Rumo a um futuro de baixo carbono


Edição 21
Os segmentos representativos da sociedade serão cada vez mais cobrados para demonstrar o que estão fazendo
Por Mauricio Born

As mudanças climáticas são o mais importante problema ambiental da atualidade. É um assunto que está aí para ficar e isto independe dos resultados da já histórica reunião da COP 15, em Copenhague, em dezembro de 2009, onde os países discutirão as responsabilidades por manter no máximo em 2º C a elevação da temperatura do planeta. O Prêmio Nobel da Paz, outorgado ao Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) e ao Al Gore, em 2007, não deixam dúvidas de que já passou o tempo de questionar se o iminente derretimento das neves do Kilimanjaro, ou os tornados no sul do Brasil, se devem ao aumento das emissões de gases de efeito estufa.

A população acompanha com interesse cada vez maior a intensa cobertura de mídia e este é um sinal claro de que todos os segmentos representativos da sociedade serão cada vez mais cobrados para demonstrar o que estão fazendo. Não é à toa que se observa uma grande atividade legislativa na discussão e aprovação de Políticas de Mudanças Climáticas no Brasil.

O assunto é?global e urgente. Quanto às?indústrias, elas não são as principais emissoras no Brasil. Mesmo assim, só terão chance de garantir um lugar na propalada nova economia - aquela com baixos níveis de emissão de gases de efeito estufa - se tiverem estratégia, foco e senso de urgência para conhecer, reduzir e compensar as emissões.

A Associação Brasileira do Alumínio e a indústria brasileira do alumínio, na sua tradição de atuação transparente e responsável, já trabalham no assunto há muito tempo. Um exemplo é a cooperação entre a Abal o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), para o inventário nacional de gases de efeito estufa. Outro aspecto importante são os grandes investimentos em autogeração de origem hídrica, que contribuem para a matriz energética brasileira ser uma das mais limpas do mundo.

Agora, esta atuação está sendo intensificada, com a finalidade de estimular o setor a conhecer suas contribuições para o problema e também para a sua solução. A primeira ação foi dada pela recém empossada diretoria da Abal, que colocou o tema como prioridade estratégica. Nos próximos anos, as mudanças climáticas e as ações da indústria brasileira de alumínio serão uma constante.

Considerando a predominância de fontes hidrelétricas na matriz brasileira, o sucesso obtido na recuperação de áreas mineradas, a excelência do controle de processos e as taxas de reciclagem acima da média mundial, a indústria brasileira do alumínio está bem posicionada para o futuro. Entretanto, não estamos satisfeitos: é necessário aproveitar ainda mais estas oportunidades, reduzir e/ou compensar as emissões, e se adaptar aos riscos potenciais como eventos climáticos extremos. Uma indústria brasileira sustentável e neutra em emissões de carbono. Estamos mobilizados por esta visão.

Mauricio Born é sócio diretor da Mauricio Born Consultoria

 
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