Os robôs saíram da ficção científica - algo que nos fazia imaginar um futuro distante, em que a tecnologia estaria a tal ponto avançada que as máquinas seriam semelhantes aos seres humanos - e entraram definitivamente em nosso cotidiano. Embora nem sempre tenham a aparência de uma pessoa, eles são parte fundamental na indústria e em centros de pesquisa. Um dos materiais utilizados para a fabricação dessa tecnologia é o alumínio. O mercado da robótica no Brasil ainda é considerado amador. Os únicos locais em que essa tecnologia é desenvolvida de forma inédita em território nacional são nos laboratórios das universidades. Ali, alunos dos mais diversos cursos trabalham juntos para desenvolver robôs capazes de executar tarefas diversas e participar de competições. "Nosso objetivo é usar a competição para que o aluno se sinta incentivado a desenvolver conhecimento", explica o professor responsável por um dos projetos do centro universitário da FEI, Flavio Tonidandel. Por ser muito fácil de trabalhar, o metal é a matéria-prima das carcaças dos robôs da equipe da FEI. "O Alumínio é um material que atende a todos os requisitos que a robótica pede, e tem custo acessível, mais que outros materiais que teriam, no máximo, a mesma eficiência", explica o aluno de engenharia mecânica da FEI, Milton Perez Cortez Junior. A equipe que vai representar o Brasil na Áustria tem todos os robôs com carcaças e rodas de alumínio - partes que devem primar pela resistência. "Algumas equipes usam fibra de carbono, que é muito mais caro que o alumínio e não tem tantas vantagens assim", afirma Milton. Além disso, o metal também é utilizado pela leveza, que garante um poder maior de aceleração ao motor elétrico do robô, e por poder ser moldado extremamente fino sem trincar. "Se usássemos plástico, certos moldes e furos não poderiam ser feitos, dificultando a construção do robô" explica Milton Cortez. "A maioria das peças são feitas aqui mesmo, na faculdade", acrescenta o aluno. Mercado industrial O casamento entre robótica e alumínio, entretanto, não se restringe às salas de aula e às competições de conhecimento. Muitas empresas importam esses equipamentos para que suas fábricas se modernizem. A ABB, com sede em Zurich, é uma das lideres mundiais em robótica industrial. Opera em mais de 100 países, com mais de 120 mil funcionários contratados e 160 mil robôs em funcionamento em fabricas dos mais diferentes tipos. A empresa utiliza o aço como matéria principal. Contudo, em recente lançamento, apresentou ao mercado o IRB 4600, novo modelo que utiliza o alumínio em várias partes, fazendo-o leve, compacto e com o maior alcance vertical de sua classe. "A utilização desse material contribuiu para a redução do peso do novo modelo. Com isso, novas possibilidades na aplicação foram permitidas, principalmente para a instalação de robôs na parte superior de máquinas. Em fábricas onde questões de peso são importantes, por exemplo, quando o robô deve ser montado sobre equipamentos injetores, como ocorre nas indústrias de plástico e fundição", explica o coordenador de engenharia de Aplicação da Divisão de Robótica da ABB, Carlos Saito. A ABB fechou recentemente um acordo de fornecimento de robôs com a BMW, entre eles, o IRB 4600, que inaugurou o uso do alumínio na sua produção. "Os robôs de alumínio tendem a crescer nos mercados que são foco. Se houver algum tipo de movimento do setor de alumínio com o intuito de torná-lo uma matéria-prima com custo mais competitivo, certamente as indústrias deverão utilizá-lo em maior escala", sugere o coordenador da companhia. Forma humana
Robôs que fazem serviços domésticos, como aqueles que povoavam o imaginário de crianças nos seriados da década de 60 já existem e utilizam o alumínio em diversos componentes, mas ainda estão longe da realidade brasileira. A americana iRobot (www.irobot.com), fabrica diversos robôs que ajudam em serviços domésticos, desde aspirar o chão, a limpar piscinas e calhas. Gigantes do mercado de eletrodomésticos também já entraram no mercado de robótica. A coreana LG já lançou uma versão de robô-aspirador, que concorre com o modelo da IRobot. A Sony desenvolveu, há mais de dez anos, o Aibo, um cão robô para fazer companhia. Hoje, possui versões atualizadas, que mudam de personalidade conforme interagem com o dono. Outras empresas, como a japonesa Nec (www.incx.nec.co.jp/robot), dedicam sua produção a robôs humanoides de companhia, para os mais diversos tipos e estilos de pessoas. Como o PaPeRo, voltado para cuidar de crianças e idosos e com uma interação entre ele e o ambiente, raramente vista nesse meio. |