 |
Perspectiva iluminada
|
Edição 2 |
| Indústria de cabos elétricos se prepara com novas ligas mais resistentes, para a retomada do setor |
|
|
A indústria brasileira de cabos de alumínio prevê aumento da produção em 2005, na esteira da retomada dos investimentos no setor de energia elétrica. A expectativa é de um crescimento em vendas de 20% sobre as 53 mil toneladas comercializadas em 2004 que, segundo o Sindicato da Indústria dos Condutores Elétricos do Estado de São Paulo (Sindicel), resultaram em R$ 400 milhões para o setor.
Os fatores responsáveis pelas previsões otimistas são os leilões de linhas de transmissão programados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e, sobretudo, a execução do programa federal Luz Para Todos.
O segmento de cabos de alumínio sofre, atualmente, os efeitos da ociosidade provocada pelos baixos investimentos na expansão das redes de energia elétrica, nos últimos anos. A capacidade instalada é de 150 mil toneladas anuais."Estamos utilizando menos da metade da capacidade. Mas a expectativa é de retomada com os investimentos na ampliação da transmissão e distribuição de energia elétrica no País", diz Roberto Seta, coordenador do grupo setorial de cabos da Associação Brasileira do Alumínio e diretor comercial da Phelps Dodge, empresa que fabrica cabos de alumínio para o setor elétrico.
A previsão do Ministério de Minas e Energia é de expansão das linhas de transmissão em mais de 9 mil quilômetros, até 2007. Hoje, o País é atravessado por uma malha de 95 mil quilômetros de linhas de transmissão.
No caso das linhas de distribuição, além da expansão natural provocada pelo crescimento econômico, o principal impacto será resultante do Luz Para Todos.
O programa do governo federal pretende levar energia elétrica para mais de 12 milhões de pessoas, até o ano de 2008.
O Luz Para Todos prevê investimentos de R$ 7 bilhões, sendo R$ 5,3 bilhões provenientes do governo federal e o restante de governos estaduais e agentes do segmento. Em sua primeira fase, até 2006, o governo quer atingir 1,4 milhão de famílias, 90% delas em áreas rurais. Novas tendências De acordo com Seta, as empresas têm investido em novas ligas termorresistentes, que permitem uma condução maior de corrente elétrica. São ligas que, comparadas a EC 1350 (de alumínio puro), podem conduzir até 50% mais eletricidade, sem a necessidade de aumento da bitola.
José Carlos Padial, gerente comercial de cabos elétricos da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), explica que hoje existe uma forte demanda por cabos de alumínio com diversas ligas. O motivo, explica ele, é a falta de ação de um órgão que regule os projetos das concessionárias, "cada empresa determina um tipo de liga para suas redes e os fabricantes têm que desenvolver novos cabos. A Aneel tem que colocar regras nestes projetos", afirma.
Além de ligas termorresistentes, há também as ligas que aumentam a resistência mecânica. É o caso da liga EC 6201, "um produto mais voltado para exportação", afi rma Padial. Os cabos dessa liga substituem, em muitos casos, os de alumínio com alma de aço (16% ou 32% de material).
De fato, os cabos de alumínio com alma de aço ainda predominam nas redes, principalmente de transmissão, para suportarem o vão entre os pontos de sustentação. Segundo o engenheiro da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Dimas Carneiro Miranda, cerca de 80% dos 20 mil quilômetros de rede da companhia utilizam cabos de alumínio com alma de aço. Cabos com 100% de alumínio estão presentes, por enquanto, somente nos pontos próximos das sub-estações das linhas de transmissão, como cabo pára-raio, e também como cabo condutor de energia elétrica na rede aérea de distribuição.
"O cabo totalmente de alumínio, além de não deteriorar, começa a ter um preço competitivo. Suas propriedades de transmissão de corrente elétrica são maiores", diz Miranda. De acordo com o engenheiro, o cabo com 100% do material ocupará, no futuro, a maior parte do sistema de distribuição, num movimento semelhante ao da substituição do cobre pelo alumínio, que levou décadas para ocorrer. Ele afirma que o alumínio é também mais leve, o que possibilita melhor manuseio e mais facilidade para manutenção das linhas.
Cita também o avanço na redução do diâmetro dos fi os de ligas especiais. O gerente de Linhas de Transmissão e Sub-Estações da Cemig, Breno Sérgio Moreira, responsável pelos projetos e planos de obras da companhia, acredita que a utilização de cabos de alumínio, com as novas ligas, poderá ocupar mais espaço nas linhas de transmissão, com tensão entre 69 kV e 138 kV. As duas ligas utilizadas na produção desses cabos, a EC 6201 e a termorresistente, de alta temperatura, têm confiabilidade superior por causa de sua resistência e maior capacidade de transmissão de energia elétrica.
"O uso do cabo 100% de alumínio está começando, já que, com o aumento de escala, o seu preço começa a ser competitivo. As vantagens, na comparação com os cabos com alma de aço, são muito maiores", afi rma o gerente da Cemig.
O que os representantes do mercado de cabos de alumínio esperam é que a retomada dos investimentos em energia elétrica acompanhe esse movimento e também tenha vindo para fi car, o que garantirá a recuperação e a expansão do setor. (CEC)
|
|
|
|
 |
|
|
|
|
|