Foco na sustentabilidade


Edição 3
A Tetra Pak investe para promover o desenvolvimento da reciclagem no Brasil
Por Von Zuben


Uma das principais consumidoras individuais de folhas de alumínio do País - mais de 15 mil toneladas/ano -, a fabricante de embalagens Tetra Pak tem como política reduzir continuamente os impactos ambientais de suas atividades, na busca do desenvolvimento sustentável. No Brasil, onde se instalou em 1957, hoje mantém fábricas em Monte Mor (SP) e Ponta Grossa (PR), e um quadro de mais de mil funcionários tem participado ativamente de várias ações na área ambiental, com destaque para o desenvolvimento do mercado de reciclagem. Nesta entre­vista, Fernando von Zuben, diretor de Meio Ambiente, fala sobre as ações da empresa nesse campo e especialmente da nova planta de reciclagem de embalagens longa vida, resultado de parceria formada pelas empresas Tetra Pak, Alcoa, Klabin e TSL Ambiental. A planta utiliza tecnologia pioneira, 100% nacional, que possibilita a separação do alumínio e do plástico das embalagens. A tecnologia de plasma térmico teve o patrocínio da Tetra Pak desde o início, no IPT, há sete anos.

AL - Por quê a Tetra Pak resolveu investir, em conjunto com outras empresas, na instalação de uma planta para a reciclagem de embalagens longa vida?

Na verdade, temos investido nessa área há vários anos. Faz parte da política ambiental mundial da nossa corporação em todos os países em que estamos presentes e hoje o grupo está em 165 países, com 53 fábricas de embalagens e 16 de máquinas para envase. Essa política orienta todas as filiais a investir nos processos de coleta e reciclagem dos materiais empregados nos nossos produtos. No Brasil, nós estamos atuando há cerca de oito anos nesse campo, incentivando não só o desenvolvimento da coleta como também o desenvolvimento de tecnologias e fábricas. Já participamos do desenvolvimento de oito usinas de reciclagem de papel e dez de alumínio e plástico, que são os componentes de nossas embalagens.

AL - No projeto de Piracicaba a empresa colocou recursos diretamente?

Normalmente, nós apenas transferimos tecnologia de reciclagem de embalagens para as recicladoras de papel, que já contam com uma fábrica. Nesse caso, porém, era um projeto pioneiro e, se dependesse de financiamento, poderia ficar anos esperando para entrar em operação. Assim, nós resolvemos correr o risco para colocar uma tecnologia nova em funcionamento. Na verdade, o embrião dessa tecnologia surgiu no então grupo de Plasma do IPT, de São Paulo, há cerca de sete anos. Nós participamos desse projeto desde o seu início.

AL - Quais as vantagens do processo empregado nessa planta de Piracicaba?
Primeiro, trata-se de uma tecnologia desenvolvida no Brasil, inteiramente nacional. Segundo, permite a separação total dos componentes da embalagem, permitindo o retorno do papel, do plástico e do alumínio para a cadeia produtiva como matéria-prima. Utilizando a tecnologia de plasma, o material é aquecido a 15 mil graus Celsius, quando o plástico se transforma em parafina e o alumínio é recuperado com pureza de 99,1%. É um processo revolucionário em relação ao anterior, que separa o papel mas mantém o plástico e o alumínio unidos e, portanto, só podem ser utilizados em aplicações de baixo valor agregado, como placas de telhas, vassouras etc.

AL - Qual será o destino da matéria-prima recuperada?
O alumínio, na forma de lingotes, será comprado por uma das parceiras do empreendimento, a Alcoa; novamente transformado em folhas - com significativa economia de energia elétrica - voltará diretamente para a Tetra Pak, até porque se trata da liga utilizada pela empresa na produção de embalagens. Já o plástico, transformado em parafina, será comercializado para a indústria petroquímica nacional. O papel será reciclado pela Klabin, outra parceira no projeto. Isso agrega valor a toda a cadeia.


AL - De que maneira?
A possibilidade de separação de todos os componentes agrega valor à sucata e esta passa a ter maior valor para os compradores e conseqüentemente para as cooperativas de catadores. Acreditamos que a partir de agora a sucata das embalagens longa vida terá uma valorização de cerca de 30%. Toda a cadeia de reciclagem será estimulada, aumentando-se o volume coletado e posteriormente também o volume reciclado.

AL - Como a matriz da empresa está acompanhando esse projeto?
A Tetra Pak incentiva o desenvolvimento de tecnologia ambiental em todas as partes do mundo. No caso da tecnologia de plasma térmico, a área ambiental corporativa da Tetra Pak dá total apoio a esse projeto. Já na inauguração da planta de Piracicaba recebemos representantes da filial da Espanha, onde será instalada a próxima planta de plasma térmico, em dezembro, nos mesmos moldes desta planta de Piracicaba.

AL - A exemplo do que ocorreu aqui, a Tetra Pak da Espanha também está investindo recursos diretamente no projeto?

Não. Lá os investimentos ficarão a cargo de uma empresa papeleira, a Nesa, e da TSL Tecnologia Ambiental (a quarta parceira no projeto de Piracicaba). A Tetra Pak tem por política não só divulgar as tecnologias de reciclagem, mas também incentivar o seu emprego. Assim, o grupo estará levando a idéia desta tecnologia a outros países. Neste mês de junho, por exemplo, já estaremos recebendo uma delegação de empresários da Alemanha interessados em implantar o projeto também naquele país. Missões da Suécia e China já estiveram na planta-piloto da TSL, em Osasco. Também existe interesse de outros países, como Itália, Holanda e França.

AL - Quanto a Tetra Pak investe anualmente na área ambiental e que outras ações a empresa desenvolve no Brasil?

Nós investimos na área de meio ambiente cerca de R$ 5 milhões por ano. Na área de educação ambiental, temos ações em cerca de 35 mil escolas, que atingem mais de 5 milhões de alunos. Também temos ações junto à população. No ano passado, por exemplo, distribuímos cerca de 1,6 milhão de panfletos em várias cidades do País, especialmente naquelas em que já foram implantados sistemas de coleta seletiva. Por outro lado, também atuamos junto às cooperativas, no sentido de orientá-las na sua estruturação e como tratar e para quem vender os materiais coletados, evitando intermediários, com isso agregando mais valor ao produto. Nós procuramos fazer uma ponte entre as cooperativas e as empresas recicladoras. Hoje, as cooperativas de São Paulo já se reúnem para vender suas cargas diretamente a uma recicladora de Guarulhos, ganhando em transporte, volume e evitando os intermediários. Nós também oferecemos tecnologia para as recicladoras.

AL - A planta tem capacidade para processar 8 mil toneladas por ano de plástico e alumínio, o equivalente a 32 mil toneladas de embalagens longa vida. Quanto isso representa da produção nacional?

Nossa expectativa para 2005 é a de atingirmos a meta de reciclagem de 25% das embalagens.
Assim que tivermos aumento na capacidade de coleta seletiva, devemos investir em novas plantas. A principal meta da empresa é aumentar ano a ano a quantidade de embalagens recicladas após o consumo.

AL - Como o senhor vê a postura das empresas no Brasil em relação ao meio ambiente?
Cada vez mais as empresas estão percebendo que essa opção ambiental e social é fundamental para a sobrevivência do próprio negócio. E a sociedade brasileira demanda cada vez mais ações claras e objetivas, não só das empresas privadas como do próprio governo. Isso significa que as empresas têm de buscar o melhor processo produtivo, tratar os seus resíduos e efluentes, e investir em reciclagem. E as prefeituras, por sua vez, têm o dever de tratar os esgotos, que são responsáveis atualmente pelo maior impacto ambiental no Brasil.



 
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