Questão de peso


edição 17
A leveza do material permite que as embarcações desenvolvam maior velocidade e reduzam o consumo de combustível
Por João André de Moraes

Não é nenhuma novidade Ivete Sangalo ser a principal estrela do litoral baiano. O inusitado é o sucesso acontecer longe dos palcos e no formato de um moderno ferry boat construído pela TWB S.A., com capacidade para transportar 600 pessoas e 76 veículos por viagem. A travessia inaugural do percurso Salvador-Ilha de Itaparica do 'Ivetão', como foi carinhosamente apelidado pelos soteropolitanos, em 19 de agosto, também abriu uma nova era na indústria naval brasileira, pois sua estrutura é 100% alumínio - esse metal é responsável por 220 toneladas do peso total de 280 da embarcação.

Nas palavras do presidente da TWB, Reinaldo Pinto dos Santos, a escolha recaiu sobre o alumínio por razão muito simples: peso. "É preciso ter uma visão clara de que esse material propicia uma economia grande em combustível", argumenta. Além disso, ele lembra que o ferry consegue desenvolver maior velocidade e ter uma emissão de gás carbônico 80% menor, por ser mais leve e movido com base na combinação gás natural (70%) e diesel (30%). "Ecologicamente, o projeto se mostra muito importante", ressalta. E reclama: "O público não consegue perceber isso". Pelo menos, por enquanto.

O 'Ivetão' ganhou, recentemente, a companhia de outro ferry boat, já em operação, que ainda não recebeu um nome, mas também deverá homenagear alguma celebridade da Bahia. O custo médio de cada catamarã - design adotado por permitir a operação em águas com calado de, no mínimo, 1,8 metros - sai por volta de R$ 35 milhões.  Essas embarcações possuem todo o conforto possível: classe executiva, sala para classe turística com lanchonete, ambientes climatizados e belo convés superior.

Os dois barcos operarão na região por um bom tempo, pois, em média, o direito de exploração desse tipo de percurso varia entre 20 e 25 anos. No ano passado, cerca de 5 milhões de pessoas fizeram esse trajeto por meio do sistema. "Num país com 6 mil quilômetros de litoral, realmente o que se mostra é um grande mercado, principalmente em cidades à beira-mar", comenta. "São tecnologias viáveis de que o mundo não pode prescindir."

Os planos da TWB, empresa de capital 100% nacional, são ambiciosos. Para 2009, a intenção é construir uma planta industrial na Bahia, ao custo de R$ 100 milhões, para a fabricação de embarcações com até 100 metros de comprimento. Atualmente, a companhia investe recursos para o aumento de produção e para atender à encomenda de módulos de plataforma offshore da Petrobras.

Alumínio exclusivo
A tecnologia empregada nas embarcações é desenvolvida no Brasil pela TWB, mas, por vezes, os projetos são importados e adaptados às condições do mercado interno. O ferry boat Ivete Sangalo, por exemplo, foi criado pelo escritório australiano Sea Transport Soluctions (STS). A companhia, com sede no Guarujá, litoral de São Paulo, e planta industrial em Navegantes (SC), mantém operações no porto de Santos e na Bahia.

As chapas de alumínio empregadas no 'Ivetão' foram fornecidas pela Novelis - única empresa na América do Sul a produzir para esse segmento de mercado. O gerente comercial da empresa, Cláudio Chaves, explica que essa liga de alumínio de alto teor de magnésio, série 5000, possui excelente resistência e durabilidade e por essa razão consegue se adequar perfeitamente às necessidades navais. "Se comparado aos outros metais normalmente utilizados em embarcações e outros veículos de transporte, os principais diferenciais do produto são sua resistência e leveza", ressalta. "A durabilidade é outro ponto positivo do alumínio, por ser um metal extremamente resistente à oxidação, que não gera manutenção, diferentemente do aço."

A série 5000 da Novelis é exportada para o Mercosul e vem sendo aperfeiçoada há 20 anos. Os investimentos para o desenvolvimento do produto em território nacional se concentraram na compra de equipamentos para a unidade de Pindamonhangaba da companhia, que sempre apostou no renascimento da indústria naval brasileira. "A  Novelis  acredita  no crescimento em função do aquecimento desse mercado", comenta.
Ele lembra que existe um gap expressivo entre o consumo de alumínio aplicado na navegação no país em relação ao internacional. "Há muito espaço para as ligas de alumínio da série 5000 avançarem neste setor e no de transportes em geral", finaliza.

 
- Vantagens muito além da proteção
- Nas pistas e nas ruas
- Energia bem controlada
- Embalagens de alumínio são recicláveis?








 
 + EXPEDIENTE