Tecnologias diferenciadas de acabamento abrem ao alumínio possibilidades de utilização muito maiores em diversos setores: construção civil, indústria automobilística e de motocicletas são bons exemplos de aplicação. Entretanto, é no segmento da decoração, que inclui a indústria do mobiliário, que os resultados mais se destacam. Os acabamentos que chegam ao mercado conferem ao metal uma gama mais ampla de cores, tonalidades e texturas. Podem, ainda, torná-lo visualmente similar a outros materiais, como madeira ou mármore, e até valorizar com desenhos e estampas personalizadas que lembram padronagens da indústria têxtil. São efeitos impossíveis de se obter pelos processos tradicionais. A paleta de cores da anodização percorre o champanhe e o preto, passando por várias tonalidades de bronze. A pintura abre ao metal uma paleta grande de cores. A sublimação permite a confecção de peças de alumínio com quantidade bastante significativa de perfis, como os amadeirados e a imitação de mármore, ou com estampas customizadas para a necessidade específica de cada usuário. Entre os fornecedores, aparece a empresa italiana Menphis, representada no Brasil pela Palagi & Palagi. Na sublimação, o desenho desejado para o alumínio é repassado, via laser, para um cilindro que recebe um corante, com o qual transfere esses traços para uma película (denominada transfer). Em fornos, essa película é colocada sobre a superfície destinada à aplicação - no caso, um perfil de alumínio -, e o processo completa-se com a transferência do desenho. Essa tecnologia já é utilizada na produção de estampas em tecidos e em couro, até então os principais mercados atendidos pela Palagi & Palagi. "Contudo, no exterior, a Menphis realiza cerca de 60% de seus negócios com transfer para metais, principalmente alumínio", conta Betiza Ternus, executiva de vendas da divisão de construção civil e decoração da Palagi & Palagi. Processo revisitado Outra tecnologia de acabamento hoje apta a ampliar as possibilidades de emprego do alumínio é a anodização colorida por interferência - processo comercializado pela Italtecno com a marca Multicolor. "Essa tecnologia permite uma abrangência de cores muito maior; na verdade, praticamente infinita, pois a programação de cada cor é feita por computador", destaca Adeval Meneghesso, diretor-superintendente da Italtecno. Segundo ele, essa variedade maior de cores decorre da inserção de um estágio não existente no processo tradicional da anodização. "Antes da coloração, são feitas alterações nos poros da camada anódica colocada na superfície do alumínio; os vários gêneros de alteração geram refrações diferentes da luz incidente sobre essa superfície, e cada uma delas produz uma cor ou tonalidade específica. Durante os próximos dois anos, o sistema Multicolor será comercializado no Brasil exclusivamente pela Companhia Brasileira do Alumínio - Votorantim Metais (CBA), que repassará aos aplicadores do setor moveleiro a matéria-prima com esse acabamento. De acordo com João Graciolli, responsável pela área de tratamento de superfície e acabamento da CBA, além de permitir a gama muito mais vasta de tonalidades, o Multicolor gera um benefício adicional: fundamentado em materiais inorgânicos, evita a perda da resistência à oxidação decorrente dos métodos comuns de colorização de alumínio. "Com essa tecnologia, o Brasil alinha-se ao que há de mais atual em acabamento para alumínio na Itália, a grande referência na área de acabamento de peças extrudadas", enfatiza João Graciolli. Caminho sem volta Alguns aplicadores começam a explorar as possibilidades abertas por essas tecnologias para valorizar e modernizar sua produção. A fábrica de móveis Florense mantém uma planta exclusivamente dedicada ao alumínio. Já se valeu do acabamento em algumas ocasiões, por exemplo, no projeto de mobiliário da sede administrativa da Tramontina. Para Mateus Corradi, gerente de marketing da Florense, "o uso do alumínio na indústria moveleira é um caminho sem volta, e se esse material tiver mais opções de acabamento, será ainda mais utilizado, pois esse setor está muito associado a moda e estilo, e por isso exige mais possibilidades de cores e padrões", afirma. Ainda há, porém, alguns entraves à maior utilização das tecnologias diferenciadas de acabamento, afirma Donizeti Batista, gerente comercial de produtos acabados da Alpex. "Já apresentamos perfis amadeirados para alguns clientes, mas ainda notamos objeções a quesitos como custo alto e prazo de entrega longo", argumenta o gerente da Alpex - empresa que, além de manter uma divisão de extrusão, produz em alumínio itens como portas e puxadores para móveis, tubos cabideiros, peças para divisórias, entre outros. "Entretanto a ampliação de empresas fornecedoras das novas tecnologias, caso da própria CBA, reduzirá tanto preços quanto prazos", prevê Meneghesso, da Italtecno. Na Europa, ele conta, além de mobiliário e construção, valem-se intensamente da tecnologia Multicolor também os fabricantes de automóveis, motocicletas e bicicletas. "Haverá grande potencial comercial para essa tecnologia no Brasil, pois o mercado brasileiro do luxo deve crescer muito", analisa. "E esse é um acabamento interessante para o mercado do luxo e da sofisticação, pois além de maior resistência, permite o trabalho com cores exclusivas", acrescenta. Outros segmentos Alexandre Coimbra, supervisor comercial da linha Saint Claire na empresa Tecnovidro, destaca a possibilidade do atendimento de demandas muito específicas como diferencial favorável às modernas tecnologias de acabamento. "Na indústria moveleira, a tendência é oferecer móveis cada dia mais personalizados, na tonalidade exata desejada pelo cliente", destaca. A linha Saint Claire tem como matéria-prima exclusiva o alumínio e é composta por portas, divisórias e perfis para a indústria moveleira. Segundo Coimbra, por enquanto essa linha oferece basicamente as opções de acabamento anodizado fosco, preto e champanhe e, em menor escala, branco pintado. "Mas já apresentamos a alguns clientes o mostruário com os acabamentos gerados pela tecnologia Multicolor, e todos mostraram interesse", acrescenta o supervisor. E, assim como já começam a ganhar espaço na indústria de móveis, as tecnologias capazes de conferir mais possibilidades de acabamento ao alumínio gerarão novos produtos também no mercado da construção civil, projeta José Carlos Pegorini, gerente nacional de produtos da Belmetal, empresa fornecedora de sistemas destinados à produção de portas, janelas e esquadrias. "Os arquitetos precisam de mais opções de cores e tons, e atualmente há muito interesse na imitação de outros materiais, como madeira", justifica. Na opinião de Pegorini, essas tecnologias chegam ao Brasil em bom momento, pois o setor da construção civil vive fase bastante favorável. "Inicialmente, elas devem consolidar-se mais fortemente no segmento de móveis e decoração, mas há várias outras possibilidades de uso. Além da construção civil, a indústria automobilística, de bicicletas e equipamentos ortopédicos oferecem boas perspectivas de mercado", detalha o gerente da Belmetal. A executiva de vendas da Palagi & Palagi, Betiza Ternus, confirma a tendência: o alumínio submetido à Sublimação já é utilizado em larga escala na construção civil, em diversas modalidades: padrões imitando mármore para painéis de decoração externa, tonalidades e veios da madeira para batentes, portas e janelas, padrões com aparência de aço inox para o interior de elevadores. "O usuário também pode criar seu próprio padrão, e é possível utilizar o transfer mesmo em superfícies menores, como objetos de decoração", finaliza. |