Selo correto


edição 18
Veículos brasileiros trarão informações sobre o consumo de combustível em projeto avaliado pelo Inmetro.
Por Antonio Carlos Santomauro

Refrigeradores, chuveiros e aquecedores, entre outros produtos, já trazem etiquetas indicadoras de sua eficiência energética, fornecidas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O esforço crescente por parte dos mais diversos setores industriais pode ser resumido em duas demandas mercadológicas extremamente relevantes: o interesse dos consumidores por produtos dotados da mesma eficácia e das mesmas funcionalidades, porém mais econômicos. E a premente necessidade de redução dos impactos ambientais decorrentes das modernas atividades econômicas.

Agora, o Inmetro também disciplinará tecnicamente o projeto que está sendo desenvolvido pelo governo federal e pelas entidades da indústria automobilística, que disponibilizará etiqueta similar - conhecida como "selo verde" -, para designar o consumo de combustível dos veículos que circulam no país.

Carlos Alexandre Principe Pires, coordenador-geral de eficiência energética do Ministério de Minas e Energia (MME), uma das instituições governamentais coordenadoras do projeto, prevê já para abril o início da distribuição das primeiras etiquetas destinadas a sinalizar veículos. Lançado oficialmente na última edição do Salão do Automóvel, realizada no final do ano passado em São Paulo, o projeto envolve, além do MME e do Inmetro, a Petrobras, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre outras instituições.

Nessa busca por veículos mais econômicos, alguns deles brevemente endossados pelo selo verde, o alumínio desempenha papel fundamental - materiais mais leves exigem menor esforço, consequentemente, menos combustível para a sua movimentação.
O alumínio já é utilizado em diversos componentes automotivos, como carcaças de transmissão e blocos de motores, entre vários outros. "Agora, começa-se a pensar na possibilidade de seu uso nos elementos da suspensão e na parte estrutural da carroceria", detalha Francisco Satkunas, engenheiro automotivo e conselheiro da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade). Na sua opinião, a evolução da nanotecnologia pode contribuir para tornar o alumínio um material ainda mais resistente e, assim, mais competitivo como matéria-prima de outros componentes utilizados pela indústria automobilística.

"As rodas forjadas de alumínio, por exemplo, combinam leveza com resistência", afirma Eduardo Lacerda, superintendente da divisão de rodas da Alcoa. Prova disso é o crescente uso de rodas forjadas de alumínio em caminhões, ônibus e implementos rodoviários. "Estudos mostram que ônibus urbanos reduzem o consumo de combustível entre 4% e 5% apenas substituindo as rodas tradicionais por alumínio forjado", conta.

Participação crescente
Apesar da presença da Anfavea e de outras entidades representantes das montadoras no projeto da etiqueta indicadora do consumo de combustível - caso da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores -, ainda parece haver alguma reticência ao uso efetivo dessa informação na indústria automobilística. E ela pode ser facilmente explicada: em qualquer veículo, o consumo depende de vários fatores, entre eles, trânsito, condições de ruas e estradas, maior ou menor habilidade do motorista e até a qualidade do combustível.

Satkunas afirma que é perfeitamente possível obter valores médios de consumo de combustível nas diversas condições de utilização dos veículos. "Em torno dessa média, pode haver variações, para mais ou para menos, estimadas em algo entre 5% e 7%", calcula. A indústria automobilística já dedica para a busca de veículos energeticamente mais eficientes um esforço similar àquele destinado à redução dos efeitos ambientais decorrentes da emissão de poluentes. E amplia o espaço ao alumínio. "Nos últimos dez anos, a participação do metal na composição de um veículo médio subiu de 3% para 8%. Nesse mesmo período, a participação de ferro e aço caiu de 72% para 51%",  compara o engenheiro.

 
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