Entrevistas Alberto Fabrini

Presidente do Conselho fala dos desafios e oportunidades

Frente a uma nova gestão na Abal, Alberto Fabrini aponta a necessidade de se enxergar o "alumínio com um sistema"

06/06/2016
A+ A-
Alberto Fabrini Junior é o novo presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Alumínio para o biênio 2015/2017. Atualmente, também ocupa o cargo de vice-presidente executivo de Bauxita & Alumina da Hydro. O executivo integra o Board Corporativo da companhia desde junho de 2014. Com mais de trinta anos de experiência na indústria do alumínio, Fabrini já passou por empresas como Alcoa e Alpart, além de ter sido presidente da Albras e CEO da fábrica da Hydro em Kurri Kurri, na Austrália. (Divulgação)
Alberto Fabrini Junior é o novo presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Alumínio para o biênio 2015/2017. Atualmente, também ocupa o cargo de vice-presidente executivo de Bauxita & Alumina da Hydro. O executivo integra o Board Corporativo da companhia desde junho de 2014. Com mais de trinta anos de experiência na indústria do alumínio, Fabrini já passou por empresas como Alcoa e Alpart, além de ter sido presidente da Albras e CEO da fábrica da Hydro em Kurri Kurri, na Austrália. (Divulgação)

PELA PRIMEIRA VEZ, A NORSK HYDRO PARTICIPA DA PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DA ABAL E ASSUME EM UM MOMENTO DELICADO DA ECONOMIA. O QUE PODEMOS ESPERAR DO PERFIL DESTA GESTÃO?

Nunca antes a indústria do alumínio passou por tantas transformações como nos últimos dez anos. E, por essa razão, a entidade passou por reestruturações para atuar mais fortemente na defesa da competitividade e de questões que hoje são mais sensíveis a toda a cadeia nacional. O Brasil sofre por não ter uma política industrial para a sua indústria de base. É dentro desse enfoque que a Abal deve ajudar na discussão de formas de melhorar a competitividade do setor em meio a grandes mudanças globais.

NA ÚLTIMA GESTÃO FORAM REALIZADAS MUDANÇAS, COMO O NOVO ESTATUTO E A GOVERNANÇA MAIS PARTICIPATIVA. QUAIS OS INDICATIVOS DESTES MOVIMENTOS E COMO REFLETEM O MOMENTO ATUAL?

Essas mudanças refletem na cadeia do alumínio. A Abal decidiu, no segundo semestre do ano passado, fazer uma importante mudança no seu estatuto visando maior participação de diversos perfis de indústria. Além disso, mudanças no modelo de gestão da associação deram maior transparência e agilidade às ações.

ESTAMOS EM UM ANO DE GRANDES EVENTOS E DE EXPO ALUMÍNIO. COMO ESTÃO AS EXPECTATIVAS DO SETOR E AS PREVISÕES DA ABAL?

Para 2016, temos previsão de desempenho um pouco menor que 2015. No entanto, a expectativa é que, novamente, o desempenho do alumínio seja melhor do que os nossos principais setores consumidores e dos materiais concorrentes (como aço, vidro e plástico), por conta da substituição de outros materiais. Além disso, novos mercados, como módulos fotovoltaicos, se incorporam aos setores consumidores. O setor de transportes, apesar das projeções negativas, também continua a sua tendência de aumento da quantidade de componentes de alumínio por veículo, visando maior eficiência energética.

O BRASIL DIMINUIU A PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO PRIMÁRIO EM 40% E TORNOU-SE IMPORTADOR LÍQUIDO DE METAL. COMO O SETOR IRÁ ADMINISTRAR O CONSUMO INTERNO?

Vejo essa questão sob duas óticas. A primeira é que o Brasil está perdendo uma importante oportunidade, como produtor de bauxita e de alumina, que é reforçar toda a cadeia do alumínio: mineração, produção de alumínio e transformação. Não é razoável que um país que tenha as
reservas de bauxita como o Brasil, que tenha empresas capacitadas e investimentos já consolidados, importe alumínio de outros países menos competitivos, seja em termos de matérias-primas seja em termos de sustentabilidade. Outra maneira de encarar a questão é estritamente no que tange a oferta de alumínio. Como o metal é uma commodity com grandes estoques, a indústria de transformação de alumínio situada no Brasil tem à sua disposição uma grande oferta mundial do produto. O que precisamos ter sempre em conta é manter a competitividade de toda a cadeia. Para isso, pessoalmente, eu acho que o país deveria pensar no alumínio como um sistema integrado, desde a mineração de bauxita até o produto final, passando também pela reciclagem. E isso está claro nas decisões que tomam os principais países produtores do metal.

COM A CRISE ENERGÉTICA E O ENCERRAMENTO DE UNIDADES PRIMÁRIAS, QUÃO ESTRATÉGICA A RECICLAGEM TEM SE TORNADO PARA A CADEIA DO ALUMÍNIO NO BRASIL?

A reciclagem de alumínio representa hoje 1/3 da demanda doméstica do metal. O país é um dos líderes no índice de reciclagem de embalagens de bebidas desde 2001. Isso mostra nossa vocação e importância desta etapa do ciclo do alumínio. Apenas em 2014, a coleta de latas de alumínio para bebidas injetou R$ 845 milhões na economia nacional, contribuindo com a geração de renda e empregos para milhares de catadores de materiais recicláveis. Ademais, a atividade de reciclagem consome apenas 5% de energia elétrica, quando se compara ao processo de produção do metal primário. Isso significa que a reciclagem das 289,5 mil toneladas de latas em 2014 proporcionou uma economia de 4.250 GWh/ano ao país, número equivalente ao consumo residencial anual de 6,6 milhões de pessoas, em dois milhões de residências.

COM A PRESSÃO CADA VEZ MAIOR DOS IMPORTADOS CHINESES, QUAL O CAMINHO PARA A PROMOÇÃO DA COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA?

O que estamos fazendo é pleitear condições mais favoráveis para os investimentos na cadeia, disseminar cada vez mais as vantagens e os benefícios do alumínio, ficando sempre atentos para práticas desleais de mercado. Nossa matriz energética é limpa, a nossa bauxita é de excelente qualidade, temos um compromisso com as melhores práticas de mineração, somos líderes em reciclagem de latas e o metal que representamos é o mais leve e infinitamente reciclável.

QUAIS AS OPORTUNIDADES NA EXPORTAÇÃO?

As exportações de bauxita e alumina em 2015 aumentaram 11% e 3%, respectivamente, em comparação com o ano anterior, o que mostra a força do usptream da indústria brasileira do alumínio. Quanto aos produtos transformados de alumínio, a indústria de manufatura no Brasil amargou um período de muita falta de competitividade, especialmente pela apreciação do real em
relação a outras moedas. Eu espero que, com o dólar nesse novo patamar, a indústria de manufaturado de alumínio possa se voltar para o comércio exterior.

QUAL A IMPORTÂNCIA DO NOVO CÓDIGO DE MINERAÇÃO E DE QUE MANEIRA ELE IRÁ IMPACTAR O SETOR?

O Código de Mineração está no Congresso para apreciação. Quando executada em condições corretas – e aí é que deve centrar-se nossa preocupação – a mineração significa, em última instância, desenvolvimento e melhoria das condições de vida. A questão é garantir, do ponto de vista regulatório, que isso aconteça. Cada vez mais, a mineração é um investimento de capital intensivo. Além disso, a maturação dos investimentos é de longo prazo e o dispêndio se dá muito antes que projeto comece a dar lucros. A mineração alavanca muitas atividades indiretas e o desenvolvimento social. É fundamental que todos nós possamos contribuir para um debate aberto e maduro na sociedade sobre esse papel.

POR FIM, QUAL SERÁ O MAIOR DESAFIO PARA O SETOR NO ANO DE 2016?

A situação política e macroeconômica interfere na maioria das previsões para o ano de 2016, referentes ao desempenho dos nossos principais setores consumidores. Como o consumo de alumínio per capita no Brasil ainda é baixo, isso abre muitas possibilidades. As empresas estão investindo para ocupar espaços e isso será visto na ExpoAlumínio e no Congresso, eventos realizados pela Abal agora em junho. Outra questão importante é sobre a sustentabilidade do alumínio, desde a produção até a reciclagem. Existe uma busca de soluções e alternativas mais verdes que estão gerando um novo dinamismo ao setor.

Assine nossa newsletter Receba as novidade da Revista Alumínio
Formulário de Newsletter