Embarque com estilo


Edição 2
Versatilidade e rapidez para montagem levaram à escolha do alumínio na reforma de terminais aeroportuários pelo Brasil
Por J. Oswaldo Cardoso


Quem sobrevoa o Aeroporto Internacional de Guararapes, no Recife (PE), se depara com a suntuosidade do novo terminal de passageiros erguido na capital pernambucana. O corredor de acesso às pontes de embarque tem nada menos do que 550 metros de extensão. Nele há 11 pontes de embarque por onde os passageiros chegam até o interior dos aviões. Apenas no edifício do terminal são 52 mil m2 de área construída. Toda a reforma do aeroporto (que inclui também ampliação das pistas) foi orçada em R$ 300 milhões e fi cou a cargo do consórcio das construtoras Norberto Odebrecht e Queiroz Galvão.

Mas, se o novo terminal impressiona pela grandiosidade, é nos detalhes arquitetônicos que se encontram algumas soluções bastante arrojadas. Para chegar a esse resultado, engenheiros e arquitetos não abriram mão do uso do alumínio em diversas partes da obra.

Segundo a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária S.A. (Infraero), responsável pela administração da maioria dos aeroportos brasileiros, perfis de alumínio anodizado foram empregados em Guararapes para a execução de todas as esquadrias, em fachadas, zenitais e divisões internas de ambientes; chapas em alumínio pré-pintado entraram nos fechamentos internos e externos, testeiras, empenas, marquises e pórticos; e telhas de alumínio com acabamento em verniz fizeram o fechamento de coberturas internas. Todas as áreas públicas e grande parte das áreas administrativas foram revestidas com forro de alumínio tipo "colméia".


Todo esse material, em diversos formatos, se traduz em muitos metros quadrados do metal aplicado na obra. Somente em esquadrias foram utilizados 15 mil m2, as chapas de acabamento pré-pintadas revestiram mais 18 mil m2.

Já os forros tipo "colméia" demandaram 22 mil m2, enquanto as telhas somaram aproximadamente 5.500 m2 de alumínio.
De acordo com o arquiteto Ubirajara Moretti, autor do projeto arquitetônico do terminal de Guararapes, diversas variáveis levaram a Infraero a optar pelo alumínio. "Dentre as razões, posso destacar a questão do peso estrutural e da resistência à corrosão, mas principalmente por uma decisão do con tra tante", assegurou o arquiteto. Conforme Juliana Holanda, assessora
de comunicação social da Infraero, na obra de Recife o alumínio foi escolhido para elementos que necessitavam de leveza, sobretudo nos perfi s extrudados das esquadrias em planos inclinados, para reduzir os esforços nos apare lhos de apoio.

Outro determinante da escolha foi o bom acabamento superfi cial, bem como o baixo coefi ciente de deformação, a resistência à oxidação, a durabilidade, facilidade de fabricação e, além disso, a existência de distribuidores locais de grande porte e facilidade de transporte e manuseio deram maior velocidade à montagem. O arquiteto Moretti diz que a inclinação negativa das fachadas na obra permitiu que a luz do sol entrasse no ambiente, porém com baixa insolação direta. Numa região com forte insolação como Recife, isso permite uma boa economia com energia elétrica gasta com ar-condicionado. Todo o alumínio utilizado em Gua rarapes foi fornecido pela Alcoa.
O destaque ficou por conta das fachadas para as quais foram desenvolvidos perfis especiais structural glazing, em que o vidro não é encaixilhado, mas colado com silicone. A redução dos ruídos das aeronaves no ambiente do terminal ficou por conta dos perfi s preenchidos com lã de vidro, além da utilização de vidros laminados de 14 mm.

Congonhas
A modernização e expansão do terminal de passageiros do aeroporto de Congonhas, na cidade de São Paulo, está acontecendo em duas fases e foi bem mais discreta do que seu "irmão" pernambucano. Nesta obra foram utilizadas esquadrias de alumínio nos pavimentos térreo, mezanino e primeiro pavimento. Todos os caixilhos das janelas dos oito portões de embarque, e as portas dos mesmos, também contam com o alumínio. Ao todo, foram usados 3.080 m2 em esquadrias.
Assim como em Guara rapes, um dos detalhes que mais chama atenção no uso do material é o forro do teto do tipo "colméia".

Os passageiros que embarcam por Congonhas logo notam a diferença entre as antigas áreas do aeroporto e a atual sala de embarque. Além do extenso corredor da sala, com oito portões de embarque, os usuários têm acesso direto às aeronaves, sem ter de trafegar pelo pátio de manobras.

A construtora responsável por esta primeira fase da obra foi a Construtora OAS Ltda. e os custos estiveram orçados em R$ 42 milhões, pro venientes da própria contratante, a Infraero. Na segunda fase da obra estão previstas a ampliação das pontes de embarque de oito para do ze e a ampliação das salas de embarque e desembarque.

Congonhas ganhará também novas escadas rolantes, elevadores, posições de check-in, adequação das áreas do saguão e revitalização da sua fachada. Essa fase da obra ainda não tem data prevista para con clusão, está orçada em R$ 150 milhões e será realizada também pela Construtora OAS Ltda.
Presença do ACM
As placas formadas por duas chapas de alumínio pintado unidas por núcleo de polietileno puro de baixa densidade, mais conhecidas como ACM (do inglês Aluminum Composite Material), marcaram presença nas obras de reforma e ampliação de vários aeroportos.
É o caso de Congonhas e Cumbica (SP) e Maceió (AL). "O ACM é muito leve, plano, permite grandes modulações [peças de 1,5m x 5m] e é também material de grande plasticidade", diz José Carlos Sanches, gerente de Exportação da Alcan, que forneceu o material para as obras de Cumbica e Maceió. Ele cita como fatores determinantes para a escolha a boa absorção de vibração sonora e a alta durabilidade, graças aos processos de pintura fl uorcarbonada e do próprio processo de composição.


"O ACM absorve seis vezes mais ruídos do que a chapa sólida. Sua usinagem e instalação são mais rápidas, o que imprime maior velocidade à obra e diminui custos com mão-de-obra", ressalta Sanches, ao justifi car a escolha do ACM e não de chapas sólidas em algumas partes das obras.
Para Walter Freitas, gerente comercial da Alcoa, a escolha do ACM devese ao reconhecimento das qualidades do produto, "especialmente quanto a sua excelente conformabilidade e resistência". A empresa forneceu o produto para a obra de Congonhas.

 
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