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Alumínio Verde
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edição 19 |
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Por Rodrigo Rodrigues
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A partir de 2012, o Estado paulista estará livre de uma prática secular no Brasil, e que já causou muitos danos ao meio ambiente: a queima da palha da cana-de-açúcar. Por conta de lei estadual 11.241 de 19/12/2002, as queimadas devem ser totalmente substituídas no Estado pela extração mecanizada, sob pena de multas altíssimas para a indústria canavieira. Na época da aprovação, a lei foi muito comemorada pelas entidades de defesa do meio ambiente, mas vista com desconfiança pelos canavieiros, que agora são obrigados a investir na mecanização e no transporte dos produtos até as usinas.
O medo dos empresários do setor era que o aumento dos custos tornasse o produto brasileiro menos competitivo no exterior. Entretanto, surgiu no mercado um grande aliado dos canavieiros: o alumínio. Para auxiliar essa indústria fundamental para a produção de álcool e biodiesel, desde 1997, a Alcoa criou um projeto eficiente e que também ajuda o meio ambiente: o Rodotrem. "O modelo fornece aos canavieiros uma carroceria basculante alumínio extrudado, que é 25% mais leve que uma carroceria de aço", afirma o superintendente de desenvolvimento de projetos da Alcoa, José Sakae Nagatsuyu.
Na prática, a diferença entre as duas carrocerias é de 2,7 toneladas, o que confere maior capacidade de transporte do material e menos danos ao meio ambiente. "Um veículo mais leve reduz o consumo de combustível, diminui a emissão de poluentes, preservando mais as ruas e estradas do Estado", explica Ayrton Filleti, coordenador do Comitê de Transportes da Abal.
Investimento retornável
Quando se trata de redução de peso e projetos de sustentabilidade, o alumínio é um dos metais mais utilizados pelo setor de transportes. Além de rodas e carrocerias, também é utilizado em radiadores, tanques de combustível, sistemas de freio, para-choque, capôs e vários outros itens dos motores. "Na Europa e nos Estados Unidos, 80% dos caminhões-tanques são de alumínio; na Argentina são 70%. Só no Brasil esse valor não passa de 10% de toda a frota", lamenta Ayrton Filleti.
Segundo o coordenador do Comitê de Transportes da Abal, o Brasil está atrasado, não só na redução de peso dos veículos de carga, mas também nos furgões, ônibus e veículos chamados populares. Filleti atribui o problema à falta de fiscalização no cumprimento da lei federal das balanças, que estipula o peso máximo de um veículo que roda pelas estradas, e aos valores. "Aqui, no Brasil, não se faz uma análise do custo-benefício de um investimento em caminhão de alumínio. Além de dar maior capacidade de transporte de produtos, com a economia de combustível e pneus é possível resgatar os investimentos adicionais em veículos dessas linhas em dois anos e meio ou três", calcula Ayrton Filleti.
Vale destacar que o maior receio do setor de transporte ainda reside em elevar os custos da frota, já que o alumínio é um produto mais caro que o aço, por exemplo. Entretanto, Filleti é enfático ao afirmar que o custo inicial do alumínio é maior, mas a vida útil do produto também: "O metal tem altíssima resistência à corrosão, se comparado ao aço inoxidável, por exemplo. Dura cerca de 15 anos sem necessidade de substituição de peças", lembra.
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