As inúmeras descobertas de reservas de petróleo e gás em território brasileiro jogaram luz num dos segmentos que mais crescem no país e intensificaram o interesse das indústrias do alumínio em atender a esse setor. Para dar ideia do potencial, o plano de negócios da Petrobras prevê investimentos, entre 2009 e 2013, de US$ 174,4 bilhões. Desse total, US$ 104,6 bilhões direcionados às atividades de exploração e produção, sendo US$ 92 bilhões somente no Brasil. O desenvolvimento da produção, que inclui a construção de plataformas, fica com 42% desse montante. E o melhor: existe a exigência de conteúdo nacional mínimo.
A presença do alumínio nas plataformas ocorre ainda timidamente e se limita a alojamentos, pisos e heliponto, e em algumas peças na perfuração. As grandes vantagens apresentadas pelo metal em relação aos seus concorrentes são resistência à maresia e, principalmente, leveza. A redução de peso tem sido um dos grandes desafios na construção dessas instalações. A P-52, plataforma de grande porte do tipo semi-submersível da Petrobras, possui casco com aproximadamente 17 mil toneladas. É mais leve que os convencionais. O projeto, criado pela Aker Kvaerner, exigiu recursos da ordem de US$ 1 bilhão e possui o módulo de acomodações em estrutura de alumínio, bem como a base do convés.
No Brasil, segundo os gerentes da Petrobras de implementação de empreendimentos para Marlim Sul, Roberto Moro, e Roncador, Ricardo Corrêa Barbosa, em projetos de plataformas offshore é usual a utilização do alumínio na construção da pista dos helidecks onde pousam os helicópteros. Em outras áreas produtoras, a exemplo do Mar do Norte, na Europa, ocorre o uso em maior escala, principalmente em módulos auxiliares, como em acomodações. No caso particular da plataforma P-52, essa solução foi adotada.
Além do helideck, o metal também está presente na área de alojamentos. Moro explica que a escolha se baseou no peso do material. O alumínio pesa, em média, um terço do peso do aço. "Em plataformas flutuantes, caso da P-52, é feito um controle rigoroso tendo em vista que o peso adicional poderá comprometer a estabilidade da unidade." Na fase de projeto, verificou-se que os limites aceitáveis estavam sendo atingidos. Dessa forma, a solução para contornar o problema foi com o emprego do alumínio na construção do módulo de acomodações da P-52, além de seu helideck. Novelis amplia presença As chapas de alumínio utilizadas na P-52, produzidas pela Novelis, foram fabricadas na unidade de Pindamonhangaba, interior de São Paulo. As ligas 5052 e 5083 tiveram um emprego mais intenso nos alojamentos, como informa o gerente comercial e industrial da Novelis, Antonio Carlos Assis. A série 5000 conta em sua composição com magnésio e manganês, componentes químicos que proporcionam ao alumínio as características necessárias para atender às exigências de instalações marítimas.
Assis ressalta a leveza do material em relação à concorrência. "O alumínio colabora radicalmente na redução de peso e na continuidade de resistência mecânica com o mesmo nível de segurança", garante. Mais leve, a plataforma pode abrigar pesos em outros pontos e novos equipamentos, principalmente um heliponto com capacidade para acomodar helicópteros com maior capacidade de transporte, o que reduz a quantidade de viagens e, consequentemente, o custo das operações.
A Novelis estuda, atualmente, o fornecimento de chapas para a construção de helidecks. "Estamos conversando com grandes empresas que desenvolvem produtos para a Petrobras", afirma. Assis explica que, muitas vezes, a solicitação do mercado recai na substituição de ligas importadas, com especificação americana ou europeia, como as versões tratadas termicamente: "Não existe produção no Brasil desse tipo de alumínio. E a Novelis demonstra a aplicabilidade de ligas nacionais". Essa receita foi seguida para atender a P-52. Antes, os alojamentos eram feitos nos Estados Unidos e na Europa.
O plano, agora, é levar essa experiência para os projetos de heliponto. Apesar de não ter sido feito ainda um estudo sobre o assunto, o gerente acredita numa redução de 10% a 12% no peso da plataforma com o emprego do alumínio em pisos, alojamentos, helipontos e perfis estruturais. "O mercado de petróleo e gás está em franca expansão. Existem novas solicitações e a Petrobras tem investimentos para petroleiras e pré-sal. Em todos esses casos, as usinas de alumínio estão sendo consultadas", revela.
Alcoa investe alto Otávio Carvalheira, responsável pela área de Crescimento e Estratégia de Mercado para Alcoa América Latina & Caribe, lembra que a empresa está atuando nesse segmento há anos com o fornecimento de perfis extrudados da série 6000, empregados principalmente nas estruturas de plataformas, como helidecks e módulos de acomodação, e em algumas aplicações na área de perfuração. "Essa indústria tem experimentado um crescimento bem atrativo e a Alcoa desenvolve aplicações abrangentes para esse setor." Ele dá como exemplo as séries 2000, 5000 e 7000.
Enquanto as ligas do grupo 5000 são empregadas em chapas alto-relevo (pisos, escadas e painéis) em função da durabilidade, resistência e soldabilidade, as famílias 2000 e 7000 se destacam pela melhor propriedade mecânica e resistência à fadiga, tração e corrosão. Desenvolvidas e derivadas de produtos para a indústria aeroespacial, essas ligas podem ainda ganhar revestimentos e têmperas específicas, envelhecidas, para aumentar a capacidade anticorrosão.
Carvalheira destaca, ainda, que a resistência mecânica das ligas pode atingir o mesmo nível alcançado pelo aço, mas com 30% de redução de peso. "Isso representa uma enorme vantagem competitiva para aplicações do alumínio na exploração e produção de petróleo e gás em grandes profundidades", argumenta. É por essa razão que a empresa tem concentrado seus esforços em atender aplicações diferenciadas: tubos de perfuração, risers, tubulações hidráulicas e flanges forjados. "A Alcoa também apresenta uma gama de produtos fundidos, sistemas de fixação e serviços de engenharia que formam um amplo portfólio para servir essa indústria", detalha.
Os recursos para o desenvolvimento dos produtos estão sendo alocados para a fábrica de extrudados, em Indiana, nos Estados Unidos, e na unidade de Samara, na Rússia, que conta com prensas de extrusão e forja. "Também temos investido continuamente na melhoria de performance das ligas no nosso centro de pesquisas, o Alcoa Technical Center (ATC)", ressalta. Os principais projetos incluem melhoria de resistência à corrosão em água salgada, soldagem por fricção e extrusão de peças com parede variável. Segundo Carvalheira, a Alcoa tem como objetivo contar no setor de petróleo e gás com a mesma tradição conquistada em aplicações aeroespaciais. Em relação ao mercado, ele afirma que os investimentos globais na área de exploração vêm crescendo a taxas superiores a 10%. No entanto, apenas uma pequena proporção desses investimentos é direcionada para produtos de alumínio, estimada em menos de 1%. "O setor é muito grande e ainda pouco explorado. Vemos um enorme potencial de crescimento acima do PIB", avalia. |