Firmeza no ar


Alumínio se mantém líder como insumo mais seguro para fabricação de aeronaves e agora busca economia: com nova liga, de densidade 7% menor, mercado terá aviões mais leves


Por Ana Maria Camargo

Desde o final da década de 1920, quando o primeiro avião comercial decolou, o alumínio estava lá, revestindo as paredes, compondo a fuselagem, as asas. Não fosse o metal, as centenas de toneladas não teriam levantado voo e, ainda que levantassem, seria difícil a aeronave resistir a raios e mesmo a pequenos impactos.

 

Não à toa, todos os milhares aviões que hoje cortam o céu mundo afora não prescindem do alumínio. E é um mercado crescente. Acompanhando o salto do poder econômico nos países emergentes, esse segmento deve comportar, até 2030, passageiros suficientes (5% a mais por ano) para uma demanda de 31,5 mil aviões, sendo 23 mil deles novos, segundo estimativas da fabricante Airbus.

 

Para crescer com o mercado, a indústria do alumínio também tem investido em pesquisa e desenvolvimento de ligas que permitam ao metal continuar na liderança como insumo principal para a fabricação do avião. A busca hoje é pela melhoria da eficiência econômica. O setor já tem respostas.

 

Um exemplo recente vem da Alcoa, que anunciou uma solução que promete diminuir em até 10% o peso da aeronave e em 30% os custos de manufatura e manutenção se comparadas às de materiais compósitos, como a fibra de carbono.

 

Eric Roegner, presidente da Alcoa Forjados e Extrudados, ressalta que "o peso mais baixo e as tecnologias aerodinâmicas aumentarão a eficiência do combustível em até 12%, valor que chega a 27% quando se leva em conta os novos motores".

 

Novas soluções de ligas avançadas e alumínio- lítio também figuram no portfólio da companhia e prometem uma densidade 7% inferior em aplicações estruturais e maior resistência à corrosão. Segundo a empresa, melhorias em aerodinâmica para fuselagem reduzirão o arrasto de superfície em até 6%.

 

Apostando nessas novidades, está a fabricante Airbus, que selou um acordo de 1 bilhão de dólares com a Alcoa, para o fornecimento de chapas de alumínio e outros produtos. O intuito é a utilização do material em todos os aviões da fabricante, incluindo o modelo A380, aclamado como o maior avião de passageiros da história, e possivelmente no A350, novo modelo da Airbus que tem previsão de lançamento em 2013.

 

A Embraer, maior fabricante mundial de jatos comerciais até 120 assentos, também aposta nas novidades da Alcoa. As empresas acabam de anunciar novo acordo de cooperação para uso dessas novas tecnologias.

 

Tentativas
Os americanos chegaram a temer a escassez do alumínio. Por isso, durante a 2ª Guerra Mundial, desenvolveram um modelo de transporte militar batizado Budd Conestoga, fabricado em aço inoxidável e com técnicas de soldagem utilizadas até hoje. Como as expectativas não se concretizaram, o projeto foi cancelado e a leveza do alumínio continuou traçando sua rota de sucesso.

 

Solução da Alcoa promete eficiência de combustível de 12% e custos de manutenção até 30% inferiores aos das aeronaves com uso intensivo de materiais compósitos

 

Recentemente, outra tentativa: o 787 Dreamliner da Boeing, feito de 50% de compósitos, como a fibra de carbono, e 20% de alumínio, chegou ao mercado prometendo menor peso. Novamente, o mercado reconheceu a predominância do alumínio, seja por questões econômicas, seja por desempenho.

 

"Se no mercado o quilo do alumínio aeronáutico custa menos de 10 dólares, a fibra de carbono prepreg (pré-impregnado) está por volta de 120 dólares. Com o rendimento que tem, o custo final chega a ser 30% mais elevado", explica James Waterhouse, professor de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo em São Carlos.

 

O que explica a liderança
Entenda algumas das propriedades do metal que fazem dele o insumo mais adequado para o transporte aéreo de passageiros. Abaixo, uma curiosidade: diferentes partes da aeronave levam distintas ligas. Confira

 

Mais seguro
Devido às propriedades físicas do alumínio, caso o avião receba um relâmpago, ele dissipará a eletricidade ao longo da fuselagem, protegendo os passageiros

 

Fontes: BOEING (ligas); James Waterhouse (USP/São
Pequenos impactos
Feita em alumínio, a fuselagem tem condições de deformar-se, ao ser submetida a um pequeno impacto, no ar. Já em materiais como fibra de carbono, a fuselagem quebraria
A olho nu
Caso o alumínio apresente fadiga, trincas e sinais de corrosão, fica visível a necessidade de reparos. Em outros materiais, é preciso usar um ultrassom para checar os eventuais danos

 

Em todo lugar
Em todo o avião, o alumínio está presente, mas em diferentes ligas, como nos seguintes pontos:
nas asas, com a liga 7150;
na fuselagem, com a série 2000;
no teto, com alumínio da série 7000.

 

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Revista Alumínio

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2011

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