Caixilhos só de alumínio


edição 18
Virou lei: CDHU passará a utilizá-los em todas as obras do Estado de São Paulo

A partir deste ano todas as construções da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) passarão a empregar somente esquadrias de alumínio. O engenheiro e diretor técnico, João Abukater Neto, ressalta que essa nova instrução foi adotada no final de 2008 com a promoção de um pregão eletrônico. "A iniciativa estendeu a necessidade de utilização de caixilhos em alumínio para todas as obras do estado", afirma. Anteriormente, essa obrigatoriedade valia apenas para projetos implantados no litoral paulista. "A principal razão para essa escolha é que a esquadria de alumínio, dentro das normas, é melhor e mais durável."

No ano passado, o CDHU entregou 24.499 unidades. O investimento em obras e regularização chegou a quase R$ 1 bilhão. A meta do governo paulista é beneficiar 41.500 famílias em 2009 ou 34 mil novas moradias e 7.500 atendimentos de sub-habitação (favelas).

A CDHU segue rigorosa metodologia em suas edificações. Além de ter de responder às diretrizes estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os produtos utilizados nas obras precisam ainda seguir o Qualihab - programa instituído pela companhia no final da década de 80 e que virou referência nacional. As especificações dos materiais foram formuladas com a colaboração de especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). "O Qualihab estabelece limite de variações dos materiais recebidos", explica Abukater. Para garantir a adequação aos parâmetros e a qualidade final ao usuário, todos os produtos são ensaiados e entregues acompanhados de guias específicas.

 Qualidade garantida

Os consumidores de todas as faixas podem ter a certeza de que estão empregando em suas obras produtos de qualidade com as regras impostas pelo Programa Setorial da Qualidade de Esquadria de Alumínio (PSQ). Os itens avalizados pela iniciativa cumprem normas técnicas rigorosas e estão aptos a responder às exigências da construção civil: estanqueidade, resistência à corrosão, durabilidade e robustez.

O PSQ surgiu há sete anos dentro da Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal) em razão da degradação dos produtos, principalmente das empresas de esquadrias padronizadas, como explica o gerente nacional do programa, Edson Fernandes.

"A resposta da entidade foi reunir as indústrias, aderindo ao PBQP-H, por meio do PSQ", explica. "Com isso, foi possível estimular o desenvolvimento de produtos que cumpram as normas técnicas, mesmo com perfis de alumínio mais delgados, mas com sistemas construtivos e processos produtivos mais eficientes."

Segundo o gerente de construção civil da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), José Carlos Garcia Noronha, a preocupação em estabelecer um alto nível nos produtos do setor uniu a Abal e a Afeal em torno do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). Os sistemas de esquadrias de alumínio passaram a ser homologados em conformidade com a NBR 10821. Dentro desse conjunto, não estão apenas os perfis, mas também acessórios, gaxetas, escovas e parafusos para a fabricação de janelas e portas. Isso possibilitou às construtoras utilizar em suas edificações itens com garantia de desempenho, resistência e durabilidade. "Todos os produtos passaram por ensaios com laudos emitidos pelo IPT, Falcão Bauer ou Itec. Hoje, Alcoa, Belmetal, CBA e Hydro contam com suas linhas dentro de rigorosos parâmetros de qualidade", garante Noronha.

A associação, por meio da revisão da NBR 10821, estuda as necessidades das edificações de acordo com o critério normativo de altura e região da obra.  "As habitações populares sempre foram atendidas por empresas pequenas e regionalizadas, mas alguns sistemistas estão procurando desenvolver produtos para este mercado crescente em grandes projetos habitacionais pelo Brasil", ressalta o gerente nacional do PSQ.

O programa inibiu a pirataria de esquadrias ao determinar diretrizes de fabricação em conformidade com as normas técnicas. "Dessa forma, foi interrompida a prática comum de copiar um produto pior que o outro para baratear o preço", acrescenta Harry Wottrich, do PSQ. Segundo ele, as indústrias tiveram que pôr a "cabeça" para funcionar e projetar suas próprias peças. "Houve um melhor entendimento do mercado em relação à qualidade. Apesar de ainda existirem fabricantes que produzem esquadrias não-conformes", alerta.

Wottrich lembra ainda que o PSQ trabalha para que a esquadria de menor valor agregado possa atender a habitação popular com qualidade. "A importância é a isonomia competitiva proporcionada pelo programa, que estabelece requisitos mínimos aos produtos determinados pela norma técnica. As vantagens são esquadrias que garantem desempenho para o uso do consumidor final." O comprador é o principal beneficiado, pois quando adquire um imóvel ou uma esquadria em loja, não consegue distinguir as diferenças entre produtos. "Passa a ser vítima. Só vai descobrir o problema depois com o uso da peça já instalada na alvenaria". A importância para o consumidor é receber um produto adequado à localização, tipologia e altura do  imóvel, sem precisar conhecimento técnico.

 Construção padronizada

A Gafisa adotou uma nova técnica que promete reduzir em dez meses o ciclo de obras de seus empreendimentos. A empresa passou a utilizar fôrmas de alumínio para padronizar suas operações no final do ano passado com o lançamento do Brink, empreendimento na zona sul da capital paulista. Além da economia de tempo, o sistema proporciona queda no volume de resíduos gerados. Sem o uso das peças de alumínio, a construção de cada empreendimento produz em média 8 toneladas de material descartável. Ao utilizar a nova tecnologia, a Gafisa prevê uma diminuição de até 40% desse volume.

O diretor de operações da empresa, Luís Bueno, comenta que a tecnologia permite a uniformização do processo de edificação: "Os empreendimentos terão tipologias e acabamentos diferentes, mantendo suas características únicas", garante. Ele explica ainda que o sistema de industrialização será aplicado em todo o Brasil e representará menor tempo também na entrega das unidades aos clientes Gafisa.

Uma área técnica foi criada para definir a melhor metodologia para reduzir o tempo gasto na execução de uma obra. A pesquisa verificou durante 18 meses tecnologias disponíveis no Brasil e no exterior, e a escolha recaiu sobre o método que molda paredes e lajes no canteiro de obras.  As fôrmas recebem o concreto e tem início a construção andar por andar. Os pavimentos são executados com as paredes e lajes de concreto desde o térreo até a cobertura. Para possibilitar ainda alterações futuras dos usuários, a Gafisa optou pelo uso de dry wall, de gesso acartonado, em algumas paredes internas.

A Rodobens está usando tecnologia semelhante para a execução de paredes de concreto desde 2007. Os moldes de alumínio, fabricados pela Oeste em Cuiabá (MT) e pela SF Formas, em Campo Grande (MS), seguem as especificações de cada projeto e possibilitam várias vantagens à empresa na construção de casas. Uma delas é a padronização da obra, pois evita o trabalho artesanal de alvenaria. "Do ponto de vista ecológico, a técnica dispensa a utilização de tijolo, madeiramento e reboco, o que significa a redução de aproximadamente 80% da geração de entulho na obra", ressalta o diretor técnico da Rodobens, Geraldo Antonio Costa.


 

 
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