Mercado colossal


edição 18
Consumo crescente de alumínio pode contribuir para a redução no uso de madeira nas construções da região
Por Antonio Carlos Santomauro

Conhecida no mundo inteiro por sua fauna e flora exuberantes, a Amazônia sempre foi motivo para preocupação da sociedade de preservação internacional. Ainda mais agora, com o crescimento das cidades da região e o consequente aumento no consumo de madeira na construção civil. No entanto, o alumínio tem contribuído para reverter esse quadro, pois os números e as observações de quem atua no segmento mostram que a demanda aumenta progressivamente.

Várias razões justificam a estruturação desse mercado potencialmente favorável ao alumínio nos estados do Norte brasileiro. Além da vinculação aos conceitos de sustentabilidade, o material se destaca pela facilidade de uso, resistência à corrosão, durabilidade e boa relação entre custo e benefício.

O alumínio hoje ganha espaço, entre diversas aplicações, nos barcos destinados à navegação na imensa bacia fluvial da região - uma das mais importantes, já que são o principal meio de transporte para as populações locais. É alumínio o material com o qual a Bertolini Construção Naval da Amazônia está construindo três lanchas de 32 pés, e dois iates de 115 pés de comprimento. As primeiras devem entrar em operação em maio próximo, e destinam-se à transportadora Bertolini, do mesmo grupo empresarial. Já os iates serão entregues em 2010. O investimento nessas primeiras embarcações, construídas com alumínio e projetadas para navegar nos rios amazônicos, supera R$ 3 milhões.

Para Renato Carlevaris, gerente da área de construção naval em alumínio da Bertolini, a maioria dos barcos produzidos com o metal na região ainda provém de estaleiros pequenos e com pouca tecnologias. "Já a madeira está escassa, devido aos programas de proteção ambiental e à extinção da mão-de-obra especializada".

Presença maciça
Em Manaus, o metal já predomina  como matéria-prima das esquadrias instaladas nas obras dos mais diversos portes. "Está atualmente presente em 90% das construções da cidade", estima Rodrigo Frota, diretor técnico da Algeplast, empresa cuja indústria, instalada na capital amazonense, fabrica anualmente cerca de duzentas toneladas do produto.

Segundo Frota, os caixilhos de alumínio ganharam espaço em decorrência da combinação entre preços mais competitivos, qualidade e melhor capacitação técnica dos fabricantes. "Aqui já não existem, como havia antigamente, marcenarias dedicadas à produção de janelas de madeira: elas se dedicam agora ao mercado de móveis. E a indústria de janelas de aço atua mais com produtos populares", ressalta.

Tal situação é bem diferente daquela vivida há cerca de quinze anos, quando Alfeu Adelino Dantas Jr., sócio-diretor das distribuidoras AD Jr. e AluPará, começou a comercializar na região. Naquela época, esse material era utilizado basicamente em grandes construções e em obras públicas. "Hoje, seu uso é mais disseminado, e o alumínio está presente não somente em esquadrias, mas também em portões e corrimãos", detalha.

Há ainda um emprego mais intenso em telhas e revestimentos de paredes, acrescenta Lázaro Leandro da Silva, proprietário da EPP - Esquadro Comércio e Indústria de Produtos em Alumínio, serralheria localizada em Belém (PA). "E, como nossa região é úmida e com elevado teor de sal, usa-se muito alumínio em mesas, cadeiras e outros objetos de decoração, principalmente no litoral."

Vantagens e dificuldades
O potencial mercadológico é tanto, que já gerou produtos especificamente desenvolvidos para a Amazônia e o interesse de grandes indústrias do setor. A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), por exemplo, lançou há cerca de três anos a marca de telhas Votoral Tropical, concebida para adequar-se melhor às condições socioeconômicas e climáticas locais. Essas telhas têm, entre outras características, leveza - desejável para uma região na qual o barco é o meio de transporte muito relevante -, maior capacidade de drenagem da água das chuvas e menor custo.

Há seis meses, a CBA passou a contar com um escritório de vendas em Manaus. Um dos focos é atender a Zona Franca, na qual estão indústrias com consumos significativos de alumínio, como refrigeração, motociclísticas e eletroeletrônicos. Segundo Antonio Teles, gerente-geral das filiais da CBA, outros setores evoluem impulsionados pelo próprio desenvolvimento da área de livre comércio, e consomem o metal em doses crescentes. Os melhores exemplos são a construção civil e a indústria naval. As vendas do escritório de Manaus somam atualmente cerca de 70 toneladas mensais. Apesar de sua pequena representatividade dentro dos negócios da empresa, existe muito otimismo: "Esse volume pode dobrar em um prazo de três anos", acrescenta Teles.

A expectativa da CBA já se tornou realidade para outras indústrias com presença na Amazônia. Na Algeplast, o faturamento no ano passado contou com uma alta de aproximadamente 40%. "Para 2009, esperamos crescer mais uns 20%", avalia Frota. Estimativas do empresário apontam para um aumento de 300% no volume de negócios da indústria da construção civil da região de Manaus. "As novas obras são todas com esquadrias de alumínio", garante.

Na distribuidora Centro do Alumínio, localizada em Manaus, as transações evoluem a uma média anual de aproximadamente 20%. Helton Oliveira, diretor da empresa, afirma que "cresce o uso do alumínio especialmente no segmento de esquadrias, mas nota-se seu uso mais intenso também em movelaria". Em sua opinião, existe ainda um amplo espaço para a expansão no emprego desse material, especialmente no interior. "Deve-se, porém, considerar que aqui as distâncias são grandes, há poucas estradas e fica caro trabalhar esses mercados com atendimento personalizado ou mesmo prospectar seu potencial", alerta.

No entanto, há a possibilidade de expandir a atuação por meio da diversificação no emprego do metal. "Vejo muito campo para o alumínio em setores como produção de barcos, decoração e alguns tipos de acabamentos, como rodapés", exemplifica Dantas, da AD Junior. "Para crescer o uso desse material, precisamos aprofundar o processo de qualificação dos fabricantes locais. Invisto muito nisso hoje", finaliza.

 
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