Menores e mais leves, os aparelhos de ar-condicionado são cada vez mais utilizados nas residências e estabelecimentos comerciais.
Não se trata de um avanço insignificante; o mercado brasileiro consome mais de 900 mil unidades por ano. O emprego de componentes de alumínio no interior destes equipamentos tem contribuído para este cenário, e a utilização do metal emmodelos "split" - com evaporador e condensador separados - é ainda mais evidente.
O alumínio agregou valor ao arcondicionado, sobretudo em elementos de acabamento resinados, na proteção das serpentinas na troca de calor e na prevenção anticorrosiva. A afirmação é de José Alfredo de Albuquerque e Silva, responsável pela área de logística da Springer Carrier, a maior fabricante de ar-condicionado do País, com cerca de 25% do mercado interno.
Ele explica, entretanto, que os fabricantes nacionais ainda podem ampliar sua participação, já que cerca de 5% dos itens de alumínio usados na estrutura dos aparelhos de ar-condicionado são importados. Segundo Silva, as indústrias brasileiras de alumínio não fabricam tubos de trocadores de calor revestidos com resina polimérica, utilizada em aplicações especiais no acabamento dos trocadores e que funciona como uma espécie de capa de proteção, agregando valor ao produto. Para ele, atendida esta questão técnica pelos fabricantes, o material usado no sistema de refrigeração do ar-condicionado pode ser 100% nacional.
"O alumínio tem diversas vantagens sobre outros materiais na fabricação do ar-condicionado: é mais leve, resistente à corrosão e possui maior condutibilidade térmica se comparado a outros metais; além disso, suas propriedades mecânicas possibilitam um controle mais eficaz do processo", diz o executivo da Springer Carrier.
Silva lembra que os aparelhos de ar-condicionado têm sistemas de refrigeração avaliados rotineiramente pela indústria. Assim, os estudos de viabilidade técnica podem levar a mudanças no uso de materiais, tornando maior a presença do alumínio. "Nos últimos anos, o alumínio ampliou sua participação, na composição do arcondicionado, sobre o aço, o plástico e, sobretudo, o cobre, mas pode aumentar ainda mais", afirma.
Por outro lado, continua o executivo, devido às propriedades mecânicas do alumínio, o processo de fundição do metal é mais difícil de ser controlado, fazendo com que a empresa importe alguns itens.
Tecnologia Para o diretor de negócios de Precision Tubing da Hydro, SérgioVendrasco, a velocidade de fusão do alumínio pode ser controlada. Ele explica que as indústrias de aparelhos de ar-condicionado possuem ampla tecnologia e conhecimento técnico dos processos de solda do alumínio.
"A velocidade de fusão é diferente. Enquanto no cobre é de aproximadamente 1.200o C, no alumínio a fusão dá-se a 670o C. As fábricas de aparelhos de ar-condicionado, entretanto, têm a tecnologia para controlar de modo satisfatório esse processo", afi rma. Segundo Vendrasco, a empresa se empenha, atualmente, na disseminação da cultura de utilização do alumínio como substituto do cobre - de uso arraigado no setor - seja em aparelhos para ambientes residenciais ou comerciais. Vendrasco destaca que o cobre, além de ser mais caro que o alumínio, é três vezes mais pesado.
É umaconsideração importante na fabricação dos equipamentos, pois a aquisição dos tubos é dimensionada em função do peso do material e não na metragem.
"É importante considerar que a tecnologia da Hydro permite a fabricação de tubos de alumínio com diferentes formas, espessuras de paredes e propriedades mecânicas diversas, o que possibilita ganhos de custo e performance no equipamento de ar-condicionado", diz Vendrasco. Hoje o alumínio é empregado em aletas e na estrutura (vigas e perfis) que compõem o equipamento, mas ainda não avançou sobre a tubulação que corre nos trocadores de calor. De acordo com o executivo, até a metade deste ano entrará no mercado o primeiro equipamento nacional com tubulação de alumínio.
O diretor de Operações da Novelis do Brasil, Mauro Moreno, ressalta as propriedades do alumínio como componente dos trocadores de calor. As aletas - frisos bastante fi nos que envolvem a tubulação, por onde circula o fl uido refrigerante, e que são responsáveis pela retirada do ar quente dos ambientes - têm diminuído de tamanho quando fabricadas com alumínio. "Quanto menor a área e mais fina a espessura, o aparelho tem um custo menor", diz. Segundo o executivo, outra vantagem do alumínio é que as folhas feitas com o metal, em média com espessuras inferiores a 150 mícrons, possuem novos desenhos e garantem a redução de custo.
"Tudo que for reduzido de tamanho, mantendo a qualidade de funcionamento do equipamento, é vantajoso. Com isso, o aparelho vai sendo aprimorado. Essas são as vantagens do alumínio", afirma Mauro Moreno.
Segundo o diretor da Novelis, mesmo em tal grau de espessura, fabricantes de folha de alumínio podem desenvolver ligas, de acordo com a demanda dos fabricantes de aparelhos de ar-condicionado. Moreno acrescenta que o alumínio produzido para a indústria do setor infl uencia positivamente no acabamento do produto com a pintura hidrofílica, que permite que a água que molha o equipamento saia mais rapidamente.
Outra grande vantagem do alumínio diz respeito à integridade do gás, por não permitir qualquer tipo de vazamento. "E essas propriedades, aliadas ao preço menor, explica a migração dos fabricantes para o alumínio", assegura Moreno. "Enquanto a tonelada de cobre está sendo comercializada a US$ 3.260, o alumínio está cotado na LME (London Metal Exchange) a US$ 1.830 a tonelada, levando-se em conta preços de fevereiro de 2005", afi rma o executivo da Novelis.
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