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Somente os valores anunciados para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cerca de R$ 646 bilhões para o período 2007-2010, já seriam suficientes para comprovar que a construção civil brasileira conta com perspectivas para lá de positivas nos próximos anos. No entanto, esse montante deve receber um reforço considerável de obras não previstas no PAC, para a realização da Copa das Confederações, em 2013, e do Mundo de Futebol, em 2014. Dependendo das cidades sedes escolhidas, o investimento pode ultrapassar facilmente a casa dos R$ 40 bilhões. Somente Rio de Janeiro e São Paulo, consideradas duas barbadas na eleição, demandarão R$ 10 bilhões cada em obras de melhoria. Soma-se a esse volume, ainda, o recente plano do governo federal de construir 1 milhão de casas populares em dois anos.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, afirma que, apesar da crise, as expectativas da entidade se mantêm otimistas. "Estamos tendo total apoio do governo para manter o setor da construção aquecido em 2009." Dados da CBIC apontam que o ano passado se mostrou um dos mais produtivos para o setor. "O mercado imobiliário chegou ao patamar de R$ 30 bilhões somente com recursos da caderneta de poupança", ressalta Simão. "Para se ter uma ideia do crescimento, no ano de 2003 foram apenas R$ 2,3 bilhões."
Efeito crise Em sua opinião, o maior problema deste momento é a expectativa negativa que a crise gera nas pessoas, pois isso acaba afetando a economia como um todo. "Com ela, os agentes financeiros tornaram-se mais restritivos na concessão do crédito, o que poderá gerar um desaquecimento de todo o setor se não forem mantidos os níveis atuais de contratação."
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvin Fox, admite que a crise fez o setor rever um pouco as estimativas iniciais. Até o final de setembro de 2008, previa-se um crescimento de 10% a 12% para este ano. "Hoje, a expectativa gira em torno de 5% e 6%, dependendo ainda das ações que o governo tomar", ressalva. Entre os pontos negociados com Brasília está a eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos materiais de construção. "Os resultados dessa medida se mostraram muito positivos em 2006 e 2007", comenta Fox. Nesses dois anos, o governo federal realizou ação semelhante e conseguiu inclusive aumentar a arrecadação de impostos. Para obter sucesso em tal empreitada, a Abramat já realizou reuniões com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nélson Barbosa, e com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Nesses encontros, foi apresentado um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) que mostra perda de receita pelo governo no início do processo, mas em contrapartida aumento em até 0,8% do Produto Interno Bruto nacional. "Uma medida como essa ajudaria muito o governo a atingir suas metas do crescimento", garante.
Ele lembra ainda que o projeto de construção de 500 mil casas populares em 2009 e mais 500 mil em 2010, para famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, terá uma amplitude muito grande na geração de postos de trabalho e consumo de materiais. Para ele, esse programa deveria prever a desoneração total em função do público beneficiado. Dessa forma, não só o IPI seria eliminado, mas também o ICMS nos estados, bem como os tributos municipais. "Vamos apresentar ao governo um pequeno estudo da FGV sobre o efeito positivo para a economia com a construção de 1 milhão de casas em dois anos."
O gerente nacional de produtos da Belmetal, Sérgio Freitas, também se mostra confiante em relação ao desempenho de 2009. Ele acredita que o mercado da construção civil terá um aumento da ordem de 5%. "O crescimento no ano passado estava fora de controle e sem condições de se sustentar", avalia. E reclama: "Começou a faltar mão-de-obra e matéria-prima". Em sua opinião, o país não estava preparado para uma demanda da magnitude da alcançada no primeiro semestre de 2008 e a crise deverá mexer com o segmento, pois parte dos projetos contam com recursos do exterior. Mas, mesmo assim, Freitas traça um mercado em ascensão. Tanto que a empresa já implantou um departamento de desenvolvimento de produto. "Cada vez mais o mercado quer facilitadores", explica. "Nesse sentido, entram os sistemas - conjuntos de perfis de alumínio -, que proporcionam praticidade de instalação, beleza, modernidade e economia na obra". |