Mercado

Setores de alumina e bauxita crescem no País

Qualidade de produto e crescente demanda global garantem estabilidade e crescimento

30/09/2016
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Durante décadas do século 18, o Brasil teve suas terras exploradas por homens em busca de ouro. O Ciclo da Mineração, como ficou conhecido, rendeu ao país, ainda uma colônia na época, um status de fonte de riquezas naturais – que sustenta até hoje. Três séculos depois de muita extração e exportação de ouro e diamante das terras brasileiras, o Brasil hoje é novamente uma potência em vários minérios, que são matéria-prima para a indústria de base. Sendo dono da terceira maior reserva de bauxita no mundo, que reverte em expectativa positiva mesmo nos atuais tempos de incerteza econômica.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Alumínio (Abal), em 2015 houve um crescimento de 11,8% na exportação de bauxita, de 9.335 mil toneladas no ano passado, contra 8.352 mil toneladas em 2014. Já de alumina, foram exportadas 286 mil toneladas a mais, quando comparado com o número de dois anos atrás, totalizando 8.468 mil toneladas em 2015 – sem falar do recorde de produção contabilizado: 37.057 mil toneladas de bauxita e 10.451 mil toneladas de alumina produzidas.

Em relação ao comércio externo, o primeiro semestre (período janeiro a junho) brasileiro registrou queda de 11,5% no volume de importações e aumento (em volume) de 21,1% das exportações de alumínio e seus produtos. Na etapa de mineração, há destaque para as exportações de bauxita e alumina (em volume), que cresceram respectivamente 18% e 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Recorde
A bauxita e alumina geraram, respectivamente, receitas de US$ 267 milhões e US$ 2,5 bilhões em exportação no último ano, o que resultou em um superávit de US$ 2,17 bilhões para o setor em 2015. Números que mostram o potencial que o Brasil possui neste mercado, que tem sofrido algumas mudanças, principalmente depois que a Indonésia proibiu a exportação de bauxita – em uma tentativa de renovar o setor nacional de mineração, criando uma lacuna de oferta mundial. No ano passado, os compradores da bauxita brasileira foram Estados Unidos, Irlanda, China e Canadá e os principais mercados consumidores da alumina nacional foram Canadá, Noruega, Emirados Árabes, Islândia, Argentina, Estados Unidos, Catar, China e Rússia.

“Em relação às exportações, o Brasil tem todas as oportunidades para continuar competindo, tanto na mineração de bauxita quanto na refinação de alumina. O país tem os recursos e reservas que o colocam entre os principais produtores do mundo graças à sua estratégica geografia e à proximidade de infraestrutura férrea e portuária”, afirma Otávio Carvalheira, vice-presidente comercial e de desenvolvimento de negócios de mineração da Alcoa, que estima o dobro de vendas de bauxita a terceiros entre 2015 e 2025, e cujas vendas globais deverão triplicar, em comparação a 2015, levando em consideração contratos assinados pela empresa no valor de US$ 410 milhões de dólares no primeiro semestre deste ano.

Expansão
Seguindo o momento de positividade no setor, a Mineração Rio do Norte está se preparando para uma expansão para continuar com o trabalho até 2043 – o que faria a companhia chegar a 64 anos de atividades, tornando-se a operação mais longa da história da mineração empresarial na região. Será feito um aporte de R$ 6,8 bilhões em Porto Trombetas, Oriximiná, no Oeste do Pará. De toda a aplicação, R$ 4 bilhões serão injetados na fase de implantação e R$ 2,8 bilhões em infraestrutura. As reservas atuais de bauxita, que a MRN começou a lavrar em 1979, estão previstas para durarem mais sete anos, até 2023. Atualmente, a mineradora extrai bauxita no platô da Zona Leste, com uma produção anual de 18 milhões de toneladas, gerando 5 mil empregos diretos e indiretos. A ampliação será nos platôs da Zona Central e Oeste. A receita com a bauxita foi de R$ 1,7 bilhão em 2015 e metade das vendas (de R$ 850 milhões) vêm do mercado internacional.

Atualmente, cerca de 80% da alumina produzida no Brasil é destinada à exportação, portanto a posição do país como importador de alumínio, que teve iniciou em 2015, permitiu que houvesse esse direcionamento de alumina para o exterior. Segundo Carvalheira – que também acumula a função de coordenador de Bauxita e Alumina da Abal -, para melhorar as condições de produção de alumínio no país, é preciso estabelecer uma demanda doméstica equilibrada e crescente, além de preços de produção competitivos, tais como o custo de insumos como energia, condições de infraestrutura logística adequada, segurança regulatória e câmbio equilibrado, entre outros fatores.

Com o reconhecimento da boa qualidade do minério nacional o setor consegue colher bons frutos dos investimentos que foram feitos ao longo dos anos e que resultaram em ganho de produtividade nas minas de bauxita e refinarias do país. Há ainda muito o que se fazer para evoluir. E o Brasil, já estabelecido como uma potência neste setor, poderá ser ator de peso no fornecimento global.

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