Edição 30

Corrida pela sustentabilidade


Na busca pela redução de emissão de CO2 dos carros, uso de alumínio mostra-se mais vantojoso se observado o impacto ambiental causado durante ciclo de vida


Por Alberto Alves

 

Foto: Divulgação / BMW BMW aumenta a participação do alumínio em seus veículos, como em rodas (foto) e pisos

Nos boxes
O ciclo de vida do alumínio começa na extração da bauxita, fase que não demanda gastos volumosos de energia e não emite preocupantes níveis de CO2 (a emissão é de 52 kg por tonelada de alumínio, em território brasileiro, segundo estudos da Abal). Isso ocorre principalmente pelo fato de a bauxita estar a cerca de 30 cm abaixo do solo, o que facilita a sua obtenção. O problema maior está em etapas seguintes, como, por exemplo, na produção da alumina, que possui pegada de carbono de 1.120 kg de CO2eq por tonelada de alumínio, de acordo com o mesmo estudo.

 

O minério de ferro, por exemplo, produziria apenas 30% das emissões de CO2 que o alumínio possui na fase primária – isso considerando a realidade brasileira, que gera menos impacto, em razão do uso de hidrelétricas como matriz energética. O total de emissões durante o ciclo de vida do alumínio brasileiro, desde a mineração até a reciclagem, é de 4,2 toneladas de CO2eq por tonelada de alumínio, menos da metade da média mundial, de 9,7, divulgada pelo International Aluminium Institute (IAI).

 


É dada a largada
Com motores ligados, o automóvel feito com mais alumínio superaria os concorrentes, que levam mais ferro fundido e aço, em razão do baixo peso de componentes, como blocos de motor, rodas, para-choques, capôs e elementos de carroceria, fabricados com ligas especiais de alumínio. Isso permitiria menor gasto de combustível ao longo do uso do veículo. “Cada 10% de redução de peso nos veículos representa um aumento de 5,5% em eficiência do combustível. Cada 1 kg de redução do peso, diminui 20 kg de emissão de CO2 durante a vida do veículo”, diz o diretor técnico da Abal.

 

A vantagem do alumínio já foi mensurada. O IAI comparou carros equivalentes observando blocos de motor e para-choques. De um lado, um veículo A, 1.250 kg, gasolina (rendimento de 13,3 km/litro), e com bloco de motor em alumínio pesando 16,4 kg. Do outro lado, um veículo B, com bloco em ferro fundido, 31 kg. A redução efetiva de peso chega a 18 kg, já que o componente alumínio garante também a redução de peso indireta. Resultado: uma redução de emissões de 150 kg de CO2 após 100 mil km rodados, ou 328 kg, após 200 mil km.

 

A comparação também foi feita com o para-choque dianteiro de um carro compacto de 1000 kg, movido a gasolina. Em alumínio, o peso seria de 3,9 kg. Em aço carbono, 7,0 kg. Com alumínio, a redução de emissões alcançaria 76 kg de CO2, após 200 mil km.

 

Esses seriam apenas alguns dos exemplos possíveis, como a substituição do capô de aço por mesmo componente de alumínio. “O resultado da ACV para essa substituição, à semelhança da metodologia usada para o bloco do motor, mostrou, após 200 mil km, uma redução de 130 kg de CO2”, afirma Filleti.

 

Outro estudo, que aborda apenas os blocos de motor, comparou a emissão de CO2 e concluiu que, a despeito das desvantagens na obtenção da matéria-prima, o bloco de motor em alumínio passa a ter um “ecoindicador” melhor do que o concorrente a partir de 44 mil km de uso do veículo. Depois de 150 mil km rodados, o índice do bloco de alumínio é cerca de 30% menor do que do ferro fundido.

 

As vantagens ecológicas do alumínio no decorrer de seu ciclo de vida ficam claras também no estudo A Comparative Life Cycle Assessment of Magnesium Front End Autoparts, que faz parte de projeto patrocinado em 2010 por Canadá, China e Estados Unidos. A pesquisa comparou os impactos ambientais da fabricação das partes traseiras e dianteiras de um Cadillac CTS 2007, originalmente em aço, com partes equivalentes fabricadas em alumínio e magnésio. A análise do ciclo de vida mostra que uma solução de alumínio apresenta economia potencial de 20% tanto em consumo de energia quanto em emissões de CO2, em comparação com uma estrutura de aço tradicional.

 


Foto: Divulgação / FORD Por conta da política de sustentabilidade, Ford adotou motor Sigma, em alumínio, para novo Fiesta, hatch e sedã

Reciclagem e reúso
Depois de cerca de 200 mil km de uso, o veículo segue para dispensação final. Após a vida útil do automóvel, o potencial e a facilidade para a reciclagem dos materiais podem reduzir ainda mais o impacto ambiental. No caso do alumínio, os componentes podem ser 100% reciclados, o que permite que o ciclo de vida se reinicie. Caso o material seja reutilizado, pula-se toda a etapa de produção de alumínio, que é a fase crítica em termos de impacto ambiental. “Gasta-se 14.500 kWh para produzir uma tonelada de alumínio, mas na reciclagem gasta-se 5% disso”, pontua Filetti.

 

De olho em sustentabilidade, a Ford adota a política de aproveitamento dos componentes do veículo ao final de sua vida útil. “O objetivo da estratégia global da Ford de sustentabilidade é identificar oportunidades de utilizar materiais reciclados ou renováveis. Nosso compromisso é que de 85% dos materiais usados nos veículos possam ser reciclados e aproximadamente 95% dos veículos em fim de vida útil possam ter seus componentes reutilizados”, diz o gerente de engenharia avançada Ricardo Muneratto.

 


A partir da análise de ciclo de vida e mirando a reciclagem, BMW trocou o antigo piso dos carros por uma estrutura em 100% alumínio

 

 

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | Próxima >>

Revista Alumínio

Edição 35 Abril/
Maio/
Junho
2013

OK

Folhear
Untitled Document
 

Copyright © 2011 - Segmento MC Editores Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.