Entrevistas

Milton Rego: “Futuro é favorável”

Presidente executivo da Abal torce por cenário mais ameno para a economia e sinaliza: "Não vai faltar alumínio".

18/04/2016
A+ A-
Milton Rego, presidente executivo da Associação Brasileira de Alumínio - Abal.
Milton Rego, presidente executivo da Associação Brasileira de Alumínio – Abal.

Está claro que o ano de 2015 foi difícil para a economia brasileira: como foi o desempenho dos principais setores do alumínio?

A previsão para 2015 aponta para queda do mercado doméstico de transformados de alumínio, de 8%, com redução no consumo variando entre os segmentos e produtos. De acordo com nossa previsão, o consumo interno deve totalizar 1.310 mil toneladas. Apesar desse cenário desa ador, a tendência é de aumento no consumo do próximo ano, tanto em função de uma retomada da con ança dos mercados, como pelo desempenho histórico do setor, cujo consumo doméstico de produtos de alumínio cresceu na última década (2005 a 2014) a uma taxa média anual de 6,2%, em função não apenas de fundamentos econômicos, mas por que, nesse período, também se iniciou a substituição de outros materiais pelo alumínio, em especial na indústria automotiva.

Quais os destaques do alumínio em 2015?

Esse novo patamar da taxa de câmbio propiciou uma queda da participação dos produtos importados de alumínio pelos nacionais. Esse processo cou claro em 2015 quando, por exemplo, as importações de chapas de alumínio para a fabricação da tampa das latinhas para bebidas recuaram consideravelmente, em comparação com 2014, após a Novelis iniciar a produção da peça em sua planta de Pindamonhangaba (SP). A Alcoa também está concluindo este ano um investimento de 40 milhões de dólares na laminação de folhas de alumí- nio na unidade de Itapissuma (PE).

Temos acompanhado a queda na produção de alumínio primário no país. Vai faltar alumínio para o mercado doméstico?

Não faltará alumínio, absolutamente. Em primeiro lugar existe também a reciclagem do aluminio, que representa 33% do alumínio utilizado na indústria de transformação. Em segundo lugar, o alumínio é uma commodity de muita liquidez e disponibilidade de estoques no mercado internacional e, dessa forma, não apresenta nenhum tipo de risco em termos de oferta de alumínio primário no Brasil.

Que oportunidades o lançamento do Programa Nacional de Exportações traz para o setor?

Quando ocorre uma depreciação do real, em função dos patamares atuais da taxa de câmbio, o primeiro impacto positivo para o setor é uma substituição das importações por produção nacional. Para as exportações, no entanto, as mudanças ocorrem mais a longo prazo. Em função da competitividade dos nossos produtos e da nossa cadeia logística o aumento das exportações como um todo tende a ser um processo mais lento.

Previsões apontam que a economia brasileira voltará a entrar nos eixos em meados de 2017. Assim, qual a lição de casa da indústria do alumínio para o ano que vem?

No Brasil o setor industrial de um modo geral tem que trabalhar para esse cenário de recuperação, que irá acontecer mais cedo ou mais tarde. Assim uma série de ganhos que podem ser adquiridos. Não são mudanças fáceis, mas que precisam ser encaradas como uma nova política tributária com menos impostos em cadeia, melhoras em termos de logística, serviços, melhor capacitação de mão de obra, disponibilidade de energia competitiva, ganhos em infraestrutura e logística etc. Esses ganhos são possíveis em nosso país, desde que haja investimentos, uma economia mais estável e maior previsibilidade e maior con ança ao mercado.

Assine nossa newsletter Receba as novidade da Revista Alumínio
Formulário de Newsletter