A indústria do alumínio vem mostrando sua preocupação em tornar-se cada vez mais competitiva, atendendo às necessidades do mercado e oferecendo soluções que unem qualidade, eficiência, versatilidade, economia e sustentabilidade.
Lançada recentemente, a tecnologia Fusion, da Novelis, permite a fundição de até três ligas diferentes na mesma placa de laminação, ou seja, um centro (alma) com uma liga e duas ligas diferentes nas superfícies. A chapa de alumínio resultante tem propriedades particulares interna e externamente, o que abre caminho para novas aplicações.
Na construção de um barco, por exemplo, o estaleiro pode requerer uma liga de alumínio que apresente resistência à corrosão e, ao mesmo tempo, seja forte. Encontra-se aí um problema. Muitas vezes certa quantidade de um elemento de liga, como o magnésio, pode causar efeito contrário: mais resistência mecânica e menos resistência à corrosão.
A tecnologia da Novelis resolve esse tipo de problema, além de permitir novos produtos, novas possibilidades de design e combinações até então impossíveis.
Se no passado chapas de alumínio com várias ligas só podiam ser produzidos por dispendiosos processos de baixa tecnologia, realizados por meio de revestimento manual da placa, além de ficarem limitados a uma pequena faixa de ligas, hoje o cenário mudou. "A Fusion aumenta as oportunidades de aplicação, principalmente naquelas que exigem demandas de alumínio de baixo peso, como a fabricação de trocadores de calor", explica Robert Wagstaff, Diretor de Pesquisa da Novelis.
Esquadrias
No último Congresso Internacional do Alumínio, organizado no ano passado em São Paulo pela Associação Brasileira de Alumínio (Abal), o artigo "Panorama do Mercado Brasileiro de Esquadrias de Alumínio", de Magda Reis, João Leme Simões e Claudia Oliveira, da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), foi premiado na categoria Inovação tecnológica.
Nesse trabalho, eles mostram a evolução das esquadrias de alumínio (janelas, portas, peles de vidro etc.) na construção civil, até os dias atuais.
"As esquadrias de alumínio ganharam força no Brasil nos anos 50 e 60, com a construção de Brasília. A nossa capital federal foi uma espécie de vitrine. Desde então as esquadrias vêm evoluindo muito", exemplifica a arquiteta Magda Reis. Ela lembraque, no início, utilizava-se no país a técnica européia de trabalhar as esquadrias.
"A CBA criou recentemente um projeto de múltiplas soluções de esquadrias de alumínio inspirado nos modelos asiáticos, mais precisamente na filosofia japonesa que atribui ao produto 'ter alumínio onde realmente é necessário e , onde não há necessidade, simplesmente corta-se'. Numa mesma plataforma de batentes de esquadrias, pode-se criar inúmeras soluções, adequando as necessidades do consumidor às da construtora, tornando-as customizadas e, principalmente, atendendo as normas da ABNT (NBR 6123 e NBR 10821", esclarece José Carlos Noronha, gerente de vendas da construção civil da CBA.
Fornos ecologicamente
Fornos ecologicamente corretos
Em junho de 2006, a Alcoa iniciou um programa para modernizar seu processo de produção de alumínio. "O New Soderberg, desenvolvido pela Elkem, empresa sócia da Alcoa nas unidades da Noruega, emprega uma tecnologia específica para os fornos eletrolíticos que permitirá a redução dos gases de efeito estufa, ao mesmo tempo reduzindo as perdas de matéria-prima e o consumo de energia elétrica.
Para a indústria de alumínio, a redução do consumo da energia elétrica é um diferencial competitivo, já que essa energia corresponde a parte significativa do custo total da produção do alumínio", explica João Batista Menezes, gerente de operações da Alcoa - Poços.
O projeto prevê investimento de US$ 150 milhões para aperfeiçoar os 288 fornos eletrolíticos e para a melhoria operacional dos sistemas em um prazo de dez anos. É parte do Programa de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa - iniciativa global da companhia para buscar ganhos potenciais em cada trabalho ou processo produtivo, não apenas na redução de emissões, mas também em impactos institucionais e financeiros.
Segundo Maurício Born, gerente de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Sustentabilidade da Alcoa América Latina, em 16 meses de operação-piloto, os especialistas monitoraram constantemente o desempenho operacional de seis cubas, que registraram ótimos indicadores. "Esses estudos preliminares comprovam uma eficiente redução dos gases causadores do efeito estufa. Mesmo já estando em conformidade com a legislação, nosso objetivo é alcançar um desempenho ainda melhor", conclui.
Projeto prevê investimento de US$ 150 milhões em 10 anos
O diretor-executivo da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), Olívio Ávila, diz que a inovação ainda tem muito a crescer no Brasil. Para isso, ele afirma, é necessário mudar a mentalidade dos empresários brasileiros.
O que é inovação?
Existem mais de 50 definições para inovação (risos). Mas, de uma forma geral, podemos dizer que inovação é a introdução de novos produtos e processos. E também a modificação dos produtos e processos que já existem.
O senhor poderia exemplificar?
Temos a inovação radical e a inovação incremental. A radical é a descoberta, por exemplo, de um remédio ou uma vacina importante, essa coisa de cruzar a fronteira do conhecimento. Já a incremental é aquela pequena inovação que a empresa faz de tempos em tempos em seus produtos. Comparando um carro dos anos 40 com um carro de hoje, sabemos que os dois têm pneus, câmbio, motor, portas... Só que você não vai querer comprar um carro dos anos 40 porque, olhando os detalhes, você encontra milhares de inovações que tornaram o carro de hoje muito melhor que o dos anos 40.
Como está a inovação no Brasil?
Temos leis federais bem recentes, dos últimos três anos, que dão incentivos fiscais às empresas que investem em inovação. Mas ainda é pequeno o número de empresas que estão utilizando a lei. Não é porque a lei não interessa.
É porque falta conhecimento. Ainda existem muitas dúvidas sobre a aplicação da lei. O que o governo considera inovação? Se eu comprar uma máquina que vai aumentar a minha produtividade, tenho direito aos incentivos fiscais? Se essa máquina vai ser utilizada num teste do protótipo de um produto que eu estou desenvolvendo, tenho direito aos incentivos? É difícil estabelecer o que pode ser enquadrado. Há, ainda, o fato de poderem ter direito a esses incentivos apenas as empresas que trabalham sob regime de lucro real, e não as que estão sob regime de lucro presumido.
Além disso, há algo mais atravancando a inovação no país?
A mentalidade das empresas. Um dos problemas do Brasil é a cultura empresarial daqui, que foi desenvolvida em cima de muita importação de tecnologia. O Brasil, sim, exporta, mas principalmente commodities. A exportação de produtos de maior valor está caindo.
E é justamente a indústria exportadora a que mais se preocupa com a inovação, porque sabe que, ao entrar no mercado europeu, por exemplo, vai concorrer com produtos do Japão, da Coréia e da China, que investem pesado em inovação. Os incentivos fiscais que o governo está dando têm justamente o objetivo de mudar esse quadro, isto é, trazer a inovação para o mercado nacional. Mas, para isso acontecer de verdade, será preciso mudar a mentalidade das empresas.
Entrevista
O futuro da inovação no brasil
O diretor-executivo da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), Olívio Ávila, diz que a inovação ainda tem muito a crescer no Brasil. Para isso, ele afirma, é necessário mudar a mentalidade dos empresários brasileiros.
O que é inovação?
Existem mais de 50 definições para inovação (risos). Mas, de uma forma geral, podemos dizer que inovação é a introdução de novos produtos e processos. E também a modificação dos produtos e processos que já existem.
O senhor poderia exemplificar?
Temos a inovação radical e a inovação incremental. A radical é a descoberta, por exemplo, de um remédio ou uma vacina importante, essa coisa de cruzar a fronteira do conhecimento. Já a incremental é aquela pequena inovação que a empresa faz de tempos em tempos em seus produtos. Comparando um carro dos anos 40 com um carro de hoje, sabemos que os dois têm pneus, câmbio, motor, portas... Só que você não vai querer comprar um carro dos anos 40 porque, olhando os detalhes, você encontra milhares de inovações que tornaram o carro de hoje muito melhor que o dos anos 40.
Como está a inovação no Brasil?
Temos leis federais bem recentes, dos últimos três anos, que dão incentivos fiscais às empresas que investem em inovação. Mas ainda é pequeno o número de empresas que estão utilizando a lei. Não é porque a lei não interessa. É porque falta conhecimento. Ainda existem muitas dúvidas sobre a aplicação da lei. O que o governo considera inovação? Se eu comprar uma máquina que vai aumentar a minha produtividade, tenho direito aos incentivos fiscais?
Se essa máquina vai ser utilizada num teste do protótipo de um produto que eu estou desenvolvendo, tenho direito aos incentivos? É difícil estabelecer o que pode ser enquadrado. Há, ainda, o fato de poderem ter direito a esses incentivos apenas as empresas que trabalham sob regime de lucro real, e não as que estão sob regime de lucro presumido.
Além disso, há algo mais atravancando a inovação no país?
A mentalidade das empresas. Um dos problemas do Brasil é a cultura empresarial daqui, que foi desenvolvida em cima de muita importação de tecnologia. O Brasil, sim, exporta, mas principalmente commodities. A exportação de produtos de maior valor está caindo.
E é justamente a indústria exportadora a que mais se preocupa com a inovação, porque sabe que, ao entrar no mercado europeu, por exemplo, vai concorrer com produtos do Japão, da Coréia e da China, que investem pesado em inovação. Os incentivos fiscais que o governo está dando têm justamente o objetivo de mudar esse quadro, isto é, trazer a inovação para o mercado nacional. Mas, para isso acontecer de verdade, será preciso mudar a mentalidade das empresas.