A luta é antiga. Convencer as grandes montadoras de que o alumínio no setor automotivo e de transportes traz muitas vantagens econômicas e de sustentabilidade é uma missão de muitos anos da cadeia do metal. É um trabalho que tem mostrado avanços nos últimos anos e que já dá a 38% dos carros de passeio em circulação no Brasil uma média de 75 kg de alumínio por veículo. Comparar esse dado com os 142 kg por unidade dos padrões internacionais é algo a ser comemorado. As montadoras, como a Volkswagen, começam a trocar as peças feitas em ligas ferrosas pelo alumínio nos lançamentos previstos para 2010. Os cabeçotes também seguem a mesma tendência. O metal continua sendo preponderante quando se fala em produção para a indústria automotiva. 70% de tudo o que é produzido em fundidos voltados ao setor "sobre rodas" é de alumínio. "A substituição de blocos de motor em ferro fundido por alumínio é uma tendência na nossa indústria", analisa Devanir Brichesi, presidente da Associação Brasileira de Fundição (Abifa). Motores turbinados Por meio dos lançamentos, o mercado comprova que o espaço do alumínio na indústria automotiva está cada vez mais garantido, apesar da crise (leia box 'Sinal de alerta'). A maioria das gigantes do setor adotou o metal como matéria-prima principal de seus sistemas de motor e de powertrain, que unem economia e potência. São nos propulsores que o material em sua forma fundida se destacam com maior propriedade. Na GM, o bloco de motor é 100% em alumínio, como no sedã Malibu, fabricado nos EUA. O possante tem motor quatro cilindros Ecotec de 2.4 litros em alumínio, que desenvolve 171 cv e comando variável de válvulas. Econômico, o propulsor utiliza tecnologia Flex, chamada de flexible-fuel vehicles (FFV), que roda tanto com gasolina quanto com etanol contendo 15% de gasolina. Na versão mais sofisticada, híbrida, o carro vem com um gerador/motor elétrico de 36 volts associado ao motor 2.4.
A francesa PSA Peugeot Citroën também utiliza cada vez mais alumínio fundido em seus modelos. Mesmo os motores diesel - cuja participação no mercado automotivo é cada vez maior - antes equipados com cabeçotes, tradicionalmente produzidos em ferro fundido, por causa dos elevados requisitos de resistência e durabilidade, agora também estão sendo fundidos em ligas de alumínio, tanto na Europa quanto no Brasil. O Grand C4 Picasso vem equipado com motores EW10 2.0 com bloco em alumínio que, em 2009, serão 100% fabricados no Brasil. A versão 2009 do Peugeot 407 teve sua produção nacionalizada em 2009 e seu motor V6 é 100% alumínio. O uso do metal nesse sistema também aparece em outros modelos, como o 207. Ainda no 407, o sistema de suspensão é aprimorado com peças fabricadas a partir da fundição do metal não ferroso. Na Ford, o modelo crossover Edge, um dos mais novos, é movido a um motor com bloco, cabeçote e mancais de alumínio Duratec V6 3.5 L, 24 válvulas e 269 cv, um dos mais potentes da categoria. O metal também destaca as robustas rodas do veículo na medida 20 polegadas. Ainda nas multinacionais com fábricas instaladas no Brasil, a Fiat também utiliza o alumínio no Punto T-Jet, apostando no segmento esportivo da empresa italiana. O motor 1.4 16V é feito com o metal e importado da Itália, que também equipa o Linea. A Volks, com o campeão em vendas Gol, também conta com peças de alumínio fundido. Seu propulsor da família EA-111 1.0 l (o mesmo do Fox) tem cabeçote de alumínio e diversas outras peças fundidas no sistema powertrain, como carcaças de bomba d'água, de câmbio e de direção, fabricadas com o metal. O motor 1.6-litro conta com injetores de óleo na base dos cilindros para refrigeração dos pistões, também de alumínio. Além de tudo isso, as rodas aro 13 em liga leve também são de alumínio fundido. Sinal de alerta
A crise financeira internacional ameaça parte do espaço conquistado com tanto suor, principalmente nas fundições. Embora estejam em cerca de 90% de todo o alumínio presente em um veículo, os fundidos já viveram dias melhores. Dados da Associação Brasileira de Fundição (Abifa) mostram que, nos primeiros sete meses de 2009, a produção de itens de alumínio pelas fundições caiu 28,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da entidade, Devanir Brichesi, conta que a demanda das montadoras pela redução de custo deixa de lado as vantagens do alumínio e coloca um sinal de alerta para todo o setor de fundição. "Cada vez mais elas (as montadoras) ampliam sua capacidade de negociação por redução de custos e já até ameaçam ampliar a importação, o que seria prejudicial para todo o setor", alerta. "Com o câmbio em desvantagem para nós, as produtoras de veículos começam a pensar em importar e se esquecem da importância do nosso segmento e da sustentabilidade que o alumínio oferece para toda a cadeia automotiva e de transportes", comenta. Ao mesmo tempo, pondera: "Apesar de todas as dificuldades, as perspectivas são animadoras, especialmente para 2010", conclui o presidente da Abifa. |