleito com o BNDES é de retomarmos patamares históricos de financiamento, de 70% a 90%. Para isso, estamos nos organizando em uma coalizão, junto com Fenabrave e Anfavea”, declarou Alcides Braga, presidente da Anfir – Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, durante a coletiva na Fenatran. Apesar da queda no setor de transportes, empresas da indústria do alumínio e implementadores seguem apostando no metal. Entre as novidades apresentadas, o material foi a opção daquelas que buscam diminuir o peso de seus caminhões, economizar combustível e promover maior capacidade de carga.

Investimento

A Noma foi uma das empresas que surpreendeu. Os produtos apresentados são resultado de três anos de pesquisa e parceria com especialistas europeus. Como é o caso do modelo Bitrem Silo Cimento, cujo desenvolvimento foi feito em parceria com a empresa italiana Menci, com know-how no segmento de implementos em alumínio. Com ganho real de até cinco toneladas a mais de capacidade de carga em comparação com produtos em aço carbono.

Já o Rodotrem Basculante Alumínio um lançamento inédito no mercado brasileiro, capaz de proporcionar ganho real de pelo menos três toneladas por viagem ao transportador – dependendo da configuração – e ainda permite alcançar menor consumo de combustível quando trafegado vazio. “Queremos demonstrar, com dados reais, que nossos produtos trazem economia e maior ganho ao transportador, e a Fenatran é um excelente palco para expormos nossos predicados”, comentou o presidente da marca Marcos Noma.

Alumínio

A empresa vem se especializando no uso do metal e os frutos já vêm sendo colhidos: durante a feira anunciou crescimento no ranking nacional de fabricantens de implementos, com 12,2% de market share. O caminho da inovação tem sido uma rota importante em meio à crise, sendo uma garantia de vendas e fidelização do mercado. Em 2013, a Noma apresentou um recorde de vendas de 70,1 mil unidades e acredita que, no próximo ano, haverá uma alta entre 6% e 10% no volume de vendas.

Agora a expectativa recai sobre o segundo semestre de 2017, quando terão início as operações da nova fábrica, em Tatuí (SP), que produzirá plataformas para complementar o volume da planta paranaense. O investimento de R$ 75 milhões será revertido numa produção com capacidade para 600 unidades ao mês e a geração de 450 empregos diretos.

Outra parceria positiva foi entre a Novelis e a Heil Trailer para introduzir ao mercado um tanque de alumínio para transporte de combustíveis. Para Fernando Wongtschowski, gerente de marketing da Novelis, os atributos do alumínio agregam valor a produtos como carrocerias, cabines, componentes estruturais e implementos rodoviários de diversos tipos.

O tanque, feito totalmente em alumínio, é mais leve, com uma redução de peso próxima dos três mil quilos por equipamento. Permite carga útil de 4m3 a mais se comparado ao similar em aço carbono e garante segurança ao produto, uma vez que o alumínio não produz faísca em uma situação adversa ou de acidente.

Destaque

A Alcoa chamou a atenção durante a feira com soluções de cinco áreas de negócios: fixadores, nova família de ligas de fundição, laminados, extrudados (com um modelo carga seca) e rodas, com opções de apenas 22,6 kg. Além disso, apresentou o caminhão Alcoa – Arte da Eficiência. Neste, conseguiu redu- zir mais de uma uma tonelada, com diversos componentes de alumínio, como a nova geração de chassi 100% manufaturado em alumínio, desenvolvido em parceria com a Metalsa, que reduz em 40% o peso da estrutura. “O alumínio é um metal infinitamente reciclável, que por ter a mesma resistência que o aço e ser um terço mais leve, é a opção mais eficaz para atender as necessidades do segmento dos transportes”, explica Celso Soares, diretor de Laminados da Alcoa América Latina.

Já a Librelato conquistou uma marca histórica com a venda do seu produto de número 50 mil. O implemento adquirido pelo empresário Enedir Alami, da Itália Transportes, foi um Semirreboque Furgão Alumínio e rendeu até mesmo uma placa comemorativa com um agradecimento por colaborar no alcance desta meta. “Não é qualquer empresa que chega à marca de 50 mil implementos. Isso significa que estamos em crescimento e temos muito respeito pelos nossos clientes. Estamos orgulhosos por alcançar essa marca e poder contribuir para o desenvolvimento do país”, ressalta o diretor comercial da marca, Pedro Bolzzoni. Com 10 mil clientes ativos, representantes pelo Brasil e atuação no Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia, a Librelato tem o objetivo de alcançar 100 mil implementos vendidos – meta ousada, porém que expressa a confiança da empresa no setor.

Vantagens

A aplicação do alumínio nos implementos, embora represente investimento inicial maior, tem garantia do retorno. Um exemplo é o estudo específico sobre o transporte rodoviário de grãos realizado pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC & Logística). No caso foi utilizado um modelo semirreboque tipo graneleiro em alumínio, até duas toneladas mais leve que a mesma versão em aço, de 7 toneladas.

A leveza permite uma série de vantagens como a queda no consumo de combustível, menor desgaste de pneus e, principalmente, o aumento da capacidade de carga. Fatores que refletem em longo prazo: o lucro mensal é três vezes maior em comparação ao modelo em aço. Vantagem que após dez anos de uso permitiria a aquisição de 2,7 novos semirreboques de alumínio. São essas vantagens que asseguram a confiança da indústria na importância da expansão do processo de aluminização do setor de transportes.

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