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Uma sala de cerca de 200 metros quadrados, que a cada oito horas analisa a conformidade de amostras colhidas, esconde um dos segredos da nova planta de tratamento de superfície de alumínio da Votorantim Metais- CBA. Nesse espaço, inaugurado em meados de 2011, todo o processo de tratamento é simulado, com detalhes mais sofisticados do que na versão anterior do laboratório, agora com análise computadorizada da cor do acabamento, checagem de ausência de metais pesados, ensaios de envelhecimento acelerado e simulação de umidade, por exemplo.
Apenas uma equipe de cinco profissionais - um engenheiro, dois químicos e dois técnicos de processos químicos - pode acessar o laboratório, uma forma de manter o processo controlado e os segredos industriais. "Conseguimos criar um espaço que traz garantias muito refinadas, com base científica, para tudo o que prometemos e para surpreender o cliente", diz João Graciolli, engenheiro responsável pela idealização dessa unidade de desenvolvimento de processos e produtos para tratamento de superfície de alumínio. Eles são responsáveis, ainda, por fazer o monitoramento remoto da unidade, o que garante que não haja desvios dos parâmetros preestabelecidos.
Entre esses benefícios oferecidos, estão ensaios específicos, aplicados a pedido do cliente ou mesmo para apresentar um diferencial em concorrências estratégicas para a empresa. No entanto, amostras de 100% dos lotes são colhidas e passam pelo controle de qualidade da empresa. A proposta com esse nível de cuidado tem preço: nesse caso da VM-CBA, R$ 2 milhões, valor investido no novo laboratório. "O custo é alto, mas uma empresa com visão de longo alcance sabe que isso se reverte em qualidade e em competitividade", diz Graciolli.
ARGUMENTOS
Quem aposta no controle interno ressalta que a estratégia permite que a expertise envolvida nos processos fique dentro da empresa e também que haja agilidade para implantar ajustes no processo.
A Alcoa é uma das empresas que pratica esse conceito. No laboratório interno, na área de primários, faz cerca de mil análises por dia, registrando, por exemplo, todos os resultados mecânicos e metalográficos. Com base nesses dados, a empresa mede a eficácia na fabricação.
Um dos testes rotineiros da empresa é a análise do teor de umidade da bauxita que entra no processo de refinaria. A amostra é coletada, pesada e aquecida a 110°C por 24 horas. Em seguida, ela é pesada novamente, para atestar a sua conformidade com os padrões. "O resultado é um plano de ação de melhoria tanto de produtos como de processo", esclarece Jorge Gallo, diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Alcoa Brasil, América Latina e Caribe.
Na Novelis, a composição química e as propriedades mecânicas são testadas quando o produto já está em forma de chapas ou folhas. Diferentes laboratórios geram análises física, química, metalográfica e espectográfica, que permitem que as áreas de processos e produtos monitorem as variáveis de controle. "Mensalmente, em torno de 6 mil ensaios de propriedades mecânicas são realizados no laboratório físico", diz Alexandre Sartori, líder de processos de refusão e reciclagem.
INOVAÇÃO
Não apenas para manter os processos funcionando são utilizadas as salas de ensaios, mas também para trazer argumentos técnicos rumo à inovação. "O investimento permite fazer testes de novos produtos e melhorias que, depois, serão implantadas na fábrica. A unidade funciona como um centro de inovação", diz Graciolli.
Segundo Clovis Alvarenga Neto, coordenador do curso de Gestão e Processos da Fundação Vanzolini, centros de controle da qualidade internos têm como uma das missões fazer com que os resultados obtidos em laboratório cheguem à produção com mais agilidade. O coordenador também afirma que manter um laboratório garante que "se tenha domínio do próprio negócio, uma vez que se passa a conhecer melhor as propriedades de determinado produto, além de assegurar que a inovação fique somente dentro da empresa".