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| Acabamento é indispensável para a durabilidade do alumínio: sem tratamento, metal escurece e mancha |
O mercado nacional oferece hoje centenas de novas opções: cores especiais nos anodizados, imitação de aço inox, efeito madeira, tintas texturizadas, pigmentos ultrafoscos, novos tons de branco, outras propostas de polimento. No que depender estritamente de beleza, arquitetos e engenheiros podem ousar à vontade, porque hoje a indústria nacional é capaz de produzir tudo o que lá fora é moda no que diz respeito a anodização ou pintura, as duas formas de obter proteção e efeito decorativo para o perfil de alumínio. No entanto, não apenas de beleza ou preço deve ser feita essa escolha. Critérios técnicos, que você vai conhecer aqui, também devem pautar essa decisão e ajudá-lo a exigir do fabricante etapas que garantam a alta performance do acabamento.
A anodização é bem mais tradicional no Brasil, já que está integrada aos processos produtivos desde a década de 1960. A pintura chegou por aqui há cerca de 20 anos. Nos últimos anos, porém, a pintura ganhou mercado rapidamente, especialmente na construção civil, no Sul e Sudeste. Estima-se que, por aqui, a pintura tenha 60% desse mercado, impulsionado principalmente pelos empreendimentos residenciais. No Nordeste, o anodizado fosco natural é ainda prevalente. E, em âmbito nacional, eles se equiparam em percentuais médios – cerca de 47,5% cada, com outros 5% ainda trabalhando sem tratamento.
Seja com a pintura ou a anodização, o tratamento de superfície é indispensável. Um perfil do metal que não receba nenhum tratamento, depois de alguns meses assume aspecto escuro, manchado. Antes mesmo da função embelezadora, portanto, o acabamento tem como função garantir que o material permaneça íntegro, garantindo durabilidade.
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| Perfis anodizados em processo Multicolor, da VM-CBA: tecnologia italiana aprimorada no Brasil |
Anodização
O tratamento por anodização é um processo químico, feito em banhos à base de ácidos e uso de corrente elétrica, que forma uma proteção transparente, isolante elétrica e resistente de óxido de alumínio. Por ser formado a partir dessa reação química do metal, a camada fica perenemente integrada ao perfil – diferentemente da pintura, que se trata de uma camada de depósito de polímero.
Essa característica traz uma das diferenças técnicas entre os tratamentos: a resistência a atritos acidentais. “O material anodizado tem maior resistência porque a proteção está incorporada à matriz metálica. Mas isso se refere unicamente a atritos involuntários, porque nenhum dos tratamentos deve proteger contra tentativas de danificar o material”, explica João Graciolli, engenheiro responsável pela área de tratamento de superfície e acabamento da VMCBA (Companhia Brasileira de Alumínio).
Para que o material resista à oxidação, o ambiente em que será aplicado o perfil também deve ser considerado. Para isso, o mercado oferece três diferentes espessuras de camada anódica, adequadas a ambientes com maior ou menor agressividade. Segundo a norma técnica que regulamenta a anodização (NBR 12609), a menos espessa aceita é a chamada classe A13, que tem de 11 a 15 mícrons de óxido, adequada para instalações em ambiente urbano ou rural. Já a classe A18 (16 a 20 microns) é ideal para o litoral, para suportar o poder corrosivo da maresia.
Ao aumentar a espessura da camada, por meio de banhos até 50% mais extensos, o processo altera o preço final. “O preço da anodização aumenta cerca de 20% a cada salto de categoria da camada anódica”, diz Claudio Martins, gerente comercial da Anobril, que oferece diferentes tipos de anodização e a pintura branca brilhante.
Outro aspecto a considerar é a durabilidade. “Se a construção quer durar 50 anos expondo o perfil aos raios solares intensamente, vale pensar em uma anodização de camada bem espessa ou mesmo feita com produtos resistentes aos raios ultravioleta. Na pintura, o poliéster também é muito estável, mas tem de escolher bem o pigmento e as boas marcas”, diz o engenheiro Jairo Lisboa, consultor de cobertura e estrutura metálica da Makal.
Embora o assunto seja ainda pouco pesquisado, um estudo conduzido por uma empresa americana, na Flórida, submeteu perfis com diferentes tratamentos, a um ambiente atmosférico considerado muito agressivo e os envelheceu por 25 anos. “Nessa pesquisa, sob as condições agressivas, a pintura com tinta convencional foi a que teve menos resistência, de 10 anos. O anodizado teve 15 anos. Depois desse período, começou uma leve degradação. Já a pintura com PVDF [um tipo especial de tinta, também contemplado pelas normas brasileiras], estava intacta ao fim do estudo”, conta Arimatéia Nonato, gerente de engenharia e desenvolvimento de produto da Belmetal.
A experiência nacional, porém, não registra desgaste do anodizado, nem mesmo a longo prazo. “No pintado, eu dou garantia de 12 anos, mas no anodizado posso dizer que a durabilidade é vitalícia”, avalia Guilherme Simoceli, da Olga Color.
Pré-tratamento adequado garante a adesão da tinta ao perfil, evitando possíveis desplacamentos e até o descolamento de uma folha de vidro fixada à esquadria
Cores do anodizado
Além do fosco natural e do fosco ácido, o preto e os tons de bronze já são também tradicionais. Novos no Brasil, os anodizados coloridos começam a ganhar espaço, especialmente em obras de alto padrão e na indústria moveleira. A VM-CBA investiu pesado na criação de uma nova planta que produzisse a linha Multicolor, tecnologia italiana, desenvolvida na empresa em parceria com a Italtecno. Só na nova unidade de anodização, foram R$ 50 milhões dos R$ 243 milhões do projeto todo de ampliação da oferta de serviços.
Para chegar nas oito novas cores da VMCBA (titânio, vinho, azul-marinho, azul-escuro, aço inox, cinza-escuro, verde e verde-amarelado), há um rígido controle de processos, especialmente de temperatura e químicos. Isso porque, para obter a coloração especial do anodizado, há acréscimo de uma etapa química, após a anodização, dedicada a modificar a estrutura do fundo dos poros da camada de óxido, uma alteração da microestrutura que permite a reflexão diferente dos raios de cores.
Setor de tratamento de superfície quer criar, este ano, selo de qualidade que mostra quais empresas e produtos atendem às normas e respeitam o meio ambiente
A Prodec, uma das quatro maiores empresas de tratamento de superfície do país, também tem seis novas cores de anodizado – como verde, inox, iridium e titanium. O sistema de obtenção segue a mesma lógica de microgenia dos poros da camada anódica, mas empresas têm diferentes controles de processos, segredos industriais e, claro, resultados.
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