Além da mobilidade


Próteses e órteses de alumínio contribuem para a inclusão de deficientes físicos na sociedade e conferem a eles liberdade para novas conquistas




Pré-selecionado para integrar a equipe olímpica brasileira de tiro com arco, Ademar Carlini melhorou 35 pontos com cadeira de melhor qualidade



O número de portadores de deficiência no Brasil aproxima-se de 30 milhões. Entre eles, cerca de 20% têm alguma dificuldade motora, segundo dados do IBGE. O que há algumas décadas era sinônimo de uma vida limitada, com pouca autonomia, hoje, apesar das dificuldades, é um obstáculo possível de contornar, graças à evolução dos tratamentos e ao uso de aparelhos cada vez mais leves, duráveis e sofisticados para locomoção. Com política de cotas para portadores de deficiência física, cresce o número de pessoas que precisam de equipamentos para participar da sociedade. Não à toa, esse mercado tem alta de cerca de 20% ao ano no Brasil - cenário em que o alumínio vem atuando com um papel social.

Já existe até quem prometa ajudar a devolver a caminhada a pacientes portadores de paraplegia. É o caso da empresa israelense Argo Medical Technologies, que desenvolveu pernas robóticas. Batizado de ReWalk, tratase de um conjunto de estruturas de alumínio recobertas por plástico, unidas por motores, que funcionam como músculos, amarrados às pernas e à cintura.

O usuário informa ao aparelho que movimento pretende realizar, como ficar em pé ou andar, e um conjunto de sensores distribuídos pela estrutura envia os dados para um computador, instalado nas costas, que aciona os movimentos. O produto, ainda hoje em fase aprovação pelo FDA (Food and Drug Administration), organização responsável por autorizar novos medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, promete chegar ao mercado no fim deste ano por cerca de US$20 mil.

Não é preciso esperar inovações desse porte para ver o quanto a tecnologia já andou. Há 28 anos, o ortopedista pediátrico Antonio Carlos Fernandes trabalha na área de Ortopedia da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). Durante tanto tempo ajudando crianças a recuperarem uma vida ativa, o médico acredita que os equipamentos modernos contribuíram para uma mudança de mentalidade na sociedade. "Hoje, um jovem amputado coloca uma prótese e consegue praticar esporte, andar de skate e até fazer alpinismo. Isso traz uma mudança cultural na aceitação da deficiência", diz o médico, também diretor clínico da instituição.




Cadeira motorizada da Reateam (à esq.) e modelo monobloco da Cavenaghi, lançadas este ano



Próteses e Órteses

A tecnologia para produção de próteses (peças que substituem as funções de membros amputados) provocou também mudanças na estratégia de engenharia aplicada. "Antigamente, as próteses imitavam as formas do corpo. Hoje imita-se a função. Você vê as pessoas andando na rua com as pernas que têm um tubo de alumínio. Não de estruturas iguais ao corpo humano, mudouse o conceito", diz Fernandes.

O diretor de produção de próteses e órteses da AACD, Walter Teixeira, diz que as ligas do metal abrem possibilidades na linha de produção. Como exemplo, ele cita as muletas, tecnicamente chamadas de órteses, estruturas auxiliares (e não substitutivas) dos membros. Em madeira ou aço, as muletas chegam a pesar mais de dois quilos. Em alumínio, há modelos com menos de 500 g. "É ideal para as órteses longas. As hastes laterais são de duralumínio, mais leves, mais fáceis de ser manuseadas e mais baratas", explica.

Para a coordenadora da oficina ortopédica do Lar Escola São Francisco, instituição filantrópica administrada pela Unifesp, a evolução da qualidade das próteses e órteses permite aos portadores de deficiência uma adaptação mais rápida. "Hoje, a tecnologia existente permite uma boa reabilitação. O desgaste físico na adaptação é muito menor", conta a coordenadora Cristina Maria Correa Cardoso.

Nos últimos anos, o mercado se sofisticou em termos de órteses e próteses. Um exemplo é o Sistema de Articulação de Quadril Biaxial RGO 17H100, fabricado pela Otto Bock. O aparelho funciona para pacientes portadores de paraplegia traumática e é composto por tubos e barras fabricados em liga de alumínio que dão sustentação aos movimentos.

A empresa também lançou a prótese de joelho com articulação modular 3R 106. Uma das inovações do produto é o sistema pneumático, que controla a fase de balanço de forma mais precisa e confiável, o que permite um ritmo de marcha mais natural.

 

 

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