Fôlego novo para o setor


edição 19
As empresas começaram a recuperar o ritmo e apontam uma tendência de alta na demanda
Por João André de Moraes
A indústria de alumínio responde, atualmente, por cerca de 8,5% das embalagens produzidas no país - um faturamento estimado em mais de R$ 3 bilhões, conforme pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre). Luciana Pelegrino, diretora-executiva, afirma que a participação do alumínio vem se mantendo estável nos últimos anos. "No entanto, em 2008, as latas contaram com um crescimento de 7,8% no volume de produção em relação ao ano anterior, bem acima do desempenho do setor, que sofreu um recuo de 0,6%." Hoje, as latas de alumínio respondem por 40% das embalagens metálicas brasileiras.

 Para 2009, a expectativa da associação será revista. A última estimativa dava conta de um aumento de 1% no volume de produção em todos os segmentos. "Se ocorrer um descolamento da crise internacional, o crescimento poderá chegar a 2%." Entretanto, a redução na demanda em janeiro e fevereiro foi  acima do esperado, o que prejudicou muito o desempenho do setor.

O diretor comercial e de marketing para América do Sul da Novelis, Mauro Moreno, confirma essa movimentação do mercado. Ele explica que o impacto da crise internacional foi profundo a partir de outubro.

 Esse choque, porém, não se traduziu em queda de vendas em alguns tipos de embalagem. "As latas de alumínio continuaram no mesmo ritmo de antes da crise", garante. Além da elevação do poder aquisitivo da população nos últimos anos, Moreno indica que o enrijecimento da fiscalização de direção alcoolizada decorrente da " lei seca" também teve repercussão positiva nas vendas de bebidas em latas. "As pessoas diminuíram as idas ao bar." As garrafas dos estabelecimentos foram substituídas pelas latas comercializadas em supermercados para consumo em casa.

 A Novelis trabalha com uma estimativa de crescimento superior a 5% para este ano. No primeiro trimestre, a empresa conseguiu manter esse patamar, apesar do desempenho negativo das embalagens flexíveis de cerca de 20%. Moreno explica que o nicho sofreu com a descapitalização das empresas da cadeia. Para suprir a falta de recursos, a solução encontrada foi queimar estoques. E isso ocorreu em todos os pontos: varejo, indústria alimentícia e de embalagens,conversores de material acabado e insumos. "Qualquer recuperação monetária dessas empresas representará um crescimento bastante acentuado de pedidos, pois todos estão sem estoques. O mesmo fenômeno ocorreu com a indústria automobilística", ressalta.

Mesmo se ocorrer um aumento superior a 5% na demanda, a Novelis possui capacidade instalada para atender o mercado.

Inovações

A Alcan também vem desenvolvendo novas aplicações na área de embalagem. O principal foco tem sido o crescente mercado da conveniência. "A vida agitada e a falta de tempo para o preparo de alimentos exigem produtos em embalagens com porções individuais e de fácil abertura", explica a gerente técnica e de inovações da Alcan, Olinda dos Santos Fernandes.

 Os itens ready to drink e read to eat fazem sucesso nos países desenvolvidos, mas ainda não deslancharam no mercado nacional. Já existem, porém, exemplos de boa aceitação, como sachês de shakes, sucos prontos e pouches, principalmente em atomatados. O Sup (S tand-Up Pouch) vem ganhando muito espaço nas gôndolas dos supermercados, principalmente por reduzir o preço no produto final. "A indústria de atomatados fez o investimento e está aproveitando a demanda", informa Olinda. Os pouches esterilizáveis, por sua vez, permitem o processamento do alimento dentro da embalagem por autoclave em seu interior. Comuns nos Estados Unidos, Europa e Ásia, estendem a vida do produto e não exigem refrigeração. O sistema é utilizado, no Brasil, nas linhas instantâneas, como atum para pizzaria, molhos e carne processada para exportação. As Forças Armadas também utilizam esse conceito em seus mantimentos, pois se mostra perfeito para missões mais longas: não pesa na mochila e tem validade maior.

O sucesso do Sup é confirmado pelo sócio-diretor da Predilecta Alimentos, Antônio Carlos Todiotti. Além de ressaltar a grande diferença de 20,8% no preço da matéria-prima, ele lembra que não há necessidade de espaço físico para guardar as embalagens. "O pouche é a embalagem do futuro e, por isso mesmo, estamos investindo nesse conceito", afirma. 
 
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