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Reciclagem do alumínio: dinâmica de mercado

CRU Group examina as tendências emergentes nos movimentos globais da recuperação de sucata de alumínio

Eoin Dinsmore 05/05/2016
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Sucata é gerada de duas maneiras. Uma é no processamento do produto final, seja uma lata de alumínio, de um avião ou de um carro. Esta sucata é denominada pré-consumo, e é muitas vezes devolvida para o semifabricante para o reprocessamento. Conforme a economia cresce e a indústria de transformação se constrói, há aumentos notáveis na geração de sucata pré-consumo. Um exemplo é a sucata gerada na usinagem de uma folha de alumínio da porta de um carro. Na fabricação, quantidades significativas são geradas no processo, por exemplo a criação de espaços vazios onde serão as janelas. Em um exemplo como este, talvez até 40% de sucata pode ser gerada. Na fabricação de aeronaves, a geração pode ser ainda maior. Produtores de semiacabados estão, cada vez mais, tentando manter o máximo dessa sucata pré-consumo dentro do seu ciclo de produção.

A segunda maneira pela qual a sucata é gerada é ao fim da vida de bens acabados. Isso é denominado sucata pós-consumo, e irá refletir a recuperação de partes de alumínio de carros sucateados, aviões e outras aplicações. Também reflete a gerada pelo uso de latas de bebida. O nível de sucata pós-consumo é determinado por dois fatores principais: o volume de produtos com alumínio intensivo que estão chegando ao fim de seu ciclo de vida útil e a proporção desses produtos que é reciclada.

Em uma base global, há uma variação relativamente baixa nos ciclos de vida de utilização final, mas há três divisões claras em termos de período de vida útil pelo uso final. Alumínio em edifícios e aplicações elétricas se mantém em uso por 30-45 anos, enquanto no transporte possui uma vida útil de 12-20 anos. Latas para bebidas têm o ciclo de vida mais curto e podem ser retornadas como sucata e processadas como novas em 60 dias.

A China é o principal importador líquido mundial de sucata de alumínio. Para atender à crescente demanda, importações chinesas de sucata vêm subindo desde o final da década de 1990, enquanto a produção de semiacabados começou a crescer firmemente.

O consumo chinês de semiacabados cresceu exponencialmente, no entanto, a geração de sucata pós-consumo permanece em níveis muito baixos. Isso cria uma grande exigência de sucata importada e a China tem estado em uma posição de processar sucata em um nível rentável. No entanto, as importações de sucata chinesas atingiram o pico em 2010, enquanto a geração de sucata pré-consumo cresceu com estabilidade.

Regiões desenvolvidas como Japão, Europa Ocidental e EUA têm sido grandes exportadores líquidos. O Brasil se mantém como um pequeno importador líquido de sucata. No entanto, o crescimento da geração de sucata em regiões desenvolvidas tem desacelerado e a demanda por semis enxerga um crescimente moderado, o que levará a um declínio na exportação. Isso ocorre enquanto a geração de sucata doméstica chinesa aumenta, preenchendo o gap de importação. Além disso, a regulamentação mais rígida para a importação de sucata chinesa, como a política “green fence” tem reduzido exportações dos EUA.

Avanços tecnológicos, como a separação a laser, estão deixando mais rentável o processo de triagem da sucata de nível menor em regiões desenvolvidas. Em uma base regional, estamos acompanhando Índia e sudeste da Ásia de perto. O crescimento firme na produção de carros aqui está aumentando a demanda por sucata e atraindo materiais que seriam, normalmente, destinados à China.

Eoin Dinsmore
Consultor principal para aluminio primário do CRU Group

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