A saúde agradece


edição 18
Mercado reconhece os benefícios e as vantagens do alumínio sobre outros materiais
Por Antonio Carlos Santomauro

A leveza, a durabilidade, a beleza do acabamento, a relação entre custo e benefício mais favorável. Essas são algumas das razões apontadas pelos fabricantes para justificar a crescente presença do alumínio nos equipamentos médicos e hospitalares. E tal presença deve crescer ainda mais, até porque já é exigida pelos clientes mais atentos ao quesito qualidade.

Em alguns segmentos do setor de saúde, o alumínio tem sido qualificado como matéria-prima padrão. Caso, por exemplo, da produção de macas, padiolas e cadeiras para transporte e atendimento de emergência de pacientes. "Hoje, ele representa 95% de nossa matéria-prima", conta Miguel Mazzocco, diretor da Sitmed, que produz os equipamentos na cidade gaúcha de Flores da Cunha. "É também o material mais utilizado pelas principais fabricantes mundiais do gênero de produtos", acrescenta.

Também nas chamadas "salas limpas" - espaços projetados para reduzir o mínimo possível a possibilidade de contaminações -, o alumínio é atualmente insumo básico. "É possível produzir salas com aço inox e, em alguns casos, com PVC, mas atualmente o alumínio é o material mais usado", afirma André Peixe, responsável pela área de marketing da Vidy, fabricante de salas limpas cujos produtos já foram comprados até mesmo pelo exigente mercado suíço.

Além de presentes em hospitais - há uma delas instalada no Instituto do Coração (Incor), referência em atendimento cardiológico no Brasil -, as salas limpas da Vidy são utilizadas também por fabricantes de produtos cujos processos exigem espaços livres do risco de contaminação: chips, medicamentos, alimentos, entre outros. De acordo com Peixe, o alumínio está presente nesses espaços tanto na parte estrutural quanto no acabamento.

Exigência no exterior
Produtos hospitalares e médicos nos quais o alumínio tinha participação menor hoje abrem mais espaço a esse material. "Há aproximadamente oito meses, usamos alumínio em alguns componentes de nossos equipamentos de inaloterapia de baixa pressão", conta Carlos Avilez, supervisor da Protec. "Usamos uma liga de alumínio rica em silício, que lhe confere muita resistência", ele detalha.
Compradores de determinados produtos, como mesas ginecológicas, atualmente até solicitam o metal como material básico em sua fabricação.  No Brasil, a empresa Medpej, com fábrica instalada no município paulista de Ribeirão Preto, na maioria das vezes fabrica essas mesas com aço. "Entretanto, algumas concorrências internacionais das quais participamos hoje exigem a utilização de alumínio", conta Valmir Marques da Rocha, diretor de produção da Medpej.
Segundo ele, a empresa utiliza alumínio também em algumas peças de seus colposcópios (equipamentos óticos destinados à prevenção do câncer ginecológico), e nos sistemas de iluminação denominados focos cirúrgicos. "O alumínio proporciona melhor acabamento que outros materiais", explica Rocha.
O metal começa a dar forma também aos baús de ambulâncias e veículos de resgate, nos quais substitui a fibra. Com essa finalidade, é utilizado pela fabricante de veículos especiais Automarca. "O alumínio tem mais durabilidade. Tenho clientes que, embora já tenham trocado o veículo, mantêm o mesmo baú há mais de dez anos", revela Maurício Oliveira Gonçalves, diretor comercial da Automarcas, cuja sede está localizada na cidade de Franca, no interior de São Paulo, e mensalmente produz uma média de doze veículos especiais, inclusive ambulâncias e
veículos de resgate.

A questão do custo
Assim como a qualidade do acabamento e a durabilidade, citadas como vantagens pelos diretores da Automarcas e da Medpej, também a relação entre custo e benefício mais favorável justifica a expansão do alumínio como matéria-prima da indústria de equipamentos médicos e hospitalares. "Aliada à facilidade de manuseio e à possibilidade de revesti-lo com pintura para melhorar a resistência química ou estética, a grande vantagem do alumínio é o custo inferior ao do inox", diz Peixe, da Vidy. "Além disso, a grande resistência à corrosão e a facilidade de limpeza dão a esse material inúmeras possibilidades de uso", acrescenta Peixe.

Mazzocco, da Sitmed, também cita o custo menor como característica interessante do alumínio. "O inox é mais caro, além de ser mais pesado. O aço comum também é pesado, e ainda precisa ser pintado para não oxidar. Mesmo assim, qualquer batida rompe a pintura e abre espaço para a oxidação", compara Mazzoco.

"E, com o alumínio, ampliam-se as probabilidades de fidelização dos clientes", observa Gonçalves, da Automarcas. Segundo ele, sua empresa já precisou trocar alguns baús de fibra logo após vendê-los, porque imediatamente apresentaram trincas. "Uso exclusivamente o alumínio, porque privilegio a satisfação de meus clientes, essa é uma prioridade básica", enfatiza. Avilez, da Protec, conta que aumentará ainda mais o uso do alumínio na indústria de equipamentos médicos e hospitalares. "Além de ser mais leve, ele tem facilidade para extrusão e refilagem", justifica o diretor da Protec, que atualmente usa alumínio também em painéis de sistema de distribuição de gás destinados a hospitais justamente porque tais peças já vêm extrudadas por seus fabricantes.

 
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