Entrevistas Marcos de Oliveira, CEO Grupo Iochpe-Maxion

Futuro em alumínio

Maxion Wheels investe para ampliar produção de rodas de alumínio, de olho no aumento da demanda impulsionada por design e qualidade

18/10/2016
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entrevista
Marcos de Oliveira, CEO do grupo: “O que faz a diferença na lateral do automóvel são as rodas, não tem jeito. É o que faz o carro ficar bonito”. (Divulgação/Maxion Wheels)

Quem pensa que não é possível “reinventar a roda” é porque ainda não se deparou com a expertise da Maxion Wheels. Referência mundial no segmento de rodas de alumínio e aço, conta em sua carta de clientes com todas as grandes montadoras do setor automotivo. Parte do Grupo Iochpe-Maxion, a produção de rodas representa 80% de seu faturamento; o restante fica por conta da produção de componentes estruturais, Maxion Structural Components. São mais de 60 milhões de unidades por ano, sendo 15 milhões de alumínio — número que tende a crescer com os movimentos favoráveis do setor automotivo. São 33 fábricas espalhadas por 14 países e aproximadamente 14 mil funcionários. No Brasil, o grupo possui uma fábrica em Santo André, que produz 1,7 milhão de rodas de alumínio ao ano. O CEO, Marcos de Oliveira, acredita no potencial que o Brasil apresenta, por isso aposta na nova planta, inaugurada recentemente em Limeira, interior de São Paulo, com capacidade inicial de 800 mil rodas por ano — e estimativa de 2 milhões em uma segunda fase de desenvolvimento. Acompanhando a tendência do mercado brasileiro e o crescente interesse dos consumidores nas rodas de alumínio, a Maxion se vê preparada para atender à demanda e espera que o mix para as rodas com o metal leve chegue a 50%, número que hoje varia entre 30 e 40%. Em função da capacidade instalada atualmente, o maior mercado da empresa é na Europa, mas o Brasil ganha relevância com o passar do tempo. “Entre Itália e Brasil temos os centros de desenvolvimento para rodas mais importantes”, diz Oliveira. Confira.

QUÃO ESTRATÉGICO É O BRASIL, HOJE, PARA A MAXION?

Em função do momento econômico, a demanda encolheu e as operações também. O setor automotivo sofreu muito e os próprios números da produção de veículos leves devem chegar a 2,2 milhões. Caiu bastante. Enquanto estávamos crescendo lá fora, havia uma reestruturação acontecendo no Brasil. Mas a economia vai se recuperar gradualmente nos próximos anos e voltará a ter um papel representativo nos nossos resultados. Por isso investimos em uma nova fábrica de rodas de alumínio, em Limeira (SP), cuja produção começou em junho. O Brasil continua sendo importante para nós.

POR QUE INVESTIR NO ALUMÍNIO?

Estrategicamente é importante crescermos no alumínio, pois o mix de rodas vem aumentando no país. Hoje as rodas de alumínio representam 40%, sendo o restante em aço. E ao longo dos anos esse número vai continuar crescendo até 55%, o que depende da economia. O grande motivador da utilização das rodas de alumínio, no Brasil e no mundo (no exterior, o mix é de 60 a 70%), tem sido a aparência, o design. Com o processo produtivo do alumínio você consegue fazer rodas mais bonitas, com diferentes tipos de acabamento, o que motiva montadoras e cliente final a optar por elas. Hoje a diferença de peso entre a roda de alumínio é muito pouco (no máximo 10%), sendo a estética o drive do mercado. Além disso, o tempo entre o design e o ferramental é mais curto com o alumínio, entre 30 e 40%, além de o custo ferramental ser menor. O que dá mais velocidade nas plataformas, fazendo com que as rodas de alumínio cheguem ao mercado com mais rapidez. O alumínio também tem algumas características de uniformidade e resistência mecânica que podem oferecer respostas melhores no aspecto de dirigibilidade. Ainda há espaço para as rodas de aço, mas se observarmos nossos investimentos nos últimos anos, eles têm sido mais focados em aumentar nossa capacidade em alumínio. Estamos fazendo Limeira e também investimentos fora do Brasil, com 8 fábricas de rodas de alumínio no mundo. Na Maxion, hoje, representam 20% da produção mundial. E no Brasil, com o crescimento esperado, vamos chegar entre 25 a 30%.

AINDA EXISTE NO MERCADO O MITO SOBRE A FRAGILIDADE DO ALUMÍNIO?

Um pouco desse paradigma vem do conhecimento e capacidade que as empresas têm em adequar a aplicação do seu produto no veículo utilizado. O que acontece é que, como as rodas de alumínio são compradas pela aparência e pelo desejo, existe uma tensão maior. Obviamente, uma roda que raspa na guia, ou passa no buraco, dói muito no coração das pessoas. Mas, tudo depende da sua capacidade de engenharia: é preciso uma sofisticação mais adequada, do ponto de vista técnico e de ferramentas, que te permita fazer a modelagem das rodas e atender às suas características técnicas. A roda é um elemento importante pela durabilidade, resistência, impacto, segurança, dirigibilidade. Os designers das montadoras trabalham duro para fazer projetos bonitos de carro. Quando você faz um perfil do carro e coloca um friso diferente, o que faz a diferença na lateral do carro são as rodas, não tem jeito. É o que faz o carro ficar bonito.

O QUE ESTÃO AGREGANDO EM TECNOLOGIA NO MERCADO NACIONAL?

Estamos fazendo uma combinação de equipamentos novos e outros já utilizados em demais fábricas no mundo. Hoje temos capacidade de produzir rodas espelhadas, pintadas, nossa técnica não deixa nada a desejar em comparação a qualquer país. Temos processos patenteados, como o Gemtech de rodas espelhadas, e o Novachrome, para as cromadas. Trabalhamos em parceria com nossos fornecedores do mundo inteiro, desenvolvendo ligas, materiais para acabamento, estilo, design, peso e capacidade de processos. Queremos sempre mais eficiência, para ter um custo competitivo e poder oferecer produtos cada vez mais agradáveis aos consumidores.

HÁ DIFERENÇA NOS MODELOS PARA O PÚBLICO BRASILEIRO E OS DEMAIS MERCADOS?

Há menos hoje. Uma tendência que existia em outros mercados e acontece no Brasil são as rodas espelhadas, diamantadas, que têm um acabamento com um processo de pintura, usinagem e outra pintura, o que era uma coisa não muito comum no passado, mas hoje as montadoras utilizam. Já não existe essa diferenciação, são parecidas com as que entregamos na Europa e EUA.

COMO É TRATADA A QUESTÃO DA RECICLAGEM?

Esse é um processo que não tínhamos no passado e teve início há alguns anos — no Brasil há cerca de 3 anos. Não há reciclagem fora da nossa unidade, reciclamos os chips de alumínio ou rodas sucatadas dentro do nosso processo produtivo. É um processo muito importante que nos permite aumentar a eficiência do nosso processo produtivo e da utilização de matéria-prima. Houve um ganho em economia que justificou o investimento para poder trazer essa capacidade. Já tínhamos esse procedimento em outras fábricas, mas aqui ainda não.

QUANTO A EMPRESA TEM INVESTIDO?

Anualmente são R$ 250 milhões em pesquisas, desenvolvimento, novas fábricas, processos, automação. No momento, focamos o lançamento da fábrica de Limeira e temos projetos de reindustrialização na Europa. E, obviamente, continuamos monitorando o mercado mundial para investir em novas fábricas quando fizer sentido.

QUAIS AS METAS DE CRESCIMENTO NESTE ANO?

O mercado brasileiro sofreu uma queda importante. Se olharmos de 2014 até hoje, a queda em veículos leves foi acima de 40%; em comerciais foi mais de 60%. Período muito difícil e complicado sob o ponto de vista de demanda e produção. A perspectiva nesse ano foi de estabilização de demanda e produção, entre maio e junho. Acreditamos que essa recuperação do setor automotivo vai ser lenta ao longo dos próximos anos. Deve ocorrer em 2017 e 2018, para continuar crescendo. O mercado europeu, por exemplo, chegou ao fundo do poço em 2012 e começou a se recuperar em 2014.

AS RODAS DE ALUMÍNIO SÃO O FUTURO?

Sem dúvida. As de aço não vão desaparecer, mas as de alumínio vão continuar a crescer. É uma verdade inexorável, em função das características. Se você olhar rodas hoje, contra 15 anos atrás, existe uma grande mudança estética, com relação à aparência, pintura, rodas espelhadas, pintadas, em diferentes cores, tem de tudo de acordo com o cliente. Dá para continuar evoluindo bastante.

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