Impulsionado por Copa do Mundo e eleições, a venda de latas para bebidas cresceu 21% em 2010. O movimento, que chegou a surpreender o mercado, foi acompanhado pela indústria de reciclagem de latas, que, no período, aumentou sua atividades em 20,3%.
![]() |
Em ano de consumo aquecido, reciclagem cresce junto e chega a 17,7 bi de latas em 2010 |
O Índice Nacional de Reciclagem de Latas de Alumínio de 2010, recém-divulgado, mostra que 97,6% do volume comercializado foi reaproveitado, o que se traduz em 17,7 bilhões de latas no ano ou 40,3 milhões por dia. Com esses números, divulgados pela Abal (Associação Brasileira do Alumínio) e pela Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade), o Brasil continua líder mundial, pelo décimo ano consecutivo, na reciclagem de latas de alumínio para bebidas, à frente de Japão (92,6%), Argentina (91,1%), países da Europa (média 64,3%) e Estados Unidos (58,1%).
Essa indústria, impulsionada pelo setor do alumínio, movimentou R$ 1,8 bilhão, tendo sido 30% do total injetado somente na etapa de coleta. Com o processo, 239 mil toneladas do metal foram reaproveitadas - o que permitiu poupar cerca de 1,2 milhão de toneladas de bauxita, minério que dá origem ao alumínio primário. Na reciclagem, o consumo de energia elétrica equivale a 5% do total utilizado na produção do primário. As emissões de gases de efeito estufa também são reduzidas a 5%.
Evolução
O momento de conscientização a respeito da reciclagem ajuda a impulsionar os números. Ainda que mercado e consumidor estejam mais maduros, por trás do crescimento da reciclagem há também uma história de investimentos da indústria do alumínio. "A cadeia de reciclagem e a indústria de latas são contemporâneas no Brasil. Ambas se desenvolveram desde no início dos anos 1990, o que permite que o Brasil hoje seja modelo internacional no reaproveitamento de latinhas", conta o coordenador da comissão de reciclagem da Abal, Henio De Nicola.
A indústria tem participação central nessa evolução histórica. A Novelis - multinacional especializada em laminação de alumínio e única fabricante de chapa para latas de bebidas no país - concentra 50% do volume de sucata recuperada na fábrica de Pindamonhangaba (interior de São Paulo), principal polo de reciclagem do Brasil.
"Começamos o trabalho de reciclagem em 1994, quando a fábrica foi projetada, planejando reciclagem de 60 mil toneladas por ano", lembra Carlos Roberto de Morais, diretor de negócios de reciclagem da Novelis.
Os planos da Novelis ajudam a antever números da reciclagem dos próximos anos: a empresa, que anunciou US$32 milhões em investimentos, vai fazer a capacidade de reciclagem saltar das atuais 200 mil toneladas, para 390 mil, até 2013. O projeto está alinhado com a meta mundial da empresa que, em 2020, quer usar alumínio reciclado como insumo de 80% da produção de laminados.
Como parte do plano, este ano a Novelis investiu US$4 milhões em seis novos centros de coleta de latinhas, espalhados por quatro estados brasileiros, o que permitirá reciclar mais cerca de 50 mil toneladas de alumínio ao ano.
Outra meta é que, em 2013, a produção de laminados atinja 50% de crescimento, chegando a 600 mil toneladas - fruto de um projeto de expansão em andamento.
A base da pirâmide da indústria da reciclagem continua sendo formada por cerca de um milhão de catadores de sucata, que iniciam a logística reversa das latas de alumínio - material que possui o maior valor agregado entre as sucatas comumente disponíveis. "A lata é sempre a primeira a ser separada para reciclar. Até brinco dizendo que quando se joga uma lata para trás, ela não cai no chão, porque sempre tem alguém já interessado em coletar", diz Nicola.
Ainda de acordo com o coordenador da Abal, "os catadores precisam se organizar para que tenham mais benefícios. A Política Nacional dos Resíduos Sólidos vem ajudar nesse sentido", diz. Outro anseio é que a carga tributária sobre a sucata seja reduzida. "Não temos nenhum incentivo governamental. O único desejo é desonerar a atividade, reduzindo o custo do transporte entre os estados. Isso ajudaria a aumentar ainda mais o volume reciclado", avalia Nicola.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>