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Para Fábio Guaraná, da Abal, aumentar a espessura é estratégico para estimular que todos os fabricantes usem insumo nacional e dentro da norma |
O dedo foi colocado na ferida - mas de propósito. As empresas do setor de embalagens descartáveis que integram a Associação Brasileira do Alumínio solicitaram a análise de suas embalagens pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) já prevendo resultados polêmicos: "Pensamos em ter uma análise imparcial justamente para trazer à tona possíveis inconformidades. Isso é muito positivo para que possamos estabelecer condições equânimes de competição no mercado e para pensar na melhoria do produto", diz Fábio Guaraná, coordenador do comitê de mercado de embalagens descartáveis.
O debate no mercado surgiu a partir dos resultados divulgados pelo Inmetro, que reprovou 11 marcas de pratos redondos descartáveis analisadas no Programa de Análise de Produtos, combinando três critérios. "A questão das marcas no fundo das embalagens já foi resolvida, porque é simples. Volume e espessura estão agora em discussão", conta o coordenador.
Segundo Guaraná, independentemente das explicações que as diferentes marcas possam apresentar isoladamente para o diagnóstico, a avaliação como um todo gerou decisões setoriais estratégicas. A primeira delas, a adesão à certificação voluntária, coordenada pelo Inmetro, para que essas avaliações sejam periódicas. "Estava na hora de nos diferenciarmos dos produtos importados, que não respeitam os padrões de fabricação e criam parâmetros injustos de competição. A certificação voluntária ajudará nesse sentido, trazendo mais garantias para o consumidor", diz.
Um segundo aspecto remete à engenharia do produto. "Estamos fazendo um estudo para o aumento da espessura", conta. Hoje, o prato redondo nº 8 tem 35 mícrons de espessura, seguindo a norma elaborada pela Abal, gestora do comitê brasileiro regulador de normas do alumínio, CB-35/ABNT.
"A proposta inicial é passar de 35 para 55 mícrons. Assim, o produto ganha força frente aos suscedânios porque cresce muito em qualidade". A experiência de aumentar a espessura já aconteceu com as bandejas e contêineres de alumínio e ecoaram bem no setor. "À época, nós até retomamos clientes antigos, que haviam migrado para outros materiais e retornaram pelo salto de qualidade. Vamos estudar esse processo nos pratos no8, assim como a capacidade volumétrica", diz Guaraná.
Concorrência justa
Para o coordenador, as mudanças também trarão um novo equilíbrio do mercado, fortalecendo o fabricante que usa insumos nacionais. Isso porque, segundo Guaraná, "há empresas que importam folhas de alumínio com 30 mícrons para produzir seus pratos. As empresas economizariam, o que geraria uma competição por preço muito acirrada - competição essa que seria provocada por um concorrente fora da norma.
"Com a certificação e aumento da espessura, esse quadro acaba", diz, e também avalia: "Esse momento de revisão é muito bem-vindo e precisa ser encarado como algo que nos protege, mudando o cenário futuro da competição. Em breve, os fabricantes terão produtos mais competitivos e os consumidores terão pratos ainda melhores à disposição no mercado".